terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Controle

É impressionante a repetição das ações em dezembro, principalmente nos seus últimos cinco dias.
A finalização anual não é marcada apenas por festas e presentes, presépios e luzes, mas também por certa euforia em projetar, marcar, fazer, realizar.
Já notou que o ano inicia assim recheado de ansiedade. Li certa vez uma lista que tinha por titulo: “Conselhos para 2005” e seu primeiro conselho era: “Não assuma compromissos do tipo "vou iniciar uma dieta", "vou começar alguma atividade física", "vou terminar o curso de inglês". Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros”.
A princípio achei que autor estava mesmo era desiludido com o Ano Novo... Afinal, é claro que devemos projetar, temos que ter foco, preciso romper... Não é assim que vivemos? No entanto, ao deixar um pouco de lado o emocionalismo e pensar de uma forma mais racional, vejo que ele tinha razão.
Vivendo assim, somos bem semelhantes a um relógio, onde seus ponteiros passam sempre pelo mesmo caminho, sua semana é sempre igual, seu mês não muda nunca, entra ano e sai ano e as badaladas são as mesmas.
A grande frustração hoje não é olhar para os meses que passaram e ter a sensação que estava estacionado, na realidade a verdadeira frustração acontece quando na nova lista de fim de ano os itens são quase todos os mesmos do ano passado.
Projetar é necessário, mas não posso pensar que tenho o controle da forma de sua execução. A palavra de Deus fala: “Ao homem pertencem os planos do coração, mas do SENHOR vem à resposta da língua” (Pv 16.1 NVI).
Não quero aqui desanimar ou apagar itens de sua lista ao dizer que neste ano que se inicia nem todos os seus pedidos serão atendidos por Deus, todos serão ouvidos, mas atendidos não.
Deus trabalha muito além do que é visto, palpável, imediato; ele tece no plano de fundo, lapida nosso futuro. Deus diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55.8).
Todo o controle está nas mãos de Deus, um Deus, que o céu é o seu trono e a Terra é o escabelo de seus pés não teria uma visão limitada como a nossa, portanto, sente-se no sofá e deixe o controle nas mãos certas, assista a programação que Ele escolher para sua vida em 2012. Ed René Kivitz disse citando Frankl: “Gosto de Viktor Frankl quando diz que "se a situação é boa, desfrute-a; se a situação é ruim, transforme-a; se a situação não pode ser transformada, transforme-se". Isto é, quando amanhece chovendo, e Deus, em sua perfeita economia, decide não atender meu pedido por sol, eu saio na chuva mesmo. Ultimamente, para falar a verdade, quando amanhece chovendo, eu fico um bom tempo na janela tentando perceber de Deus se o melhor que poderia acontecer não seria a chuva. Já aprendi que não vim ao mundo para fazer pic-nic.”

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Lição para casa

Amar quem nos ama é afeto correspondido, porem, não quer dizer que o afeto será da forma que queremos e nem sempre no momento em que desejamos.
Ao falar sobre o amor, Jesus transmite uma mensagem um tanto quanto complicada de se entender, pois Ele apresenta a “contramão” do pensamento humano...
Sempre que falamos de amor, nossas mentes perscrutam as lembranças da pessoa amada, e logo sua imagem, seus gestos, a música preferida e até mesmo o seu perfume parece exalar no ambiente que estamos...
Daí vem Jesus e solta uma bomba... “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” Mt 5.44.
Como assim? Amar, bendizer, fazer o bem, orar, pelos inimigos?
Que história é essa? Se apanhar ainda tem que oferecer a outra face? Afinal o que vou ganhar com isso?
As nossas duvidas e questionamentos eram as mesmas daquela época.
Para a multidão, Jesus estava descontrolado. Realmente esse homem precisa de um tratamento, de algum especialista em relacionamento para lhe acompanhar de perto, não se ensina a ficar junto, andar, conviver, amar o inimigo.
A idéia era e continua sendo indigesta. Falar para judeus que eles precisavam amar os inimigos realmente era um tapa na face.
Num mundo “condominial” no qual vivemos cada dia mais fechado e isolado, dizer que é necessário amar o odiado é simplesmente absurdo, é impensável.
No entanto, o Mestre do Amor, ensina o remédio para a ferida do rancor, para a chaga do ódio... É simplesmente amar.
Como esta escrito em Dhammapada: "O ódio não cessa com o ódio em tempo algum, o ódio cessa com o amor: esta é a lei eterna”.
Não adianta tampar uma ferida esperando a cura se as suas raízes já chegaram à alma.
O clérigo holandês e professor da Universidade de Harvard, Henri Nouwen, disse certa vez: "Acho difícil conceber uma maneira mais concreta de amar do que a de orar pelos inimigos. Isso conscientiza você do fato de que, aos olhos de Deus, você não é mais, nem menos, digno de ser amado do que qualquer outra pessoa; e cria uma consciência de profunda solidariedade com todos os outros seres humanos. Cria em você uma compaixão que inclui o mundo e lhe provê um coração cada vez mais livre do compulsivo desejo à coerção e à violência. Além do mais, você ficará encantado ao constatar que não pode continuar com raiva das pessoas pelas quais você ora. Você perceberá que está falando diferente com - e sobre - elas, e que realmente está disposto a fazer o bem àqueles que o ofenderam”.
Tente... O máximo que poderá acontecer será um coração curado e feliz.
E se o coração esta feliz então logo descobrirá, pois "O coração alegre aformoseia o rosto..."
Pv 15.13.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

LEI-tura

É triste ver que muitos projetam seus vôos com “assas alheias”, não têm suas próprias convicções, vive uma vida pequena, com uma visão minúscula de mundo.
Um acreditacionismo estúpido e perigoso, onde qualquer coisa dita se torna uma verdade. Programas televisíveis, ditam, guiam, tornam-se os Senhores da verdade.
Uma geração em busca de vôo, alto, longo e promissor, mas que se apóiam em ombros pequenos e não confiáveis. Nunca se busca a fonte, não há pesquisa para saber a origem e a veracidade das “teorias”, “doutrinas” e de tantas palavras “do original”. A sociedade realmente encantou-se com “Ícaro”, mas esquecem que existe o Sol, e este pode por a prova todo esse tolo emaranhado de idéias e concepções.
Nossa pátria amada não é tão amante da leitura, poucos são os que se aventuram na contra mão, a doutora em literatura da PUC de São Paulo, Vera Bastazin diz que o importante, seja na internet ou fora dela, é a formação do leitor. “A questão da leitura é uma questão, eu diria, de segurança nacional. Você quer formar uma grande nação? Você tem de investir em bons leitores. O bom leitor é aquele que vai construir um pensamento próprio. Eu costumo dizer que aquele que constrói um pensamento próprio tem um vôo de autonomia. Isso é uma autonomia de vôo, porque ele sabe pensar sozinho”, defende Vera.
A questão é que comemos tudo que se coloca no prato, de forma rápida, sem perguntar, sem questionar, o negócio é absorver... e repetir, repetir... e inchar e nunca crescer...
Aplicando a idéia da professora Bastazin à igreja, só se tem uma grande igreja se tivermos bons leitores. É triste ver que muitos questionam, ficam tristes e dizem que a igreja é fraca e está passando por um período difícil... Realmente, tenho que concordar com estes, pois a igreja não é o estrutural e sim o pessoal. Um pessoal que não lêem, não estuda, não busca e querem alçar vôos longos em busca do infinito apoiando em idéias que nem sequer sabem de onde saíram se é que um dia deveria ter saído.
Permitam-me recontar-lhes, resumidamente, a conhecida Parábola dos urubus e os pintassilgos: Certa feita, os urubus tomaram o poder na floresta e impuseram seu estilo de vida a todos os animais. Sua culinária, sua moda, sua estética e mesmo suas preferências musicais tornaram-se o padrão e a referência para todos. Os pintassilgos, muito cordatos, esforçavam-se sobremaneira para corresponder às exigências dos urubus. Entretanto, os pobres pintassilgos não conseguiam se acostumar com o cardápio de carniça que deveria substituir sua dieta de frutas, tão pouco conseguiam andar como os urubus, reproduzir-lhe os requebros e os grunhidos que os urubus chamavam de música. Observando os desajeitados pintassilgos, os urubus concluíram sumariamente: “Não adianta. Um pintassilgo sempre será um urubu de segunda categoria”. Esta estória, escrita por Rubem Alves, demonstra muito bem como todos nós procuramos modelos para pautar nosso estilo de vida. E os há de toda espécie. Uns mais para urubus, outros mais para pintassilgos.
Gostaria de lhe apresentar um estilo bíblico a ser seguido como igreja. No texto de Atos 17, o autor deixa transparecer um juízo de valor que apresenta a Igreja em Beréia como sendo mais nobre que a de Tessalônica. Numa leitura atenta, podemos ver como a comunidade de Tessalônica se mostrou invejosa, intolerante, violenta, incapaz de fazer autocrítica, hipócrita, incoerente, manipuladora, corrupta entre outras “qualidades”. Tessalônica era a comunidade da qual teríamos vergonha. Mas, a poucos quilômetros dali, outra igreja entrou para a história, pela escrita de Lucas, recebendo os elogios que toda igreja gostaria de receber para si. Vejamos, então, quais as características que fizeram de Beréia uma igreja mais nobre. Primeiramente, Beréia era uma comunidade aberta, segundo, uma comunidade madura e terceiro uma comunidade missionária, tudo isso devido a um simples fato – eram exímios leitores, questionavam o que estava no prato, não comia sem antes conhecer o alimento.
Afinal, que tipo de Igreja queremos ser? Qual a nossa mais legítima identidade? Quando simplesmente copiamos estranhos modelos, perdemos nossa identidade e passamos a ter vergonha do nosso nome, mas se revitalizarmos nossa tradição à luz da Palavra de Deus, teremos orgulho de sermos o que somos – e, talvez, descubramos, afinal de contas, que não é tão ruim, assim, ser pintassilgo. A conversão, verdadeiramente impressionante para nossos dias, seria a de nossas comunidades serem menos Tessalônica e mais Beréia: Uma comunidade que tem nas Escrituras Sagradas seu mais forte referencial. Uma verdadeira e nobre comunidade hermenêutica: aberta, madura e missionária, como bem relata Luiz Carlos Ramos.

Desejo-te então uma vida de muita leitura...

Em oração e sempre lendo,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um grande fardo

A velocidade dos acontecimentos e suas propagações nos assustam e constantemente somos pegos de surpresa.
E por vivermos em uma sociedade que é “produto do meio”, somos moldados a esse rápido ensino, construindo sonhos que devem ser alcançados “ontem”, pois o “hoje” já é tarde.
E dessa forma pulamos, destruímos, esquecemos, aniquilamos, sufocamos, matamos etapas essências em nossas vidas... E nem sempre, pra ser sincero, muito mais não do que sim, serão as respostas que ouviremos no decorrer da vida para os projetos que EU quero que seja realizado no MEU tempo. E em meio a tamanho turbilhão, correria e atropelos, somos afetados pelo mal do século – a ansiedade.
Embora em muitas passagens da Bíblia tenhamos promessas da fidelidade, da provisão e da proteção de Deus, umas das tarefas mais difíceis dos cristãos, a meu ver, consiste em seguir a ordem expressa nas três palavras "não andeis ansiosos".
Creio que se muitos de nos tivéssemos a oportunidade de conversar com o apostolo Paulo antes de escrever sua carta aos Filipenses, tentaríamos convencer o discípulo de Jesus para não transcrever tais ordenanças que estavam lhe sendo transmitidas através do Espírito Santo.
Na versão NVI, diz: “Não estejais inquietos por coisa alguma” Fp 4:6
Como se já não fosse difícil observar as três primeiras palavras, o apostolo termina a frase: “... por coisa alguma”.
Aqui, não existe um campo de exceções. Não se exclui algumas intempéries, contrariedades, decepções, frustrações, abandono, projeto falhos... não, a Bíblia não nos mostra tal faixa de “acostamento”, não existe a situação de podermos estar ansiosos em relação a um determinado assunto.
O grande problema é que um coração tomado pela ansiedade não agrada, não chama a atenção e muito menos louva a Deus.
Onde existe ansiedade, impera a incerteza. E se no capitulo 11 de Hebreus no seu primeiro versículo diz: Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”, então concluímos que no coração ansioso, não existe fé, logo sabemos que: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” Hb 11.6 (NVI).
Como então proceder? Como seguir se somos tão atribulados pela ansiedade, tomados pela inquietação?
Muitas vezes procedemos como pessoas que usam o elevador, mas não colocam a pesada mala no chão, preferindo segurar todo o peso. Na verdade cremos, mas simplesmente não nos aventuramos a entregar a nossa carga de preocupações Àquele que quer se preocupar conosco, que cuida de nós e nos conclama na Bíblia: Não se preocupem!
Muito alem de nossa pequena ansiedade existe um grande Deus, pai, pai amoroso, que tem cuidado de cada um de nos.

Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29.5). Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!

Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém disse: "Deus participa do funeral de cada pardal". Quanto mais preciosos somos nós do que um pardal (Lc 12.6 e Mt 10.29)?!

Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6.28-30). Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1 Co 9.9-10)!

Jesus Cristo, o Bom Pastor, toma sobre Seus ombros cada ovelha perdida que encontra (Lc 15.3-7) como o sumo sacerdote trazia sobre seus ombros e sobre seu peito os nomes das doze tribos de Israel (Êx 28.6-29). E Jesus é o grande Sumo Sacerdote.

Nossos nomes estão gravados nas Suas mãos. Na cruz Ele nos sustenta plenamente (Is 49.16).

Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10.30 e Sl 56.9). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?

Nenhuma arma forjada contra nós prosperará (Is 54.17); nós somos como a menina do Seu olho (Zc 2.8).

Não submergiremos nos rios e não queimaremos no fogo (Is 43.2).

Em toda a nossa angústia Ele é angustiado (Is 63.9).

Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121.3-4).

Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139.2).

Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (Jo 10.11), e não cuidaria de nós todos os dias?

Ele nos carregará até que tenhamos cabelos brancos e cuida de nós "desde o princípio até ao fim do ano" (Is 46.4 e Dt 11.12).

E em Hebreus 13.5 lemos: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei".

Concluindo, a versão da Bíblia Viva traz uma visão muito interessante de Fp 4.6: “Não se aflijam com nada; ao invés disso, orem a respeito de tudo; contem a Deus as necessidades de vocês, e não se esqueçam de agradecer-Lhe suas respostas".

Faça assim, viva desta maneira e será um grande vencedor... Destruindo por vês a ansiedade.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sem proteção, será?

Uma das situações mais conflitantes é quando não entendemos, mas precisamos aceitar. Infalivelmente, mas cedo ou mais tarde, todos nos passamos por este caminho.
Não foi diferente com os apóstolos, Marcos nos conta no capitulo seis, que Jesus após alimentar uma grande multidão ordenou que seus discípulos subissem em um barco e atravessasse para o outro lado, no entanto, Ele não entrou, ficou a margem para se despedir da turba que o cercava.
Essa ordem soa com muita estranheza aos apóstolos, afinal era um grupo, eram os doze e seu mestre, o líder e os liderados, e agora essa separação? Qual era a intenção de Jesus, porque daquele pedido... Afinal o guia era Ele, Ele é o caminho, o único. Doze num pequeno barco e Jesus sozinho em terra firme? Qual é a real lição que o Senhor estava transmitido aos seus discípulos.
Como dito, essa era à hora do conflito, sem entender, sem conhecer a intenção, sem saber o por que... Mas obedeceram.
A vida é cercada de conflitos para todos, o que nos torna então diferentes uns dos outros? É a atitude que tomamos em meio à “tempestade”.
O dia começa a declinar e os apóstolos ainda não atingiram a outra margem, a visão já não é nítida tal como quando o sol irradia a pino. Por ser o Mar da Galiléia cercado de montanhas, tal geografia proporciona uma vazão acentuada de vento sobre aquelas águas, produzindo assim grandes marés, diz a Bíblia, que o vento soprava contra aquela pequena embarcação. Segundo Adolf Pohl, o versículo explica, com uma observação posterior típica, que um vento forte os empurrara para o sul. Deste modo o quadro da separação se intensifica.
Estavam ficando cada vez mais longe do Mestre, do “caminho”. O homem (apóstolos) longe de Jesus (Deus), o conflito se intensifica... - O que é que estamos fazendo aqui, em meio a essa tempestade sozinhos? Afinal onde Ele está? Cadê o nosso refúgio, a nossa fortaleza, o socorro bem presente?
A grande lição a ser ensinada aqui é que independente da distância; se é em terra firme ou em mar revolto; se é grande ou pequena a embarcação; se “aparentemente” existe uma ausência ou não... O certo é que os seus olhos SEMPRE nós vêem.
“E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante”. Mc 6.48.
A aparente ausência nos ensina que sempre podemos confiar no Senhor, por mais que os nossos olhos insistem em não vê-LO, Ele sempre esta por perto e se APROXIMA.

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. I Pe 5.7.

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

( ... )

“Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos”. (Sl 143.5).

Ao contrário da amnésia em que há perda de uma capacidade, o esquecimento é uma falha na retenção ou na evocação dos dados da memória. Trata-se de fenômeno muito comum que, em maior ou menor grau, ocorre com qualquer pessoa.
A tendência de esquecermos situações corriqueiras parece ser mais comum, por exemplo, o almoço de cinco dias atrás. Por ser a alimentação um habito diário, mecanizamos a ação da alimentação e raras vezes observamos e guardamos na mente as refeições, exceto uma alimentação em uma ocasião especial, no entanto, esta só é lembrada pelo evento, e não por sua importância, cor ou sabor.
Por ser o nosso Deus, um pai amoroso, bondoso e preocupado com os seus filhos, TODOS os dias são nos oferecidos diversos “cardápios”.
As obras de suas mãos podem ser vista a todo instante do nosso dia. Seja na coloração do céu, no canto de um pássaro, no enfeitar da noite tranqüila ou até mesmo na agitação do nosso trabalho ou em meio ao caótico trânsito. Suas obras sempre estão presentes – livrando, cuidado, zelando, curando, amando...
Mas o Salmo 143 nos mostra mais... Toda essa obra é continua, não é fragmentada, não vem em “conta gotas”, mas é abundante, é seqüencial – “Lembro-me dos dias antigos...” Não é de hoje que o Senhor tem cuidado de você, de mim, de nós. Diz a Palavra de Deus: “Os teus olhos viram o meu embrião” (Sl 139.16 NVI). Realmente, estamos cercados por um Deus que NUNCA se esquece de nós, mesmo quando muitos insistem acreditar na sua inexistência, na sua ausência... Ele sempre continua lá, pertinho, com afago e carinho, com zelo e amor...
Não tenha por habito esquecer-se dos feitos de Deus em tua vida, para que sua capacidade mental não seja destruída pela amnésia mundana.

“Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos!” (Sl 103.2).

Em oração,
Paulo Henrique.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rm 12.9

Segundo William Barclay, o amor deve ser completamente sincero. Não deve haver no amor cristão hipocrisia, simulação ou motivos ocultos. Existe o amor de despensa que dá afeto com um olho posto no ganho que pode proporcionar. Existe o amor egoísta cujo objetivo é obter muito mais do que dá. O amor cristão é um amor liberto do eu. É o vôo puro do coração para com outros.
Quando o apóstolo Paulo nos instrui que o amor deve ser sem falsidade, é um alerta aos “praticantes da arte cênica evangélica” da atualidade. Adolf Pohl define claramente como deve ser o agir cristão: “O cristão deve ter aquele amor que não se orienta pelo que é digno de amor, mas que responde à misericórdia de Deus. É sob esse aspecto que ele rompe com os modelos de comportamento da era presente. Porém o amor pode decair para uma mera encenação cristã. Quando ele é desempenhado unicamente por meio de expressão facial e saudação, uma igreja inteira cai no comportamento inautêntico e mascarado. Visto que isso a alienaria consideravelmente de sua essência, o Novo Testamento exorta incansavelmente para a veracidade do amor. O amor seja sem hipocrisia”.
Agindo de forma pérfida, perdemos:
I – A comunhão com Deus e a oportunidade de conhecê-Lo: Ganho entendimento por meio dos teus preceitos; por isso odeio todo caminho de falsidade. (Sl 119.104 NVI);
II – A presença de Cristo em nossas vidas: Jesus se coloca como “a verdade e a vida” (Jo 14.6). Se há falsidade em nossas vidas, o Senhor da verdade não habita nela, também, não há vida fora da verdade que é Jesus.
III – A obra salvífica do Espírito Santo: Quando o Espírito Santo nos regenera e nos vivifica para a vida espiritual, essa ação resulta no despertamento da alma para a fé salvadora. O fruto dessa fé é a justificação. No momento em que abraçamos a Cristo pela fé, Deus nos declara justos. Somos justos não por nos termos santificado repentinamente; somos justos por­que os méritos de Cristo foram lançados em nossa conta. No entanto, ao sermos púnico, desprezamos toda essa ação e gesto do Espírito de Deus. No livro aos Hebreus 10.15-17 comenta: O Espírito Santo também nos testifica a este respeito. Primeiro ele diz: "Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis em seus corações e as escreverei em suas mentes"; e acrescenta: "Dos seus pecados e iniqüidades não me lembrarei mais". Renegar a Sua obra é dizer não à única oportunidade de salvação existente.
IV – A essência cristã: Passamos a viver um teatro regado a fingimento, gestos irônicos e a sorrisos traiçoeiros, perdendo assim a genuinidade do Evangelho. A Palavra de Deus nos adverte: Tu rejeitas todos os que se desviam dos teus decretos, pois os seus planos enganosos são inúteis. (Sl 119.118 NVI).
V – O amor do próximo: Pois todas as vezes que agimos com hipocrisia estamos sendo traidores para com os nossos pares, criando feridas profundas e que muitas vezes trazem seqüelas irreparáveis, a Bíblia nos mostra isso: Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada (Pv 18.19 NVI)

Fica aqui o conselho do Apóstolo Paulo mais uma vez: Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura. (Hb 10.22 NVI).

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O seu tesouro e o seu coração

“Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração".

Se apenas lermos sem analisar esta afirmação de Cristo, talvez a profundidade desta mensagem não seja alcançada, e continuaremos a ver somente a escrita e não a mensagem inserida em suas sabias palavras.
Segundo David Stern, Faraó compreendeu muito bem que onde estiver sua riqueza, ali também estará seu coração. É por isso que se recusou a deixar os israelitas levarem suas propriedades (Ex 10.8-11 e 24,27).
Nos versículos apresentados do livro do Êxodo, notemos que a grande luta do legislador egípcio não era o fato dos homens serem liberados para ir ao deserto adorar a Deus, e sim de levarem o que para eles eram sua riqueza, no contexto, mulheres, crianças e animais. O líder do Egito sabia que se caso suas mulheres e crianças e seus rebanhos ficassem, o regresso era questão de horas, pois os seus corações haviam ficado no Egito, suas riquezas estavam ali.
Basil F. C. Atkinson diz: “Quando o coração está nos céus, todo o ser se consagra aos interesses de Cristo”. O viver contrário desta afirmativa apresenta um cenário de cobiça e ganância, de apego e destruição, de escravização e morte.
Há lições que podemos apreender e aplicarmos em nossas vidas, ao estudarmos o texto:
1° Tesouro I: Para os hebreus eram suas mulheres, filhos e semoventes, para muitos é o trabalho, o carro, a casa, a religião, os amigos e muitas outras coisas que nos cercam. Ter tesouro não é o problema, o problema é o que é o seu tesouro, pois se ele é corruptível, o seu coração estará ali.
2° Tesouro II: A outra situação é onde esta o seu tesouro, da nação escolhida estava no Egito, depois de muito tempo caminhando pelo deserto, já com suas mulheres, filhos e animais, existia ainda algumas “pepitas” que ficaram na margem no Rio Nilo, e mesmo tendo a providencia de Deus, seus corações ainda sentiam saudade do “ouro de tolo” que deixaram naquela terrra – Nm 11.5-6 – “Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!”. NVI
3° Coração I: Salomão nos aconselha: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida”. (Pv 4.23 NVI). Daí o problema, pois se o tesouro que estamos cultivando nos afasta de Deus, então teremos um coração distante do Pai, e sem nenhuma segurança, sendo alvo fácil de qualquer mazela e ataque deste mundo vil.
4° Coração II: Jesus também nos ensina: “Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ‘impuro’.”. (Mt 15.18 NVI). Lógico, se a fonte esta suja, tudo que brotar dela será impuro. E é aqui que a situação se torna drástica, pois ao contrário de impureza esta a santidade, e o escritor do livro aos Hebreus diz: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor”. (Hb 12.14 NVI).

Que o nosso tesouro seja a cruz, de onde emanou a maior riqueza que o homem pode ter – Ser reconhecido como filho amado, herdeiro da graça e acolhido pelo imensurável amor de Deus que nos garante a salvação eterna.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estou aqui

É surpreendente a narrativa do capitulo seis de Isaias. Talvez um dos textos mais explanados no decorrer da historia da igreja através da pregação expositiva, as palavras parecem saltar da pagina para nossa imaginação, é realmente embevecido o que o texto nos transmite. O profeta inicia o texto traçando um paralelo entre o humano e o sagrado, entre um rei falível e um Senhor que se assenta num alto e sublime trono. O interessante é que os mesmos olhos comtempla as “duas faces”, a visão do profeta é ampla... Apesar de o rei Uzias ser o seu referencial como monarca humano (cresceu vendo-o reinar), seu olhar vai além, consegue contemplar um soberano, acima de todos; o Senhor dos senhores, o Rei dos reis.
Isaias sabe que não se tratava de um rei comum, pois este não estava sujeito a derrotas e fracassos, seu reinado é eterno, seu poder é sem limite, de grandeza incomparável, seus “súditos” eram diferenciados, reverenciavam o seu Rei de forma diferente, exaltavam não a sua riqueza, nem mesmo a extensão do seu reino, muito menos suas conquistas e vitórias, eles exaltavam a sua santidade. Acostumado a viver em um sistema monárquico, Isaias depara com uma situação inusitada... Que rei é esse que seus servos adoram sua santidade?
Paulo Bueno diz que: “Louvamos a Deus pelo que ele faz, mas adoramos a Deus pelo o que Ele é”. Segundo a tradição judaica, a Santidade Divina é, por si, sem necessidade de revelação. Contudo, é dada a perceber — não a conhecer, por inefável — precisamente com a revelação aos homens, perfeitamente por Jesus Cristo, o Emanuel (ou Deus Conosco).
Naquele momento Isaias percebe seu estado de inferioridade, de insignificância, de mediocridade diante do Deus Altíssimo, de sua Santidade Divina: “Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos” (v. 5).
A lembrança do rei Uzias (com r minúsculo – v. 1), já era passada, agora os seus olhos viram o Rei (v. 5).
Interessante como ocorre o processo:
1º Os olhos do profeta contempla dois reis;
2º O primeiro perece, o segundo continua;
3º Com o primeiro foi sepultado a sua glória;
4º Já o segundo, sua santidade é reverenciada pelos seus;
5º Uzias reinou aproximadamente 55 anos;
6º O reinado do Senhor é eterno.
Através de seu reconhecimento como pecador, o profeta messiânico é purificado com uma brasa viva, tocada em seus lábios. Engraçado pensar que o serafim poderia ter tocado em qualquer outra parte do profeta, mas tocou em seus lábios. Salomão disse: “Quando são muitas as palavras o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato” (Pv 10.19). Ratificando o que disse o sábio Salomão, Jesus em Mateus 15.18 fala: “Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ‘impuro” (NVI).
Hoje, muitos almejam ver a gloria de Deus, querem receber o seu toque, sentir sua presença, mas não examina o texto como deveria. Antes é necessário:
1º Ter uma visão sem apego no que é perecível, esquecer “os Uzias” do mundo;
2º Reconhecer o estado de pecador, sem justificativas;
3º Estar pronto para ser tocado, mesmo que com brasa (purificação), por que não dizer renuncia.

"Eis-me aqui. Envia-me a mim!”
A frase é muito mais séria do que bela, muito mais responsabilidade do que vontade, mais oração e dedicação do que entusiasmo.

Mas a pergunta do Senhor continua ecoando: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?”.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Rei, você?

A incompreensão era nítida. Realmente, não é fácil enxergar um rei debaixo de trapos, sujo e ensanguentado. O texto do Evangelho de João no capitulo 18, versículo 37 narra essa cena: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei?...”. O Rei eterno sendo julgado por um subordinado (miseravelmente inferior), o Senhor sendo medido por um terreno, o Justo sentenciado por um injusto, o Santo tendo sua santidade testada por um pecador. O interessante é que ali estava sendo “analisada” toda uma trajetória, uma vida, seus atos e gestos, palavras e olhares; mas em nenhum deles pode se achar algum tipo de conduta errante. No entanto, para a tradição judaica, o simples fato do seu local de nascimento já era uma afronta para se declarar rei. Um imperador sem linhagem, pobre, desconhecido, que salvador é esse?
Cicero disse: "Não importa saber onde nasceste, mas o que tu és". Aqui estava o diferencial daquele homem, compreender que a essência é mais importante do que as demais coisas; compreensão que hoje quase não se vê. Em Fp 2.6, a Nova Versão Internacional traz uma espetacular linguagem abordando essa compreensão divina: “que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se” (NVI). Parece haver um entrave em nossas mentes aqui, “embora sendo Deus...”, não diz que Ele queria ser como Deus, Ele era, e é Deus e continuará sendo por toda eternidade. Difícil entender o seu silencio diante de tal escarnio, se por um segundo um mero mortal, falível homem, tivesse nas mãos o que Ele possuía, com certeza o desfecho da historia teria sido outro; no mínimo começaria um debate, não é sempre assim quando temos razão?
Ouvi certa vez de um amigo pastor que a razão (em sua concepção popular) é a mãe de diversas mazelas sociais. É tendo “razão” que se perde a visão, escurecendo assim o caminho do direito.
Quem ele pensa que é para falar assim comigo? Você sabe com que está falando? Você consegue responder apenas dez questões do questionário que fiz a Jó? Sabia que a tua vida é sustentada por minha vontade? Talvez fosse essa a direção que o diabo tentou mostrar a Jesus naquele momento. O caminho da titularidade (Jesus Cristo – O Salvador), do poder (Senhor dos Exércitos), do nome (EU SOU), da grandeza (Senhor do Universo), do senhorio (Senhor dos Senhores)... Em termo de currículo a lista é eterna.
Mas apesar da zombaria de Pilatos: “Logo tú és rei?”, Jesus demonstra sua essência, um homem constituído de amor e graça... Um amor incomum, incompreensível, inexplicável. Mesmo sabendo que seria trocado algum minuto depois por um assassino, sua atitude é a mesma, seu gesto, olhar, não muda...
É fácil ser amável quando todos nos aplaudem; difícil é amar quando os aplausos viram pedradas.

Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ateu, eu?

Tenho observado ultimamente uma estranha mudança, sutil, mas devastadora no seio da igreja. Durante séculos, o cristianismo, têm sido um dos favoritos temas das discussões filosóficas. Sendo analisado por “deuses” dos pilares do saber, ou por meros mortais iletrados do conhecimento empírico. O certo é que mesmo sendo tão discutido tem si tornado a cada dia menos conhecido. Fala-se muito das coisas a cerca do Deus do cristianismo, mais pouco se conhece sobre Ele. Peritos na retórica do conhecer, eloquentes no falar e desenvoltos no agir, mas fracos e raquíticos no viver. A estranha mudança a que me refiro é essa... Estamo-nos tornando ateus, um ateísmo cristão tem tomado conta de nossas pacatas e sossegadas vidas (talvez esteja ai a fonte deste nascimento). Teólogos e eruditos da Palavra de Deus (os poucos que ainda preocupam), algum tempo começaram a movimentarem e expressam sua repulsa por essa “onda” que insiste crescer, e que muitos desavisados em suas enganosas manobras estão surfando. Todo esse movimento tem causado uma instabilidade na estrutura da igreja, John Stott disse ao ser questionado sobre a igreja atual: “vejo crescimento sem profundidade, muitos quilômetros de extensão, poucos centímetros de profundidade". O veneno do ateísmo cristão é mortífero. O grande problema é que parecesse que existe uma contaminação global, disseminada pelo ar da arrogância e da pouca leitura bíblica. A definição para ateísmo cristão não poderia ser melhor: “um sistema de crenças em que o Deus da cristandade é rejeitado, mas os ensinos de Jesus são seguidos”. Com raríssimas exceções, as religiões concordam que Jesus foi um grande homem, exemplo de líder e determinação, com uma visão ampla de mundo e de um gênio elevadíssimo para o seu tempo. Assim, livros e obras são confeccionados todos os dias tratando sobre o tema... Conhecemos muito sobre Jesus, e quase nada do Deus homem, discutimos muito sobre os seus feitos, mas esquecemos dos efeitos daqueles fatos. Sendo ateísmo a rejeição da divindade, e muitos hoje seguindo apenas o homem Jesus desprezando o Emanuel (Deus conosco), então meu amigo não precisa ir longe para conhecer um ou muito menos espantar ao ver um ateu se declarando, basta olhar no espelho.
Espero que você ainda possa ver a imagem de um cristão e não de um ateu.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aparência

Por mais cautelosos que sejamos constantemente somos tentados a olhar para o “ter”. Tal atitude não é difícil de ser vista num sistema gospelizado que vivemos. Valorizando sempre o possuir e raramente o “ser”, e até os mais experientes e capacitados incorre por vezes em tal erro, o profeta Samuel ao ir à casa de Jessé foi impelido a executar a unção do novo rei por sua própria visão, provocando em Deus uma atitude de reprovação.
A consagração é simplesmente a confirmação de uma chamada que há muito tempo já foi aceita e que esta sendo executada.
Ao olhar com os próprios olhos o homem contempla apenas o exterior, no entanto, a Palavra de Deus, nos orienta guardar o coração, como disse Salomão: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem às fontes da vida” (Pv 4.23).
Ao desprezar tal principio tanto o profeta quanto qualquer mortal, está sujeito a “consagrar” pessoas, coisas, objetos e toda e qualquer coisa que possa ser derramado azeite sobre si. Não era o caso do profeta, mas as ditas “consagrações” atuais não são apenas para confirmar um chamado em exercício, mas sim um sistema de favores na forma do “toma lá, dá cá”, as atitudes de Davi no campo pastoreando as ovelhas de seu pai, já demonstrava o líder que ali existia, sua consagração apenas ratificou o que o jovem ruivo já era.
O Senhor repreendeu Samuel ao olhar para o forte, o belo, o de aparência de rei, e lhe disse: “... porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração”. (I Sm 16.7).
Difícil mesmo é ter esse olhar... “... não vê como vê o homem”, afinal que formato de visão é essa?
1° Um olhar preconceituoso: A palavra em si expressa o seu significado (um pré-conceito), sem conhecer, sem importar com causa ou efeito, vamos logo criando o formato do individuo em nossas mentes;
2° Um olhar critico: No pré-conceito fechamos os olhos para o interior, dai surge a critica, é esta por sua vez é nefasta, pois sempre provoca algum tipo de ruína.
Ao depararmos com Samuel notamos que este ficou encantado com o mais velho. Era alto, formoso e de estatura adequada. Certamente está perante o Senhor o seu ungido - pensou. Mas o Senhor lhe advertiu: "Não atentes para a sua aparência. Deus não vê como o homem vê. Este vê o exterior, eu, o coração". Com estas palavras, estabeleceu um dos mais importantes princípios da verdadeira espiritualidade.
Deus conhece o coração!
Os critérios de avaliação que Deus usa são interiores, não exteriores. Seu olhar atento ao que se passa no íntimo é um convite à pureza de intenções. Diz que devemos preferir a ética à estética; investir em valores morais, emocionais e espirituais. Qual a importância de uma bela roupa, quando há rancor e amargura? Qual a beleza de um rosto, quando há tristeza e desânimo na alma?
Jesus reforçou o princípio da interioridade quando ensinou aos discípulos que tanto o pecado como a santidade nascem do coração. Sendo Deus, conhecia a verdade sobre os que dele se aproximavam. Sondava-lhes os pensamentos e via-lhes por trás das aparências. Percebia suas motivações. E não poucas vezes desafiou os religiosos da época, a quem chamou de sepulcros caiados. Dele foi profetizado que "não tinha aparência, nem formosura", mas "vimos sua glória como do unigênito do Pai".
Davi nem presente estava quando seus irmãos desfilaram para Samuel. Não estava aparente. Mas era conhecido do Senhor. Sua história estava apenas começando: a história de um homem segundo o coração de Deus. História de todos quantos preferem cuidar do coração a zelar pelas aparências.

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Transformai-vos

Como conhecer o que é enganoso?
Como escrutar o que não se consegue ver e/ou entender?
Sabiamente, o profeta Jeremias expressa em seu livro (17.9), ao dizer: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”.
O que me chama atenção neste versículo é o ato comparativo que aqui é exposto – “... mais do que todas as coisas...”.
Jesus em Mt 15.18-19 ensina o que o profeta expressou em seu livro: “Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”
Já não bastasse ser enganoso, Jeremias acrescenta algo mais – ele é perverso (maldoso, rancoroso, cheio de impurezas e destruição), assim é o coração do homem.
Portanto, se a fonte é suja, a água que corre emanada deste lugar só poderia ser poluída, daí, a problemática em que vivemos.
Estudos e pesquisas são realizados dia após dia, em busca de uma harmonia perfeita entre homem/homem, homem/natureza, homem/sociedade; no entanto, é como se fosse uma grande e velha árvore, que a cada outono, suas folhas secam e caem, e todo dia alguém com suas ferramentas apanham as inúmeras folhas, mas que no próximo amanhecer lá estará uma grande quantidade de folhas novamente sendo sopradas pelo vento. O problema aqui não é as folhas, e sim a árvore. Não me entenda mal, não sou nenhum devastador da natureza, mas acredito que no exemplo citado, o sensato para aniquilar as folhas, seria cortar a árvore.
O mesmo acontece na polis, onde os problemas que surgem, não “caem” por acaso, existe uma fonte, um lugar onde essas folhas nascem e seca, tal lugar é o coração.
O sábio Salomão disse: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate”. Pv 15.13.
Realmente ele é a fonte. Um coração sarado jorra alegria e contagia os que dele se aproxima, porem, pode também emanar um fétido odor se este for apodrecido pelas mazelas do mal.
Assim, um ótimo conselho é dado por Paulo ao escrever aos irmãos que estavam em Roma: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Rm 12.2

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Realmente não é fácil. Há momentos que tudo parece estar desmoronando e ruindo ao chão. A fadiga, a incompreensão, os sacrifícios, as perdas, derrotas e frustrações, parecem caminhar lado a lado nestes momentos com o já cansado “lutador”. E esse aglomerado de “males” confronta e expõe o que de mais frágil temos e somos – seres dependentes.
Abraão dependia de um filho para deixar o seu legado, a historia do seu nome – e sem explicação nenhuma Deus resolve pedir ao patriarca para dar um fim e encerrar o seu projeto. Foi o mesmo que pedi-lo para esquecer de seus sonhos, de sua alegria, de sua família, de seu nome, de sua origem, de seu tudo. Já era um velho homem, poucas esperanças, a força de sua juventude já estava esvaindo pelos longos e pesados anos da velhice e quando tudo parece estar resolvido, afinal, Deus lhe havia concedido um herdeiro, agora esse cruel pedido.
No caso do profeta Elias – I Rs 19.1-7, despertou no profeta do fogo o seu medo, a perversa rainha Jezabel envia um mensageiro a Elias para “ler” sua sentença de morte e toda a chama do profeta é apagado pela água do pânico, sua única atitude agora é fugir e esconder.
Tanto em Abraão quanto em Elias, tais histórias nos ensinam muito.
No primeiro caso, a triste jornada do patriarca parecia ter chegado ao fim, ao ser-lhe presenteado por Sara, sua esposa, o filho amado e tão esperado – Isaque, o querido filho da promessa, no entanto, Deus pede ao velho o seu tudo. Talvez o cansado homem poderia ter imaginado que um dia Deus lhe pediria sua fazenda, seu rebanho, quem sabe até os seus servos e pastores, mas pedir o filho? Isso realmente o surpreendeu, ao ponto de não contar nem mesmo a sua querida esposa o que estava acontecendo, quem sabe por medo de não entender o pedido.
Em nossas vidas, existem momentos (como bem expressa um grande amigo de ministério – um estreito de Deus), em nossas vidas que realmente parece não haver explicação. Quando tudo parece estar indo bem, os caminhos mudam e deparamos com situações e renuncias que nunca imaginávamos.
No caso do profeta, tudo o que ele havia feito foi em prol de defender o nome do Deus altíssimo, tudo para defender a obra do Senhor. E da mesma forma, parece acontecer em nossas vidas em determinados ocasiões. “Tudo o que fiz foi para obra, dedicação e apego era o meu lema”, e subitamente, quando menos se espera, chega à sentença. Elias pareceu ter razão para tamanha lamentação, afinal, onde estava o Deus que queimou toda a madeira encharcada de água? Será que não poderia fazer o mesmo com seus inimigos?
Tais fatos parecem saltar para dentro de nossas vidas, bênçãos que há muito tempo pedimos e quando alcançada, vem o pedido para renuncia-la. Momentos que tudo o que fazemos é pra obra de Deus, e sem entender nada, surgem às perseguições e açoites.
Interessante, que apesar de não serem contemporâneos e vivem em lugares diferentes, há uma ligação intensa entre os dois personagens, colocando-os semelhante em atitude. Mesmo sendo pedido o filho ao primeiro personagem e ao segundo sendo decretado sua morte, ambos seguem seus caminhos, o primeiro rumo à terra de Moriá e o segundo deixou seu servo em Berseba e seguiu sozinho para o deserto. Dois homens de Deus, mas que agora tudo o que eles queriam era tirar aquela sufocante angustia de seus corações. Tanto o patriarca quanto o profeta são visitados por Deus, ao primeiro em sua visita é lhe feito um pedido, ao segundo é lhe dado uma informação, mas note que foi necessário nas duas historia existir algo em comum, fazendo com que esses homens se tornassem semelhante em suas atitudes. Estou falando de FÉ.
Abraão acreditou que Deus para si providenciaria o cordeiro para o holocausto.
Elias confiou que não estava sozinho naquela peleja e que ainda existiam sete mil que não haviam dobrado diante Baal.
A diferença na caminha é a Fé. O firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Abraão sai do nível de fazendeiro para entrar na galeria da fé, tornando se o pai da fé.
Elias, um dos maiores profetas, só conseguiu passar pelo deserto, em seus longos e difíceis quarentas dias, pela fé.
Porem, viver por fé não é fácil, existe uma frase de autor desconhecido que diz: “O maior ato de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus”.
E ai passa a realmente conhecer a fé, depender de um Deus que tudo conhece e sonda, e no momento certo, sem atraso, Ele chega.
“Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura”. (Rabindranath Tagore).

Tenha fé.

Em oração,
Paulo Henrique.

Perdeu a graça

Ando já cansado deste espetáculo circense.
Picadeiro e atrapalhadas, e parece que o “time de palhaços” não para de crescer.
Interpretações cada vez mais ridículas (que no passado até provocavam certo relampejo de sorriso ao ver tamanha bizarrice), mas que hoje... cansei.
Inchou-se muito a igreja, dilatando suas fronteiras rumo ao profano, enquanto o verdadeiro crescimento tem se tornado cada vez mais raquítico.
Semana passada enquanto me deslocava para a igreja, observava um “culto” que estava acontecendo em uma das diversas igrejas (a ultima vez que contei eram nove) que existem no meu trajeto casa/igreja, e contemplei um grupo, que aos gritos ou lamento (sei lá o que era aquilo), tentava de todas as formas possíveis atraírem platéia para o seu espetáculo. Observo que a concorrência esta cada dia mais acirrada, e ai é necessário apelar para o sobre-natural (não no sentido de espiritualidade), mas por ser sobre qualquer tipo de ética e moralidade mesmo. É globo de luz, dançarinas, fumaça de gelo seco, chuva de sal, pano e retalho de todo tipo, e por ultimo assisti um esquisito espetáculo onde tinham até anjos de assas com fraldas voando amarrados por cordas dentro da igreja (só não entendi o porquê das assas, visto que necessitavam de cordas para “voarem” e a estranha vestimenta celestial) – vale tudo para encher a casa.
Perdeu a graça, os palhaços já não me fazem rir com suas piadinhas e interpretações milaborantes. O momento é agradar qualquer que seja a classe da platéia, independente que se para isso necessite deturpar a Palavra de Deus, e daí? Afinal de contas o que vale um livrinho mesmo? É melhor ter uma casa cheia todos os dias em seus espetáculos do que seguir umas regrinhas arcaicas que ferem a sociedade contemporânea e continua com o circo vazio.
Apesar de não protestar fé cristã, Rui Barbosa com uma visão ampla da sociedade de sua época, proferiu palavras que se enquadram perfeitamente em nosso cenário atual:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo, a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade [...] promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas”.
Graça hoje, só a de Deus!!!
Maravilhosa Graça. E só essa.

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Por um fio

Existem pessoas que são viciadas em viver uma vida repleta de situações perigosas e grande dosagem de adrenalina no sangue. O gosto pelo perigo constante.
Alguns dizem que o sabor é diferente mediante a proibição e o perigo, o “tempero” fica mais nítido e tudo passa a ser bem mais saboroso.
Em uma batalha, onde a desvantagem numérica é nítida, o pequeno grupo de guerreiros, ao final vitorioso daquela peleja não conseguem conterem-se mediante ao risco corrido, o perigo constante.
Os amantes de esportes radicais entendem bem o que é viver uma vida em alto risco, em suas manobras, saltos, escaladas, mergulhos, e demais ações, sabem que qualquer vacilo pode custar o que de mais precioso possuem – suas vidas.
E sabedores da existência da possibilidade de erro, treinam, executam, planejam, repete, checam os equipamentos, fazem adaptações e todo um planejamento é estudado com antecedência; e aqueles que são sensatos, se por alguma alteração climática, logística ou qualquer que seja o motivo que empeça a execução total do planejado – tudo é suspenso de imediato.
Mas isso é no campo dos esportes radicais que estamos falando. Quando o assunto não é dentro deste cenário, as coisas mudam e mudam muito.
Toda a prevenção e esquecida, a checagem raramente ou nunca é feita. Planejamento? Que bicho é esse?
Falou da “quadra” chamada casamento, da “montanha” que é a vida com Deus, do “salto” que nunca realizamos com os filhos... dos “esportes” que abandonamos com muita facilidade, para exercitarmos em “academias” passageiras de nossas vidas.
Poderíamos estender o artigo com inúmeras metáforas, mas creio que o leitor já entendeu do que estamos falando - do seu mais precioso bem.
Casamentos esquecidos na “dispensa” de nossas vidas, pais que não conseguem beijar seus filhos e quando fazem, provocam espanto nos rostinhos que raramente são tocados.
Vive uma vida de constante perigo, a qualquer momento todo o “equipamento” pode ruir, e o penhasco é certeiramente mortal.
Honra e obediência, ferramentas essenciais para qualquer tipo de escalada, mas que foram esquecidas na empoeirada “mesinha de centro” da adolescência.
A comunhão familiar de muitos já enferrujou, e hoje tal equipamento já desgastou muito devido o constante atrito.
No entanto, existe um Deus disposto a oferecer um lugar seguro e de alto refrigério, um lugar de cura e limpeza – um centro de instrução. Onde o dialogo entre pais e filhos é verdadeiramente ensinado, lugar onde existe um orífero perito em restaurar ranhuras e restauração de alianças danificadas e quebradas, o melhor instrutor de qualquer movimento, pois ele é o Senhor do mover. Estou lhe falando do Centro de Instrução chamado a Cruz de Cristo, de onde emana vida e vida com abundância. Porem é necessário que hoje exista um querer de sua parte, assim como o diretor deste mesmo Instituto propôs no passado, aos Israelitas, Ele lhe propõem hoje:

“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”.
Dt 30.19

O Senhor Jesus Cristo tem uma vida verdadeiramente segura para você, tua família e todos os seus projetos. Escolha a vida e viva – Jesus Cristo a verdadeira fonte de vida eterna.

Em oração,
Paulo Henrique.
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