segunda-feira, 6 de março de 2017

Filho Amado

A paternidade é a faculdade que todo e qualquer homem um dia deveria passar.
É através dela que podemos compreender um pouco mais sobre o amor de Deus para conosco.
Então, observo que quem na realidade mais cresce, muda, são os pais e não os filhos.
Para os pais o tempo para, em contrapartida, para os filhos, como passa rápido!
Hoje um bebê, amanhã já é adolescente. A dica é aproveitar cada segundo, cada sorriso babado e sem dente. É tentar de forma inútil e sem ferramenta linguística alguma, compreender os sons por eles pronunciados, e quando você vê que por mais que seu intelecto seja aprimorado, jamais compreendera a linguagem do “blablabla”, então você “desce” (acredito que neste instante você está é crescendo), ao nível da linguagem daquele pequeno ser e de forma paterna tenta estabelecer um diálogo baseado apenas e “blablabla” e gestos e sorrisos.
Do mais simples ao mais erudito, sem exceção, adultos, maduros, sérios.... Derretem ao ver o sorriso mudo, o brilho dos olhos, os sons indecifráveis produzidos pelos pequenos novos moradores de nossas vidas.
Hoje, sinto mais que completo, encantado, fascinado por eles, e além de tudo isso, pelo prazer pela confiança, pelo gozo que Deus em sua infinita misericórdia me concede de poder olhar nos olhos do meu pequeno Theo e poder ver a mão de Deus agindo em minha vida através dessa tão graciosa e pequenina pessoa, um pacotinho tão pequeno ainda, mas com um poder extraordinário de transformação.
Parabéns meu querido e amado filho pelo seus primeiros 10 meses de vida... Que daqui muitos anos, possamos ler juntos, essa simples homenagem, porém, repleta de amor e carinho que hoje seu amigo pai lhe oferece, sabendo que no futuro muitas coisas deverão ter mudado, mas que o seu antigo e velho amigo continuará com o mesmo entusiasmo com o seu sorriso, com o seu cheiro, com seus gestos, com seus sons que fascina e encanta esse jovem pai que hoje entende o imensurável amor de Deus pela humanidade, e essa lição meu filho tive a honra de vê-la ser ministrada por você... meu pequeno grande professor, amigo, filho amado.

Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem cuja aljava está cheia deles! Não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal. 
Salmos 127.3-5 (NVI).

Em oração ao lado do berço,
Paulo Henrique.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Novo Mandamento

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. (Jo 13.34)


Apesar de escreverem inúmeros poemas, exaltar-se tanto esse “sentimento” chamado AMOR, vemos que a Palavra de Deus nos mostra que o amor não é um sentimento, onde posso escolher o que, quem e quando amar; mas a Bíblia nos mostra que o amor é uma ORDEM.
Isso faz toda a diferença. Em um mundo cheio de mazelas e decepções, os relacionamentos estão se tornando cada vez mais descartáveis, afinal “eu escolho/eu determino” se esse relacionamento vale ter continuidade ou não, se as circunstancias são favoráveis e estou ganhando ainda alguma coisa com a continuidade deste “sentimento” (e nesses casos sempre olhamos para nós – egocentrismo, dificilmente observamos o outro).
Ao entendermos a orientação bíblica que amar é uma ORDEM, a visão muda; não é algo que eu “uso” e quando não estiver mais favorável, descarto e lanço fora.
O verso mencionado, Jesus faz uma menção ao decálogo, e de forma surpreendente traz uma “nova orientação”, o interessante aqui é o crivo, o padrão estabelecido para amar o nosso próximo.
Quando nos é orientado a amar o próximo como a nos mesmo, o padrão aqui é alto, porém, pode ser muito relativo. Muitas pessoas amam a vida e tudo o que nela há, assim o amor a se próprio é bem definido e estabelecido, em contrapartida, muitos não tem por preciosa a própria vida; para estes a ordem de amar o próximo como eles se amam não estabelece um crivo a ser seguido, pois como amar o próximo se não amam a si mesmos?
Já dizia Paul Valéry “Pois se o eu é odioso, amar o próximo como a si mesmo torna-se uma atroz ironia”
Então diante de tal situação, Jesus estabelece aqui o padrão a ser seguido “... Assim como eu os amei, amem também uns aos outros...”
A ordem é clara e o padrão estabelecido – AMEM, assim como EU amei.
Um amor sacrificial, que não questiona, não baseado na troca, no ganho, no merecimento.
Disposto a amar os que não lhe amou, de continuar amando mesmo quando as regras que ditam os relacionamentos hoje dizem não mais valer a pena...
Assim como expressa o Rev Arival, o mandamento do amor não é novo em termos de tempo. Deus já havia ordenado o amor desde a lei do Antigo Testamento (Dt 6.5; 11.1; Lv 19.18). A ordem de amar uns aos outros é repetida pelo menos doze vezes no Novo Testamento (Jo 13.34; 15.9, 12, 17; Rm 13.8; 1 Ts 4.9; 1Pe 1.22; 1Jo 3.11, 23; 4.7, 11-12; 2Jo 5).
O mandamento do amor é novo ou inédito de cinco maneiras:
I -  Ele é novo em sua proeminência, isto é, é o maior de todos os mandamentos (1 Co 13.1-3). 
II - Ele é novo no seu referencial. Jesus é o nosso referencial de amor (1Jo 3.16).
III - Ele é novo em sua maneira de expressa-lo. O amor deve ser expresso não por palavras, mas por ações concretas a favor dos nossos irmãos (1Jo 4.18).
IV - Ele é novo em sua exclusividade. Somente quem é nascido de Deus pode amar (1Jo 4.7).
V - Ele é novo em sua capacitação. Só podemos amar se Deus nos capacitar por intermédio do Espírito Santo (Rm 5.5).

John Stott disse certa vez que “O amor cristão não é vítima de nossas emoções, mas servo de nossa vontade.”

Todas as vezes que observamos o amor mediante as nossas emoções, nossa visão quanto a ele será turva e opaca, mas se submetermos ele ao serviço, a uma ordem; amaremos e assim também seremos amados.


Em oração,
Paulo Henrique Rocha.

sábado, 18 de julho de 2015

O culto a Deus

Recentemente enquanto lia Jürguen Rolloff (A igreja no Novo Testamento), deparei-me com uma colocação que muito me chamou atenção. Segundo o autor: “É ariscado ocupar-se teologicamente com a igreja nos dias atuais. Quem o fizer é suspeito de desviar-se das questões centrais da vida e da sobrevivência da fé cristã na sociedade moderna, que estão na ordem do dia, e refugiar-se num tema que perdeu sua atualidade. Talvez até mesmo seja encarado como alguém que em vão está tentando esgotar a água que penetra por todos os lados no barco carcomido e avariado, em vez de fazer a única coisa sensata: pôr-se a salvo em terra firme e deixar o barco afundar”.
Atualmente estamos atravessando uma crise preocupante nas igrejas.
Tenho pensado, por que é que não tenho me sinto à vontade na casa do Pai? Lugar onde deveria ser o refúgio, a abóbada da minha alma, refrigério após um dia de luta.

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” – Começo a perguntar-me, o que aconteceu com essa alegria? Ela se foi, como muitas outras coisas que se esvaiu da igreja?

Cultuar a Deus de forma pessoal, livre e espontânea é um desafio. Muitas vezes de forma imposta, sou obrigado a ficar de pé toda vez que um “ungido” do Senhor vai cantar, e se não levanto, não faço parte daqueles que vai morar no céu. Se durante a ministração não fecho os olhos e não faço cara de quebrantamento – unção do beicinho, é porque sou frígido a presença do Altíssimo. Se durante a pregação, não realizo todos os movimentos da ginástica gospel (vira para o irmão..., levanta a mão (e tem que ser à direita?), pula, chuta, grita, pisa – cansei), é porque estou enferrujado, e Deus não usa ferramenta desta forma. Alguns “teólogos” de plantão, dizem que tudo isso é alegria do Senhor, liberdade no Espírito... (estão precisando contextualizar melhor os isolados versículos que citam).
Sem contar com os olhares praguejadores e furiosos comentários dos “santos” em relação aos pobres anátemas que não seguiram a liturgia do culto conforme foi ordenada.
Estou realmente entojado de tamanha deturpação da Casa de Deus, uma verdadeira balbúrdia o que está acontecendo. O que deveria ser cristocêntrico, está mais para uma cristofobia, algo longe, bem longe do que a Bíblia diz.
Talvez essa seja a explicação de muitos corações estarem afligidos dentro do templo; a chama da alegria ainda existe nesses sufocados corações, o que ultimamente está difícil de ver é a Casa do Senhor. Habitação da sua Glória!
O que fazer então, pular do barco?
O sensato aqui é voltarmos para a Palavra e observarmos o que é o culto segundo Deus.
Existe algo que chamamos como “Princípio regulador do Culto”, conforme ensinado por Calvino e, posteriormente, fixado pela Confissão de Fé de Westminster, pode ser conceituado como o preceito que reserva exclusivamente a Deus a liberdade e poder para determinar o modo como o seu culto deve ser realizado, sendo tais determinações reveladas de forma clara, detalhada e específica na Bíblia.
O que podemos observar, segundo bem expressa o Rev. Augustus Nicodemus é que o culto a Deus exige:
I – Devoção verdadeira e sinceridade de coração;
II – Fidelidade na pregação da Palavra;
III – Vida pessoal e moral reta;
IV – Obediência;
V – Temor ao seu nome.
     Assim o que se deve pensar quanto ao culto não é se isso ou aquilo é errado... e sim onde está ORDENADO tal ato estar presente ou fazer parte do culto.
       Quando assim agimos, Cristo é entronizado, Deus adorado, o Espírito Santo reverenciado... e a alegria retorna de forma plena ao culto... AO SENHOR.

Em oração,
Paulo Henrique Rocha. 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Infestação

Não é de agora que podemos notar que o Brasil vive um processo de intensa “abertura” de locais de culto (se é que podemos chamar algumas dessas reuniões de culto).
Num dia desses, no caminho da minha casa para igreja, eu e minha esposa, espantamos com a quantidade de igreja que existem no decorrer de uma distância de aproximadamente 3,5 km, até o dia da contagem, conseguimos contar quatorze (14) "igrejas", isto é, se não tiver construído outra na madrugada de ontem. E acredito não haver mais, pelo fato de existir uma reserva ambiental neste percurso (viva a natureza). Sem retórica: há mais igrejas que bares. Talvez mais assentos do que o setor comporte.
A proliferação de igrejas deveria ser saudável, mas preocupa, pois boa parte delas não tem conteúdo. A placa "igreja" pode abrigar um grupo longe do conceito bíblico de igreja. Pode ser apenas um lugar onde pessoas se reúnem e cantam cânticos de autoajuda, fazem cartazes, ouvem um discurso estimulante, mas sem alusão ao conteúdo da Escritura Sagrada, sem menção a Jesus, nunca mencionando a cruz, pois isto não é bonitinho. Legal mesmo é falar sobre “chave da vitória”, “carro importado”, “prosperidade financeiras” e muitas outras bênçãos R$, R$, R$!!!
O que se canta, prega e faz, é bem desconexo ao que a igreja primitiva apresentavam, assim como também os pais da igreja pregaram logo após o período apostólico.
A competição e feroz! Faixas de propaganda anunciam semana de posse, recuperação de bens, vitória sobre o devorador, felicidade, prosperidade, cura, saúde, etc. Uma anunciava a semana para recuperar um amor perdido (é a teologia da dor de cotovelo). Outra dizia para levar peças de roupas, que seriam ungidas. Neste frenesi, uma anunciava "óleo ungido", podendo ser de soja, canola, girassol... talvez até automobilístico, caso não houvesse o convencional, o importante é ser óleo.
E a Palavra mesmo, acredito que está sendo “fritada” em meio a tanta gordura!


Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Até onde?

Hoje, estive olhando um artigo que foi publicado na quarta-feira 14/07/2010, onde a instituição chamada família, sofrera um grande abalo em sua estrutura, foi aprovado por unanimidade à nova lei sobre o divórcio, com a finalidade de "facilitar" toda burocracia que antes existia para tal procedimento. O que me deixa intrigado é o fato de se preocuparem tanto em acabar com a união de dois adultos, que por falta de Deus, comunicação e dialogo, quebraram as suas promessas; mas esquecem que existem filhos, pais, família e toda uma complexidade que envolve este assunto. Estive olhando algumas estatísticas, o que me frustrou mais ainda, é que no ano em que a instituição do divórcio cumpria 30 anos no Brasil (2008), o IBGE divulgou alguns dados relacionados ao divórcio. A atual taxa de divórcio no Brasil é a maior desde 1995 com aumento de 200%. Isso significa que, em média, a cada quatro casamentos, um é desfeito. Sem dúvidas, uma primeira e simples conclusão é que a sociedade mudou o seu pensamento e comportamento diante da instituição familiar. Refletir e falar sobre família não é uma questão simples, mas não são as dificuldades que devem impedir a reflexão sobre o tema. O desafio diário do cristão evangélico de viver determinados padrões familiares tem sido uma constante. Frequentadores e membros das igrejas têm sido desafiados com discursos que os convocam a viver determinados padrões familiares, com o objetivo de sustentar e manter o casamento e o vínculo familiar estabelecido (digo as igrejas que prezam pela sagrada Escritura). Cônjuges e filhos são constantemente expostos a palestras, pregações e estudos com o intuito de manterem e vivenciarem uma família saudável, com práticas tidas como cristãs.
No entanto, nos perguntamos: ainda é válido, em pleno século XXI, o modelo familiar que nos foi ensinado nos séculos XIX e XX? Existe a necessidade de se pensar em um modelo de família cristã para a pós-modernidade?  Manter os valores cristãos para a família significa manter práxis ou costumes do milênio passado? Eis o desafio.
Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que a família deixou de ser um núcleo social para se constituir num núcleo funcional. Na atualidade, a solidariedade, que é um valor que precisa ser restaurado, começa a ser substituída pelas funções que os membros da família exercem. O envolvimento familiar é responder às questões que levantamos, e mais importante, à pergunta: quem eu sou nesta família? Trata-se de uma questão de identidade e filosofia familiar e o cristianismo, por ter um discurso solidário gerado numa concepção comunitária que é exposta na imagem de corpo de Cristo, provoca e traz uma crise no meio familiar, uma vez que as pessoas são solidárias na comunidade cristã, porém não o conseguem ser na família. Vive-se, portanto, a crise da fé x práxis. A ortodoxia x ortopraxia.
Infelizmente, a família cristã, tem sido influenciada de alguma forma por essa avalanche de meros sofismos e achismos. Será mesmo necessária a criação de um novo modelo familiar? A família patriarcal e as suas diretrizes são mesmo obsoletas em nossos dias? Por que buscar inovação se a Bíblia nos ensina a busca renovação. Já está na hora da família cristã olhar para a Bíblia e ver que é dela que emana nossa lei fundamental.

Em oração,
Paulo Henrique.
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