Ando já cansado deste espetáculo circense.
Picadeiro e atrapalhadas, e parece que o “time de palhaços” não para de crescer.
Interpretações cada vez mais ridículas (que no passado até provocavam certo relampejo de sorriso ao ver tamanha bizarrice), mas que hoje... cansei.
Inchou-se muito a igreja, dilatando suas fronteiras rumo ao profano, enquanto o verdadeiro crescimento tem se tornado cada vez mais raquítico.
Semana passada enquanto me deslocava para a igreja, observava um “culto” que estava acontecendo em uma das diversas igrejas (a ultima vez que contei eram nove) que existem no meu trajeto casa/igreja, e contemplei um grupo, que aos gritos ou lamento (sei lá o que era aquilo), tentava de todas as formas possíveis atraírem platéia para o seu espetáculo. Observo que a concorrência esta cada dia mais acirrada, e ai é necessário apelar para o sobre-natural (não no sentido de espiritualidade), mas por ser sobre qualquer tipo de ética e moralidade mesmo. É globo de luz, dançarinas, fumaça de gelo seco, chuva de sal, pano e retalho de todo tipo, e por ultimo assisti um esquisito espetáculo onde tinham até anjos de assas com fraldas voando amarrados por cordas dentro da igreja (só não entendi o porquê das assas, visto que necessitavam de cordas para “voarem” e a estranha vestimenta celestial) – vale tudo para encher a casa.
Perdeu a graça, os palhaços já não me fazem rir com suas piadinhas e interpretações milaborantes. O momento é agradar qualquer que seja a classe da platéia, independente que se para isso necessite deturpar a Palavra de Deus, e daí? Afinal de contas o que vale um livrinho mesmo? É melhor ter uma casa cheia todos os dias em seus espetáculos do que seguir umas regrinhas arcaicas que ferem a sociedade contemporânea e continua com o circo vazio.
Apesar de não protestar fé cristã, Rui Barbosa com uma visão ampla da sociedade de sua época, proferiu palavras que se enquadram perfeitamente em nosso cenário atual:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo, a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade [...] promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas”.
Graça hoje, só a de Deus!!!
Maravilhosa Graça. E só essa.
Em oração,
Paulo Henrique.

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