sábado, 18 de julho de 2015

O culto a Deus

Recentemente enquanto lia Jürguen Rolloff (A igreja no Novo Testamento), deparei-me com uma colocação que muito me chamou atenção. Segundo o autor: “É ariscado ocupar-se teologicamente com a igreja nos dias atuais. Quem o fizer é suspeito de desviar-se das questões centrais da vida e da sobrevivência da fé cristã na sociedade moderna, que estão na ordem do dia, e refugiar-se num tema que perdeu sua atualidade. Talvez até mesmo seja encarado como alguém que em vão está tentando esgotar a água que penetra por todos os lados no barco carcomido e avariado, em vez de fazer a única coisa sensata: pôr-se a salvo em terra firme e deixar o barco afundar”.
Atualmente estamos atravessando uma crise preocupante nas igrejas.
Tenho pensado, por que é que não tenho me sinto à vontade na casa do Pai? Lugar onde deveria ser o refúgio, a abóbada da minha alma, refrigério após um dia de luta.

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” – Começo a perguntar-me, o que aconteceu com essa alegria? Ela se foi, como muitas outras coisas que se esvaiu da igreja?

Cultuar a Deus de forma pessoal, livre e espontânea é um desafio. Muitas vezes de forma imposta, sou obrigado a ficar de pé toda vez que um “ungido” do Senhor vai cantar, e se não levanto, não faço parte daqueles que vai morar no céu. Se durante a ministração não fecho os olhos e não faço cara de quebrantamento – unção do beicinho, é porque sou frígido a presença do Altíssimo. Se durante a pregação, não realizo todos os movimentos da ginástica gospel (vira para o irmão..., levanta a mão (e tem que ser à direita?), pula, chuta, grita, pisa – cansei), é porque estou enferrujado, e Deus não usa ferramenta desta forma. Alguns “teólogos” de plantão, dizem que tudo isso é alegria do Senhor, liberdade no Espírito... (estão precisando contextualizar melhor os isolados versículos que citam).
Sem contar com os olhares praguejadores e furiosos comentários dos “santos” em relação aos pobres anátemas que não seguiram a liturgia do culto conforme foi ordenada.
Estou realmente entojado de tamanha deturpação da Casa de Deus, uma verdadeira balbúrdia o que está acontecendo. O que deveria ser cristocêntrico, está mais para uma cristofobia, algo longe, bem longe do que a Bíblia diz.
Talvez essa seja a explicação de muitos corações estarem afligidos dentro do templo; a chama da alegria ainda existe nesses sufocados corações, o que ultimamente está difícil de ver é a Casa do Senhor. Habitação da sua Glória!
O que fazer então, pular do barco?
O sensato aqui é voltarmos para a Palavra e observarmos o que é o culto segundo Deus.
Existe algo que chamamos como “Princípio regulador do Culto”, conforme ensinado por Calvino e, posteriormente, fixado pela Confissão de Fé de Westminster, pode ser conceituado como o preceito que reserva exclusivamente a Deus a liberdade e poder para determinar o modo como o seu culto deve ser realizado, sendo tais determinações reveladas de forma clara, detalhada e específica na Bíblia.
O que podemos observar, segundo bem expressa o Rev. Augustus Nicodemus é que o culto a Deus exige:
I – Devoção verdadeira e sinceridade de coração;
II – Fidelidade na pregação da Palavra;
III – Vida pessoal e moral reta;
IV – Obediência;
V – Temor ao seu nome.
     Assim o que se deve pensar quanto ao culto não é se isso ou aquilo é errado... e sim onde está ORDENADO tal ato estar presente ou fazer parte do culto.
       Quando assim agimos, Cristo é entronizado, Deus adorado, o Espírito Santo reverenciado... e a alegria retorna de forma plena ao culto... AO SENHOR.

Em oração,
Paulo Henrique Rocha. 

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