quinta-feira, 2 de junho de 2016

Novo Mandamento

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. (Jo 13.34)


Apesar de escreverem inúmeros poemas, exaltar-se tanto esse “sentimento” chamado AMOR, vemos que a Palavra de Deus nos mostra que o amor não é um sentimento, onde posso escolher o que, quem e quando amar; mas a Bíblia nos mostra que o amor é uma ORDEM.
Isso faz toda a diferença. Em um mundo cheio de mazelas e decepções, os relacionamentos estão se tornando cada vez mais descartáveis, afinal “eu escolho/eu determino” se esse relacionamento vale ter continuidade ou não, se as circunstancias são favoráveis e estou ganhando ainda alguma coisa com a continuidade deste “sentimento” (e nesses casos sempre olhamos para nós – egocentrismo, dificilmente observamos o outro).
Ao entendermos a orientação bíblica que amar é uma ORDEM, a visão muda; não é algo que eu “uso” e quando não estiver mais favorável, descarto e lanço fora.
O verso mencionado, Jesus faz uma menção ao decálogo, e de forma surpreendente traz uma “nova orientação”, o interessante aqui é o crivo, o padrão estabelecido para amar o nosso próximo.
Quando nos é orientado a amar o próximo como a nos mesmo, o padrão aqui é alto, porém, pode ser muito relativo. Muitas pessoas amam a vida e tudo o que nela há, assim o amor a se próprio é bem definido e estabelecido, em contrapartida, muitos não tem por preciosa a própria vida; para estes a ordem de amar o próximo como eles se amam não estabelece um crivo a ser seguido, pois como amar o próximo se não amam a si mesmos?
Já dizia Paul Valéry “Pois se o eu é odioso, amar o próximo como a si mesmo torna-se uma atroz ironia”
Então diante de tal situação, Jesus estabelece aqui o padrão a ser seguido “... Assim como eu os amei, amem também uns aos outros...”
A ordem é clara e o padrão estabelecido – AMEM, assim como EU amei.
Um amor sacrificial, que não questiona, não baseado na troca, no ganho, no merecimento.
Disposto a amar os que não lhe amou, de continuar amando mesmo quando as regras que ditam os relacionamentos hoje dizem não mais valer a pena...
Assim como expressa o Rev Arival, o mandamento do amor não é novo em termos de tempo. Deus já havia ordenado o amor desde a lei do Antigo Testamento (Dt 6.5; 11.1; Lv 19.18). A ordem de amar uns aos outros é repetida pelo menos doze vezes no Novo Testamento (Jo 13.34; 15.9, 12, 17; Rm 13.8; 1 Ts 4.9; 1Pe 1.22; 1Jo 3.11, 23; 4.7, 11-12; 2Jo 5).
O mandamento do amor é novo ou inédito de cinco maneiras:
I -  Ele é novo em sua proeminência, isto é, é o maior de todos os mandamentos (1 Co 13.1-3). 
II - Ele é novo no seu referencial. Jesus é o nosso referencial de amor (1Jo 3.16).
III - Ele é novo em sua maneira de expressa-lo. O amor deve ser expresso não por palavras, mas por ações concretas a favor dos nossos irmãos (1Jo 4.18).
IV - Ele é novo em sua exclusividade. Somente quem é nascido de Deus pode amar (1Jo 4.7).
V - Ele é novo em sua capacitação. Só podemos amar se Deus nos capacitar por intermédio do Espírito Santo (Rm 5.5).

John Stott disse certa vez que “O amor cristão não é vítima de nossas emoções, mas servo de nossa vontade.”

Todas as vezes que observamos o amor mediante as nossas emoções, nossa visão quanto a ele será turva e opaca, mas se submetermos ele ao serviço, a uma ordem; amaremos e assim também seremos amados.


Em oração,
Paulo Henrique Rocha.

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