terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cresça

Não precisa ser especialista para notar que estamos vivendo uma verdadeira fuga do ensino genuíno da Palavra de Deus.
Homens que se envolveram com movimentos que contrariam totalmente a doutrina bíblica, linhas teológicas (se é que assim podem ser chamadas) que não produzem nenhum crescimento espiritual.
E o mais interessante, estamos na mídia. Parece haver aqui um fator inversamente proporcional – quanto mais afastamos da Bíblia, mais ficamos “famosos”. Revistas, jornais, programas, matérias, entrevistas... Realmente estamos na vitrine de destaque.
É triste ver que fomos chamados para protestar e militar contra o mundo e o pecado, mas ao contrário, tanto o pecado quanto o mundanismo ganharam muitos pelos holofotes da fama, pelos prazeres do poder, pela brecha da carência e preguiça da leitura diária da Palavra do Senhor.
Como o escritor aos Hebreus no capitulo cinco têm se tornado cada dia mais atual. Veja:
“Quanto a isso, temos muito que dizer, coisas difíceis de explicar, porque vocês se tornaram lentos para aprender. Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” (Hb 5.11-14 NVI).
Realmente a Palavra de Deus se renova a cada manhã, Ela é viva.
Analisemos:
1° Tornaram lentos para aprender: Embora já devessem ser mestres ainda estão se embaraçando nos rudimentos, nas bases, nas primeiras coisas da Palavra.
2° Quem se alimenta de leite é criança: E por sinal fazem uma tremenda bagunça se não tiver quem as supervisionem. Talvez esteja aqui à resposta de tanta confusão, uma grande estrutura que ainda continua crescendo (a igreja), sendo “gerenciada” por pequenos administradores que se sentem cada dia mais donos da mesma.
3° Alimento sólido é para os adultos: interessante é a fórmula que o autor nos ensina para crescer – exercício constante – realmente, o crescimento espiritual é uma verdadeira maratona. Todo dia são necessários alguns minutos de oração, não esquecendo jamais do exercício diário da leitura bíblica, lembrando ainda que sem o exercício do jejum ninguém desenvolve e após pegar gosto pelos exercícios básicos a lista vai sendo cada dia complementada (a lista completa você poderá encontrar na Bíblia – Item 2 da lista básica de crescimento).
Portanto, saia do sedentarismo e desenvolva, verás que existem muitos alimentos saborosos e saudáveis a sua espera, deixe o berçário para aqueles que estão iniciando a caminhada, já está na hora de se inscrever em alguma maratona, e quem sabe amanhã se tornar um verdadeiro atleta do seleto grupo dos Ironman Triathlon.

Em oração (item 1 da lista básica),
Paulo Henrique

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Que som é esse?

No primeiro livro do profeta Samuel, no capítulo quinze é narrado uma história bélica, onde a nação de Israel deveria sair para a guerra contra os amalequitas, nação que outrora havia desafiado o povo escolhido quando estes saíram do Egito.
No versículo três existe uma ordem direta e muito clara do próprio Deus através de Samuel ao então rei de Israel, Saul – “Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao SENHOR para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos ” (I Sm 15.3).
Porem, com bem expressa o Pr. Lauro Celso de Souza – “A obediência foi, é e sempre será o pilar número um para uma vida vitoriosa em todos os aspectos. I Sm 15.22b diz: “A obediência é melhor do que sacrifício”. O ser humano sempre teve dificuldades em obedecer. Essa atitude começou no Éden e perdura até hoje, no tempo da graça”.
E para não fugir a regra foi o que Saul fez – desobedeceu.
O interessante neste texto é a forma que acontece a denúncia da desobediência, a Bíblia diz que o profeta Samuel saiu de madrugada após ouvir o descontentamento de Deus para com Saul e foi ao seu encontro, e logo ouviu um som, o balido de ovelhas e o mugido dos bois. Não precisava falar mais nada, o profeta já havia entendido, a ordem divina tinha sido descumprida.
O líder Saul havia feito a sua escolha e agora o som do rebanho denunciava sua errônea atitude.
Contextualizando, podemos aprender muitas coisas com o texto, como por exemplo: Ouvir e obedecer, e ainda, cumprir na íntegra as ordenanças divinas.
No entanto, em se tratando de liderança, há um ponto que vale a pena ressaltar. Todas as vezes que um rebanho fica alvoroçado, inquieto, fazendo barulho – é sinal que alguma coisa não vai bem. No texto citado, foi à desobediência. Em outros rebanhos podem ser as feridas, as magoas, as decepções, as frustrações, a ausência de pasto...
E é contemplando essa situação que Jesus se apresenta como o excelso pastor - “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11 NVI).
Não é difícil encontrar pessoas decepcionadas com a religião, com métodos, com promessas não cumpridas, com bênçãos infundadas, com a mecanização cultual, produzindo sons denunciantes – algo esta errado.
Em uma entrevista, o Pr. Caio Fábio foi questionado sobre o que ele achava da religião, ao dizer à repórter que a religião é morte, a mesma ficou surpresa ao ouvir tal declaração vinda de um pastor, isso só prova que aquela jovem não entendia nada de Bíblia. A pessoa que mais radicalizou a religião foi o próprio Jesus, demonstrando aos “santos religiosos” daquela época que não passavam de rebanhos sedentos pela verdadeira água – a Água da Vida.
Jesus contemplou uma nação que produzia muito barulho, mas um barulho que anunciava que no íntimo haviam feridas; necessitavam de cura, precisava consertar algo, daí Ele resolve se entregar a cruz – calado, a ovelha muda, que não abriu a sua boca segue para o calvário. Não tinha nada errado para ser denunciado, o silencio só anunciava o ato correto, que de uma vez por todas cessaria o meu e o teu gemido, o nosso balido.
Então antes de fazer barulho, consulte o silêncio, quem sabe não seja através dele que Deus esteja falando.

Em oração,
Paulo Henrique

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Controle

É impressionante a repetição das ações em dezembro, principalmente nos seus últimos cinco dias.
A finalização anual não é marcada apenas por festas e presentes, presépios e luzes, mas também por certa euforia em projetar, marcar, fazer, realizar.
Já notou que o ano inicia assim recheado de ansiedade. Li certa vez uma lista que tinha por titulo: “Conselhos para 2005” e seu primeiro conselho era: “Não assuma compromissos do tipo "vou iniciar uma dieta", "vou começar alguma atividade física", "vou terminar o curso de inglês". Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros”.
A princípio achei que autor estava mesmo era desiludido com o Ano Novo... Afinal, é claro que devemos projetar, temos que ter foco, preciso romper... Não é assim que vivemos? No entanto, ao deixar um pouco de lado o emocionalismo e pensar de uma forma mais racional, vejo que ele tinha razão.
Vivendo assim, somos bem semelhantes a um relógio, onde seus ponteiros passam sempre pelo mesmo caminho, sua semana é sempre igual, seu mês não muda nunca, entra ano e sai ano e as badaladas são as mesmas.
A grande frustração hoje não é olhar para os meses que passaram e ter a sensação que estava estacionado, na realidade a verdadeira frustração acontece quando na nova lista de fim de ano os itens são quase todos os mesmos do ano passado.
Projetar é necessário, mas não posso pensar que tenho o controle da forma de sua execução. A palavra de Deus fala: “Ao homem pertencem os planos do coração, mas do SENHOR vem à resposta da língua” (Pv 16.1 NVI).
Não quero aqui desanimar ou apagar itens de sua lista ao dizer que neste ano que se inicia nem todos os seus pedidos serão atendidos por Deus, todos serão ouvidos, mas atendidos não.
Deus trabalha muito além do que é visto, palpável, imediato; ele tece no plano de fundo, lapida nosso futuro. Deus diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55.8).
Todo o controle está nas mãos de Deus, um Deus, que o céu é o seu trono e a Terra é o escabelo de seus pés não teria uma visão limitada como a nossa, portanto, sente-se no sofá e deixe o controle nas mãos certas, assista a programação que Ele escolher para sua vida em 2012. Ed René Kivitz disse citando Frankl: “Gosto de Viktor Frankl quando diz que "se a situação é boa, desfrute-a; se a situação é ruim, transforme-a; se a situação não pode ser transformada, transforme-se". Isto é, quando amanhece chovendo, e Deus, em sua perfeita economia, decide não atender meu pedido por sol, eu saio na chuva mesmo. Ultimamente, para falar a verdade, quando amanhece chovendo, eu fico um bom tempo na janela tentando perceber de Deus se o melhor que poderia acontecer não seria a chuva. Já aprendi que não vim ao mundo para fazer pic-nic.”

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Lição para casa

Amar quem nos ama é afeto correspondido, porem, não quer dizer que o afeto será da forma que queremos e nem sempre no momento em que desejamos.
Ao falar sobre o amor, Jesus transmite uma mensagem um tanto quanto complicada de se entender, pois Ele apresenta a “contramão” do pensamento humano...
Sempre que falamos de amor, nossas mentes perscrutam as lembranças da pessoa amada, e logo sua imagem, seus gestos, a música preferida e até mesmo o seu perfume parece exalar no ambiente que estamos...
Daí vem Jesus e solta uma bomba... “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” Mt 5.44.
Como assim? Amar, bendizer, fazer o bem, orar, pelos inimigos?
Que história é essa? Se apanhar ainda tem que oferecer a outra face? Afinal o que vou ganhar com isso?
As nossas duvidas e questionamentos eram as mesmas daquela época.
Para a multidão, Jesus estava descontrolado. Realmente esse homem precisa de um tratamento, de algum especialista em relacionamento para lhe acompanhar de perto, não se ensina a ficar junto, andar, conviver, amar o inimigo.
A idéia era e continua sendo indigesta. Falar para judeus que eles precisavam amar os inimigos realmente era um tapa na face.
Num mundo “condominial” no qual vivemos cada dia mais fechado e isolado, dizer que é necessário amar o odiado é simplesmente absurdo, é impensável.
No entanto, o Mestre do Amor, ensina o remédio para a ferida do rancor, para a chaga do ódio... É simplesmente amar.
Como esta escrito em Dhammapada: "O ódio não cessa com o ódio em tempo algum, o ódio cessa com o amor: esta é a lei eterna”.
Não adianta tampar uma ferida esperando a cura se as suas raízes já chegaram à alma.
O clérigo holandês e professor da Universidade de Harvard, Henri Nouwen, disse certa vez: "Acho difícil conceber uma maneira mais concreta de amar do que a de orar pelos inimigos. Isso conscientiza você do fato de que, aos olhos de Deus, você não é mais, nem menos, digno de ser amado do que qualquer outra pessoa; e cria uma consciência de profunda solidariedade com todos os outros seres humanos. Cria em você uma compaixão que inclui o mundo e lhe provê um coração cada vez mais livre do compulsivo desejo à coerção e à violência. Além do mais, você ficará encantado ao constatar que não pode continuar com raiva das pessoas pelas quais você ora. Você perceberá que está falando diferente com - e sobre - elas, e que realmente está disposto a fazer o bem àqueles que o ofenderam”.
Tente... O máximo que poderá acontecer será um coração curado e feliz.
E se o coração esta feliz então logo descobrirá, pois "O coração alegre aformoseia o rosto..."
Pv 15.13.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

LEI-tura

É triste ver que muitos projetam seus vôos com “assas alheias”, não têm suas próprias convicções, vive uma vida pequena, com uma visão minúscula de mundo.
Um acreditacionismo estúpido e perigoso, onde qualquer coisa dita se torna uma verdade. Programas televisíveis, ditam, guiam, tornam-se os Senhores da verdade.
Uma geração em busca de vôo, alto, longo e promissor, mas que se apóiam em ombros pequenos e não confiáveis. Nunca se busca a fonte, não há pesquisa para saber a origem e a veracidade das “teorias”, “doutrinas” e de tantas palavras “do original”. A sociedade realmente encantou-se com “Ícaro”, mas esquecem que existe o Sol, e este pode por a prova todo esse tolo emaranhado de idéias e concepções.
Nossa pátria amada não é tão amante da leitura, poucos são os que se aventuram na contra mão, a doutora em literatura da PUC de São Paulo, Vera Bastazin diz que o importante, seja na internet ou fora dela, é a formação do leitor. “A questão da leitura é uma questão, eu diria, de segurança nacional. Você quer formar uma grande nação? Você tem de investir em bons leitores. O bom leitor é aquele que vai construir um pensamento próprio. Eu costumo dizer que aquele que constrói um pensamento próprio tem um vôo de autonomia. Isso é uma autonomia de vôo, porque ele sabe pensar sozinho”, defende Vera.
A questão é que comemos tudo que se coloca no prato, de forma rápida, sem perguntar, sem questionar, o negócio é absorver... e repetir, repetir... e inchar e nunca crescer...
Aplicando a idéia da professora Bastazin à igreja, só se tem uma grande igreja se tivermos bons leitores. É triste ver que muitos questionam, ficam tristes e dizem que a igreja é fraca e está passando por um período difícil... Realmente, tenho que concordar com estes, pois a igreja não é o estrutural e sim o pessoal. Um pessoal que não lêem, não estuda, não busca e querem alçar vôos longos em busca do infinito apoiando em idéias que nem sequer sabem de onde saíram se é que um dia deveria ter saído.
Permitam-me recontar-lhes, resumidamente, a conhecida Parábola dos urubus e os pintassilgos: Certa feita, os urubus tomaram o poder na floresta e impuseram seu estilo de vida a todos os animais. Sua culinária, sua moda, sua estética e mesmo suas preferências musicais tornaram-se o padrão e a referência para todos. Os pintassilgos, muito cordatos, esforçavam-se sobremaneira para corresponder às exigências dos urubus. Entretanto, os pobres pintassilgos não conseguiam se acostumar com o cardápio de carniça que deveria substituir sua dieta de frutas, tão pouco conseguiam andar como os urubus, reproduzir-lhe os requebros e os grunhidos que os urubus chamavam de música. Observando os desajeitados pintassilgos, os urubus concluíram sumariamente: “Não adianta. Um pintassilgo sempre será um urubu de segunda categoria”. Esta estória, escrita por Rubem Alves, demonstra muito bem como todos nós procuramos modelos para pautar nosso estilo de vida. E os há de toda espécie. Uns mais para urubus, outros mais para pintassilgos.
Gostaria de lhe apresentar um estilo bíblico a ser seguido como igreja. No texto de Atos 17, o autor deixa transparecer um juízo de valor que apresenta a Igreja em Beréia como sendo mais nobre que a de Tessalônica. Numa leitura atenta, podemos ver como a comunidade de Tessalônica se mostrou invejosa, intolerante, violenta, incapaz de fazer autocrítica, hipócrita, incoerente, manipuladora, corrupta entre outras “qualidades”. Tessalônica era a comunidade da qual teríamos vergonha. Mas, a poucos quilômetros dali, outra igreja entrou para a história, pela escrita de Lucas, recebendo os elogios que toda igreja gostaria de receber para si. Vejamos, então, quais as características que fizeram de Beréia uma igreja mais nobre. Primeiramente, Beréia era uma comunidade aberta, segundo, uma comunidade madura e terceiro uma comunidade missionária, tudo isso devido a um simples fato – eram exímios leitores, questionavam o que estava no prato, não comia sem antes conhecer o alimento.
Afinal, que tipo de Igreja queremos ser? Qual a nossa mais legítima identidade? Quando simplesmente copiamos estranhos modelos, perdemos nossa identidade e passamos a ter vergonha do nosso nome, mas se revitalizarmos nossa tradição à luz da Palavra de Deus, teremos orgulho de sermos o que somos – e, talvez, descubramos, afinal de contas, que não é tão ruim, assim, ser pintassilgo. A conversão, verdadeiramente impressionante para nossos dias, seria a de nossas comunidades serem menos Tessalônica e mais Beréia: Uma comunidade que tem nas Escrituras Sagradas seu mais forte referencial. Uma verdadeira e nobre comunidade hermenêutica: aberta, madura e missionária, como bem relata Luiz Carlos Ramos.

Desejo-te então uma vida de muita leitura...

Em oração e sempre lendo,
Paulo Henrique.
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