quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A industrialização da prece

Assim como no Tibet, onde cada família é obrigada a consagrar à religião ao menos um de seus filhos varões, o que torna inacreditável a proporção de monges no país. Um mosteiro, nas proximidades de Lhasa, tem seis mil. O Brasil com sua familiocracia e apadrinhagem, tem também produzido uma imensidão de “lideres” que em sua grande maioria não possuem um feixe de luz se quer na refulgente e grandiosa chamada ao pastoreio. Degradante é o apego ao “ministério” que muitos têm; um apego monetário, de poderio e glória, de forma alguma aceita que outros tomem o seu santo lugar, e quando já idosos, em findando as suas “carreiras de sucesso”, dão um jeitinho e empossam os seus filhos.
Neste contexto então, vivemos a era dos netos de deus (já está se tornando hábito aparecer com d minúsculo). Não questiono aqueles que seguem os passos de um pai compromissado e realmente dedicado ao ministério. Repudio é essa mania de consagração titular. Título e apenas isso, credenciais que engordam as convenções, como se fosse pecado de morte não consagrar o grandalhão.
E por muitos empurrarem a “chamada” com a barriga, a igreja passa hoje por uma verdadeira desvolucão, retrógrada e declinada, comandada pelos netos, apadrinhados e indicados que estão à sua frente. Por almejarem a mesma glória e status de seus pais (síndrome de Belsazar), oferecem verdadeiros banquetes em seus templos, festas sobrepujantes e grandiosas, que usam o sagrado, mas que não engrandece o Santo de Israel. Assim como aquele neto usou os utensílios sagrados do tabernáculo para ostentar seu “poder” a seus amigos e convidados, pelo mesmo caminho seguem os pés dos netos atuais, homens que usam da Casa do Senhor para autopromover-se, usando o sagrado para gloriar o profano, banalizando o verdadeiro sentido desta casa (Casa de Oração).
A mecanização cultual é obrigatória. A segunda que parece terça, que é igual à quarta, que se repete na quinta... e domingo a mesma coisa. Realmente industrializaram a igreja. Temos os irmãos da diretoria (os intocáveis), os irmãos dos departamentos, e ainda existem aqueles que mais parecem lideres sindicais (gritam, cobram, mas com qualquer “oferta” é possível cala-los), e assim caminha a indústria.
Recentemente tenho observado que para “adorar” necessito fazer a coreografia certa, pois ao contrário meu louvor não chegará aos céus (?), até mesmo para orar (conversar com Deus), tenho que seguir determinados protocolos. Já não basta o templo e seus departamentos, agora estão industrializando até mesmo as pobres ovelhinhas.

Em oração,
Paulo Henrique.

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