É triste ver que muitos projetam seus vôos com “assas alheias”, não têm suas próprias convicções, vive uma vida pequena, com uma visão minúscula de mundo.
Um acreditacionismo estúpido e perigoso, onde qualquer coisa dita se torna uma verdade. Programas televisíveis, ditam, guiam, tornam-se os Senhores da verdade.
Uma geração em busca de vôo, alto, longo e promissor, mas que se apóiam em ombros pequenos e não confiáveis. Nunca se busca a fonte, não há pesquisa para saber a origem e a veracidade das “teorias”, “doutrinas” e de tantas palavras “do original”. A sociedade realmente encantou-se com “Ícaro”, mas esquecem que existe o Sol, e este pode por a prova todo esse tolo emaranhado de idéias e concepções.
Nossa pátria amada não é tão amante da leitura, poucos são os que se aventuram na contra mão, a doutora em literatura da PUC de São Paulo, Vera Bastazin diz que o importante, seja na internet ou fora dela, é a formação do leitor. “A questão da leitura é uma questão, eu diria, de segurança nacional. Você quer formar uma grande nação? Você tem de investir em bons leitores. O bom leitor é aquele que vai construir um pensamento próprio. Eu costumo dizer que aquele que constrói um pensamento próprio tem um vôo de autonomia. Isso é uma autonomia de vôo, porque ele sabe pensar sozinho”, defende Vera.
A questão é que comemos tudo que se coloca no prato, de forma rápida, sem perguntar, sem questionar, o negócio é absorver... e repetir, repetir... e inchar e nunca crescer...
Aplicando a idéia da professora Bastazin à igreja, só se tem uma grande igreja se tivermos bons leitores. É triste ver que muitos questionam, ficam tristes e dizem que a igreja é fraca e está passando por um período difícil... Realmente, tenho que concordar com estes, pois a igreja não é o estrutural e sim o pessoal. Um pessoal que não lêem, não estuda, não busca e querem alçar vôos longos em busca do infinito apoiando em idéias que nem sequer sabem de onde saíram se é que um dia deveria ter saído.
Permitam-me recontar-lhes, resumidamente, a conhecida Parábola dos urubus e os pintassilgos: Certa feita, os urubus tomaram o poder na floresta e impuseram seu estilo de vida a todos os animais. Sua culinária, sua moda, sua estética e mesmo suas preferências musicais tornaram-se o padrão e a referência para todos. Os pintassilgos, muito cordatos, esforçavam-se sobremaneira para corresponder às exigências dos urubus. Entretanto, os pobres pintassilgos não conseguiam se acostumar com o cardápio de carniça que deveria substituir sua dieta de frutas, tão pouco conseguiam andar como os urubus, reproduzir-lhe os requebros e os grunhidos que os urubus chamavam de música. Observando os desajeitados pintassilgos, os urubus concluíram sumariamente: “Não adianta. Um pintassilgo sempre será um urubu de segunda categoria”. Esta estória, escrita por Rubem Alves, demonstra muito bem como todos nós procuramos modelos para pautar nosso estilo de vida. E os há de toda espécie. Uns mais para urubus, outros mais para pintassilgos.
Gostaria de lhe apresentar um estilo bíblico a ser seguido como igreja. No texto de Atos 17, o autor deixa transparecer um juízo de valor que apresenta a Igreja em Beréia como sendo mais nobre que a de Tessalônica. Numa leitura atenta, podemos ver como a comunidade de Tessalônica se mostrou invejosa, intolerante, violenta, incapaz de fazer autocrítica, hipócrita, incoerente, manipuladora, corrupta entre outras “qualidades”. Tessalônica era a comunidade da qual teríamos vergonha. Mas, a poucos quilômetros dali, outra igreja entrou para a história, pela escrita de Lucas, recebendo os elogios que toda igreja gostaria de receber para si. Vejamos, então, quais as características que fizeram de Beréia uma igreja mais nobre. Primeiramente, Beréia era uma comunidade aberta, segundo, uma comunidade madura e terceiro uma comunidade missionária, tudo isso devido a um simples fato – eram exímios leitores, questionavam o que estava no prato, não comia sem antes conhecer o alimento.
Afinal, que tipo de Igreja queremos ser? Qual a nossa mais legítima identidade? Quando simplesmente copiamos estranhos modelos, perdemos nossa identidade e passamos a ter vergonha do nosso nome, mas se revitalizarmos nossa tradição à luz da Palavra de Deus, teremos orgulho de sermos o que somos – e, talvez, descubramos, afinal de contas, que não é tão ruim, assim, ser pintassilgo. A conversão, verdadeiramente impressionante para nossos dias, seria a de nossas comunidades serem menos Tessalônica e mais Beréia: Uma comunidade que tem nas Escrituras Sagradas seu mais forte referencial. Uma verdadeira e nobre comunidade hermenêutica: aberta, madura e missionária, como bem relata Luiz Carlos Ramos.
Desejo-te então uma vida de muita leitura...
Em oração e sempre lendo,
Paulo Henrique.

Infelizmente o povo brasileiro, em sua maioria, não gosta de ler. Muitos culpam a Educação, que deveria ser melhor abordada e investida pelo Estado. Entretanto, não devemos culpar o Estado por algo que deveria partir de nós. O máximo que ele pode fazer é fornecer os recursos; nós devemos usá-lo de maneira que, possamos desenvolver senso crítico, algo que a grande maioria padece. Se formos levar para a Palavra de Deus, ficamos escandalizados, o quanto o povo evangélico desconhece as escrituras, sendo levados pelo "vento impetuoso" das falsas doutrinas e heresias.
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