segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dependência

Quando Paulo em Corinto, escreve a carta destinada aos cristãos de Roma – aos Romanos, no primeiro capitulo ele lança uma “sentença”, curta, dura e para muitos incompreensiva: “O justo viverá pela fé” (Rm 1.17b). Como viver pela fé, afinal estamos falando de Roma, onde a glória, a riqueza e os bens era o senhor de qualquer cidadão romano. O apogeu de um homem só era atingido quando este conquistava glórias e honras, não importando a forma para que fossem alcançadas.
E é justamente por isso que o apóstolo profere tais palavras, de forma sutil, mas de grande impacto Paulo ratifica o que Habacuque viu em sua época: “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.” (Hb 2.4).
Assim como o profeta, Paulo consegue enxergar a realidade da cidade de Roma, nação de grandes conquistas, belas e magníficas edificações, ruas e estradas pavimentadas, leis e estatutos formados por um corpo jurídico solido e consistente, Roma realmente era um lugar diferenciado.
Mas existia algo que agonizava em seus becos, dilacerada pela cultura pagã e anti-teocentrica faminta e a beira da morte – a polis estava perfeita, mas a sua sociedade estava doente. Cidadãos que tinha tudo, mas não eram nada. Conquistaram terras e reinos, expandiram seus limites, mas não conheciam a sí mesmos. A alma de Roma estava sinuosa, serpentiforme, orgulhosa de fatos perecíveis e passageiros.
Foi algo realmente impactante, assustador – Viver pela fé (?), como?
Se a fé é apresentada em Hebreus como o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
É justamente este questionamento que o apóstolo dos gentios levantou ao escrever este texto ao seus leitores. É viver unicamente e exclusivamente na dependência de Deus.
O que Paulo estava mostrando não era de forma alguma fácil. Adolf Pohl diz que aqui é apresentado um “triângulo terminológico frutífero – Justica, fé e vida”. Diferentemente das religiões contemporâneas – vivendo pela lei/regras, Paulo demonstra que somente da fé origina-se vida. Para alguns, a palavra vida neste texto, expressa eternidade, será que o viver descreve a seqüência temporal da vida imediatamente à frente ou refere-se só à vida eterna?
Moody, descreve que Bauer no vocábulo traduzido e editado por Arndt e Gingrich afirma que “a linha divisória entre o presente e o futuro às vezes não existe, ou pelo menos, não é discernível” (Arndt, zao, 2.b. pág. 337). Ele traduziria esta frase assim: Aquele que é justo pela fé terá vida. Como é grandioso o papel da fé para a justificação do homem, na vida que está por vir.

"O justo viverá pela fé".

Em oração,
Paulo Henrique.

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