Você já abriu um pacotinho de paçoca? Por certo, assim com aconteceu comigo, abriu-o correndo, ansioso e louco para devorar a paçoca. Você reparou que quando se abre apressadamente uma paçoca, ela se desmancha e se esfarela. Não perde o sabor, mas perde a perfeição. Mas, quando você abre o pacotinho aos poucos, com cuidado, ela permanece inteira, perfeitinha.
É isto o que acontece com as bênçãos e as promessas de Deus na nossa vida. Você até pode apressar-se em abrir o pacote, mas, por certo, não terá a mesma perfeição do que se esperasse o tempo certo determinado por Ele.
No entanto, esperar é uma arte, e essa arte se chama paciência. Como é difícil falar de paciência na geração Fast-food que vivemos; pessoas imediatistas e excessivamente apressadas. O turbilhão de afazeres do dia-a-dia tem moldado e exigido de nossa geração ser sempre elétrica, rápida, lépida. O filósofo Emmanuel Kant disse algo interessante sobre esta arte: “A paciência é a fortaleza do débil e a impaciência, a debilidade do forte”. E tudo isso tem dificultado para muitos o ouvirem calmo e suave da voz de Deus. Na noite da crucificação, ao sentar com os apóstolos, Jesus de forma tranqüila e sem nenhuma preocupação e muito menos pressa, participou da ceia com os seus discípulos e antes de partir para a mais dura noite, sabendo o que lhe esperava pela sua onisciência, cantou um hino e depois partiu – “E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras”. (Mt 26.30).
Que tamanha lição. Quantas vezes por pequena intempérie perdemos o controle e agimos de forma rude e grosseira. O Mestre naquela noite tinha muito “trabalho” para fazer, estava realmente abarrotado de tarefa – tinha que levar TODAS as dores, TODOS os pecados, TODA decepção, frustração, fracasso, magoa e distribuir TODA graça e salvação a humanidade e como se não bastasse teria que enfrentar o abandono dos seus apóstolos durante a vigília – “E voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste velar comigo?”. (Mt 26.40), e ainda a traição de um amigo – “E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi. E beijou-o. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.” (Mt 26.49-50). E como se não bastasse, alem de todo o sofrimento (físico e espiritual) teve que ainda ver a traição de Pedro... e depois a cruz. É realmente a sua “agenda” estava lotada. Mas quem foi que disse que Jesus apressou, correu, desesperou? Sabendo de todas essas coisas, Ele resolveu cantar... Adorar ao pai.
Talvez esteja se perguntando neste momento: - O que ganho com esperar? Passar por provações e aflições?
PRIMEIRO - Deus permite a aflição para o crente fiel porque existe um propósito proveitoso com o fito de glorificar a Deus e exaltar o Nome de Jesus. O Salmista disse: "Foi-me bom ter sido afligido para que aprendesse os teus Estatutos...”. (Sl 19.71). Outra vez disse: "Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a Tua Palavra..." (Sl 119:67).
SEGUNDO - Deus vê a aflição do justo, foi isso o que Davi afirmou no Sl 31.7 - "Eu me alegrarei e me regozijarei na Tua benignidade, pois, consideraste a minha aflição, conhecestes a minha alma nas angustias...”.
TERCEIRO - Tudo contribui para o bem do servo fiel. Em Romanos 8.28, está escrito: "Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto...”. Confiando nessa verdade Bíblica, o crente não pode e nem deve se desesperar.
QUARTO – “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. Sl 46.1
QUINTO - Em tudo devemos dar graças. Na bonança é muito fácil, difícil é dar graças quando enfrentamos uma enfermidade cruel, quando sofremos as calúnias, diante dos momentos de perseguição, de difamação, de decepção. A Bíblia, todavia exorta-nos: "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus para convosco..." I Tes 5.18.
SEXTO- A oração é o caminho para a vitória. Não é fácil orar. Manter comunhão . Acontece que não existe outra solução para que o crente tenha forças de enfrentar as adversidades, senão, orar, orar, orar... Jesus nos ensinou assim: "Tendo-se levantado alta madrugada, saiu e foi para um lugar deserto e ali, orava..." Mc 1.35.
“A paciência faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio não te poderá afectar. De modo semelhante, a paciência deve crescer em relação às grandes ofensas; tais injúrias não poderão afetar a tua mente.” (Leonardo da Vinci).
Cante, ore e principalmente peça a Deus paciência.
Em oração,
Paulo Henrique.












