sábado, 26 de fevereiro de 2011

A difícil arte de esperar

Você já abriu um pacotinho de paçoca? Por certo, assim com aconteceu comigo, abriu-o correndo, ansioso e louco para devorar a paçoca. Você reparou que quando se abre apressadamente uma paçoca, ela se desmancha e se esfarela. Não perde o sabor, mas perde a perfeição. Mas, quando você abre o pacotinho aos poucos, com cuidado, ela permanece inteira, perfeitinha.
É isto o que acontece com as bênçãos e as promessas de Deus na nossa vida. Você até pode apressar-se em abrir o pacote, mas, por certo, não terá a mesma perfeição do que se esperasse o tempo certo determinado por Ele.
No entanto, esperar é uma arte, e essa arte se chama paciência. Como é difícil falar de paciência na geração Fast-food que vivemos; pessoas imediatistas e excessivamente apressadas. O turbilhão de afazeres do dia-a-dia tem moldado e exigido de nossa geração ser sempre elétrica, rápida, lépida. O filósofo Emmanuel Kant disse algo interessante sobre esta arte: “A paciência é a fortaleza do débil e a impaciência, a debilidade do forte”. E tudo isso tem dificultado para muitos o ouvirem calmo e suave da voz de Deus. Na noite da crucificação, ao sentar com os apóstolos, Jesus de forma tranqüila e sem nenhuma preocupação e muito menos pressa, participou da ceia com os seus discípulos e antes de partir para a mais dura noite, sabendo o que lhe esperava pela sua onisciência, cantou um hino e depois partiu – “E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras”. (Mt 26.30).
Que tamanha lição. Quantas vezes por pequena intempérie perdemos o controle e agimos de forma rude e grosseira. O Mestre naquela noite tinha muito “trabalho” para fazer, estava realmente abarrotado de tarefa – tinha que levar TODAS as dores, TODOS os pecados, TODA decepção, frustração, fracasso, magoa e distribuir TODA graça e salvação a humanidade e como se não bastasse teria que enfrentar o abandono dos seus apóstolos durante a vigília – “E voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste velar comigo?”. (Mt 26.40), e ainda a traição de um amigo – “E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi. E beijou-o. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.” (Mt 26.49-50). E como se não bastasse, alem de todo o sofrimento (físico e espiritual) teve que ainda ver a traição de Pedro... e depois a cruz. É realmente a sua “agenda” estava lotada. Mas quem foi que disse que Jesus apressou, correu, desesperou? Sabendo de todas essas coisas, Ele resolveu cantar... Adorar ao pai.
Talvez esteja se perguntando neste momento: - O que ganho com esperar? Passar por provações e aflições?
PRIMEIRO - Deus permite a aflição para o crente fiel porque existe um propósito proveitoso com o fito de glorificar a Deus e exaltar o Nome de Jesus. O Salmista disse: "Foi-me bom ter sido afligido para que aprendesse os teus Estatutos...”. (Sl 19.71). Outra vez disse: "Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a Tua Palavra..." (Sl 119:67).
SEGUNDO - Deus vê a aflição do justo, foi isso o que Davi afirmou no Sl 31.7 - "Eu me alegrarei e me regozijarei na Tua benignidade, pois, consideraste a minha aflição, conhecestes a minha alma nas angustias...”.
TERCEIRO - Tudo contribui para o bem do servo fiel. Em Romanos 8.28, está escrito: "Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto...”. Confiando nessa verdade Bíblica, o crente não pode e nem deve se desesperar.
QUARTO – “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. Sl 46.1
QUINTO - Em tudo devemos dar graças. Na bonança é muito fácil, difícil é dar graças quando enfrentamos uma enfermidade cruel, quando sofremos as calúnias, diante dos momentos de perseguição, de difamação, de decepção. A Bíblia, todavia exorta-nos: "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus para convosco..." I Tes 5.18.
SEXTO- A oração é o caminho para a vitória. Não é fácil orar. Manter comunhão . Acontece que não existe outra solução para que o crente tenha forças de enfrentar as adversidades, senão, orar, orar, orar... Jesus nos ensinou assim: "Tendo-se levantado alta madrugada, saiu e foi para um lugar deserto e ali, orava..." Mc 1.35.

“A paciência faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio não te poderá afectar. De modo semelhante, a paciência deve crescer em relação às grandes ofensas; tais injúrias não poderão afetar a tua mente.” (Leonardo da Vinci).

Cante, ore e principalmente peça a Deus paciência.

Em oração,
Paulo Henrique.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Manipanço Evangélico


Aprendemos que devemos orar a Deus e agradecer quando a nossa oração for atendida, e só quando for atendida, ou seja, quando conseguimos “dobrar” a vontade de Deus e ele nos respondeu atendendo à nossa vontade.
A Bíblia fala sobre o príncipe deste século,  terrivelmente é o indivíduo, pois este é o grande deus neste século. O que vale é a sua vontade, seus sentimentos, suas intuições, sua interpretação da realidade, seu desejo e seu projeto de vida. Se alguma coisa não estiver dando certo em sua vida e seu projeto histórico, algo necessita ser feito e vale tudo, começando, por exemplo, pela múltipla pertença, em que a pessoa deixa de ser fiel exclusivo de um determinado “deus”, igreja ou denominação e passa a buscar “recursos” em outras crenças e religiões – o importante aqui não é a sua convicção teológica ou fidelidade a uma “etiqueta” religiosa, mas se funciona ou não. É um tipo de religiosidade narcisista voltada somente para o indivíduo e seus interesses pessoais – Deus não conta, a não ser se ele pode dar um “jeitinho” no seu projeto pessoal.
Um exemplo muito comum é que desde cedo aprendemos que devemos orar a Deus e agradecer quando a nossa oração for atendida, isto é, quando conseguimos “dobrar” a vontade de Deus e ele nos respondeu atendendo à nossa vontade. Se ele não respondeu, talvez seja porque você ainda não conseguiu atingir o elevado patamar das exigências divinas e deve continuar insistindo na negociação com ele. Onde encontrar base bíblica para esse tipo de religiosidade mercantilista e narcisista? Não existe. O que existe é o ensino de Paulo (Fp 4.6-7) indicando que não devemos ficar ansiosos por nada, mas em tudo nossas orações devem ser conhecidas por Deus por meio de súplica, isto é, um recurso que se deve utilizar quando não existe mais saída, acompanhada de ações de graças, isto é, suplicar e agradecer em seguida. Mas, e se Deus não responder conforme a minha vontade? É sinal que a minha vontade não é coincidente com a de Deus e ponto final.
Em vez disso é possível observar diversas “estratégias” para conquistar o transcendente e dobrar a sua benevolência em favor da pessoa. Entre alguns exemplos temos o vale do sal, arruda santa (talvez tenha sido “benzida” com óleo sagrado), copo d´água em cima da televisão, perfume para “encantar” o amor perdido ou o ainda não encontrado, que é entregue no culto que promove uma espécie de terapia do amor ou até mesmo livreto que vai trazer prosperidade se você seguir os rituais que ali estão alistados. Tem havido até “procissão” evangélica marchando para Jesus.
O altar de Deus onde depositaremos nossa vontade incondicionalmente é substituído pela vontade humana que deve ser seguida a qualquer custo. A graça de Cristo é substituída pela transformação do evangelho em mercadoria e bem simbólico de consumo que deve ser negociado com Deus por meio de despachantes-pastores que conhecem bem como fazer mandinga para dobrar a vontade lá do alto, como bem expressa o Pr Lourenço Stelio Rega.

Soli Deo Gloria!!!

Em oração,
Paulo Henrique.

A industrialização da prece

Assim como no Tibet, onde cada família é obrigada a consagrar à religião ao menos um de seus filhos varões, o que torna inacreditável a proporção de monges no país. Um mosteiro, nas proximidades de Lhasa, tem seis mil. O Brasil com sua familiocracia e apadrinhagem, tem também produzido uma imensidão de “lideres” que em sua grande maioria não possuem um feixe de luz se quer na refulgente e grandiosa chamada ao pastoreio. Degradante é o apego ao “ministério” que muitos têm; um apego monetário, de poderio e glória, de forma alguma aceita que outros tomem o seu santo lugar, e quando já idosos, em findando as suas “carreiras de sucesso”, dão um jeitinho e empossam os seus filhos.
Neste contexto então, vivemos a era dos netos de deus (já está se tornando hábito aparecer com d minúsculo). Não questiono aqueles que seguem os passos de um pai compromissado e realmente dedicado ao ministério. Repudio é essa mania de consagração titular. Título e apenas isso, credenciais que engordam as convenções, como se fosse pecado de morte não consagrar o grandalhão.
E por muitos empurrarem a “chamada” com a barriga, a igreja passa hoje por uma verdadeira desvolucão, retrógrada e declinada, comandada pelos netos, apadrinhados e indicados que estão à sua frente. Por almejarem a mesma glória e status de seus pais (síndrome de Belsazar), oferecem verdadeiros banquetes em seus templos, festas sobrepujantes e grandiosas, que usam o sagrado, mas que não engrandece o Santo de Israel. Assim como aquele neto usou os utensílios sagrados do tabernáculo para ostentar seu “poder” a seus amigos e convidados, pelo mesmo caminho seguem os pés dos netos atuais, homens que usam da Casa do Senhor para autopromover-se, usando o sagrado para gloriar o profano, banalizando o verdadeiro sentido desta casa (Casa de Oração).
A mecanização cultual é obrigatória. A segunda que parece terça, que é igual à quarta, que se repete na quinta... e domingo a mesma coisa. Realmente industrializaram a igreja. Temos os irmãos da diretoria (os intocáveis), os irmãos dos departamentos, e ainda existem aqueles que mais parecem lideres sindicais (gritam, cobram, mas com qualquer “oferta” é possível cala-los), e assim caminha a indústria.
Recentemente tenho observado que para “adorar” necessito fazer a coreografia certa, pois ao contrário meu louvor não chegará aos céus (?), até mesmo para orar (conversar com Deus), tenho que seguir determinados protocolos. Já não basta o templo e seus departamentos, agora estão industrializando até mesmo as pobres ovelhinhas.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oriente-se II

Em continuação a ultima matéria postada... É realmente gratificante quando o homem caminha segundo as ordenanças divinas. O profeta havia recebido uma ordem clara e expressa de Deus: “Porque assim me ordenou o Senhor, pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água; e não voltarás pelo caminho por onde foste”. (I Rs 13.9), no entanto, ao profetizar contra o rei e seu reinado, aquele homem de Deus chamou a atenção dos moradores de Betel, onde havia um profeta velho, que ao ficar sabendo através de seu filho sobre o profeta novo, foi ao seu encontro albardado em um jumento, encontrando-o debaixo de um carvalho ou terebinto, é lhe feito à mesma proposta que o monarca outrora lhe havia feito: “Então lhe disse: Vem comigo a casa e come pão”. (v. 15). O que o rei, com toda sua riqueza, fama e glória não conseguiu realizar na vida do homem de Deus, um crente obviamente sem "a mente do Espírito" foi capaz de fazer. Ao fazer lhe o convite, o velho profeta só ratifica o que conhecemos que os orientais são conhecidos por sua hospitalidade muito mais destacada que a dos seus irmãos ocidentais. Além de desejar demonstrar hospitalidade, talvez o velho profeta quisesse saber mais exatamente sobre a maravilhosa e incomum profecia. E novamente o recém “formado” profeta, repassa a ordem divina: “Porém ele disse: Não posso voltar contigo, nem entrarei contigo; nem tão-pouco comerei pão, nem beberei contigo água neste lugar. Porque me foi mandado, pela palavra do Senhor: Ali nem comerás pão, nem beberás água; nem tornarás a ir pelo caminho por que foste”. (I Rs 13.16-17).
Agora o texto apresenta algo que necessita de nossa atenção. Tanto na versão ARA, ARC, ACF, KJ, BLH e NVI, todas relatam a mesma fonte profética – um anjo. O velho profeta usou de mentira: “E ele lhe disse: Também eu sou profeta, como tu, e um anjo me falou, pela palavra do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água. (Porém, mentiu-lhe.)”. (v. 18).

É realmente gratificante quando o homem caminha segundo as ordenanças divinas (repito).

Nosso Deus não é de confusão. Então o novo profeta voltou (v 19). Desobedeceu a ordem divina. Existem aqui lições prática que podemos extrair: Em primeiro lugar é que o conselho de outros homens, mesmo que sejam amigos cristãos, não devem substituir o explícito chamado ao dever que há em nossos corações. Segundo, que ao ser ordenado pelo próprio Deus, não deveria ele dar ouvidos à “ordens” de anjo – “Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. (Gl 1.8).
Sensibilidade espiritual preserva, modifica e dá vida. Falto discernimento ao homem de Deus, que de forma errônea ouviu e seguiu o profeta de Betel. E como desobediência é pecado, e o salário deste é a morte, aquele jovem profeta recebeu seu pagamento. Foi profetizada a ele pela própria boca que o havia levado aquela casa (o velho profeta) que sua sentença havia sido decretada, e não seria sepultado junto com seus pais, pois morreria naquelas terras. Entretanto, para que se soubesse que este era realmente um juízo; sobrenatural e não simplesmente um acidente infeliz, o leão, depois de matar o profeta, não molestou nem estraçalhou o seu corpo, nem mesmo matou o dócil jumento sobre o qual o profeta montava, mas calmamente ficou de guarda como se fosse por ordem divina.
Oriente-se.

Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Oriente-se


Feliz é o homem que ouve a voz e anda sob a orientação de Deus. A narrativa que é apresentada em I Rs 13.1-10 explana bem tão contexto. Um desconhecido homem, sem nome, sem origem, apenas com endereço (de Judá), “cai de para-queda” neste capitulo, porem, este homem possuía um adjetivo que lhe acompanhava – “homem de Deus”, e aqui a grande diferença, apesar de não ser conhecido e não ostentar nenhum título ou cargo da corte judaica, ele possuía o que hoje muitos não têm – intimidade, orientação do Senhor. Em uma de suas predicas, o pastor Hernandes Dias Lopes disse: “Deus está muito mais interessado no que você é, do que aquilo que você tem”.
Interessante é que o profeta fala de um reinado futuro, este é um dos mais notáveis exemplos de profecia do Antigo Testamento, demonstrando a onisciência de Deus. Esta profecia vincula-se à de Isaías em relação a Ciro (Is 45.1 e segs.). Sendo tão notável, os críticos bíblicos "liberais" têm tentado reduzi-la a uma declaração ad hoc. Contudo, considerar isto como uma inserção histórica, feita após o período do Rei Josias, é deixar de compreender totalmente o verdadeiro caráter da profecia. Com referência ao notável cumprimento desta predição conforme II Reis 23.15-20.
De forma clara, o anônimo profeta, sentencia o rei Jeroboão I e todo o seu reinado, movido por ódio, o monarca levanta a sua mão para determinar a prisão do homem de Deus, imediatamente é surpreendido por ver sua própria mão paralisada, sem domínio, sem governo.
É em pequenos gestos que o Senhor nos ensina a bela forma do seu agir, mostrou mais uma vez, que um rei/homem não tem domínio nem sobre a sua própria mão, quanto mais sobre a vida daqueles que o serve.
E mais uma vez a historia se repete, e continua repetindo. Em meio à dificuldade e a falta de domínio, muitos buscam em Deus uma solução – e é só neste momento que muitos acham que necessitam da misericórdia do Criador. O rei imediatamente clama ao profeta por intercessão ao seu Deus, e este sem nenhuma oração pragmática, vingativa (aquela famosa – queima ele Jesus), intercede e a mão do rei é restituída.
No entanto, a famosa barganha entra em campo, e o rei com um jeitinho peculiar do brasileiro, tenta com presente e lábia, convidar o profeta para ir ao seu palácio.
Vem comigo à casa (v.7), convite de Jeroboão talvez tivesse a intenção de servir a dois propósitos: podia ser uma espécie de pedido de desculpas pela tentativa de prisão; e podia ser um expediente para desfazer ou pelo menos abrandar o juízo pronunciado sobre a casa real. No versículo que segue o profeta diz: Ainda que me desses metade da tua casa, não iria contigo. Fiel às instruções divinas, o profeta declinou do convite com base na expressa proibição recebida de não comer pão nem beber água em Betel. Tal intercâmbio social poderia muito bem ter criado a impressão na mente do povo de que o juízo enunciado pelo profeta já fora desviado, ou pelo menos diminuído.
E se foi por outro caminho. (v. 10). Agora o profeta buscou o caminho de volta para casa. Até aqui agiu em estrita obediência à ordem divina.
Um homem verdadeiramente orientado por Deus.

Em oração,
Paulo Henrique.
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