quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Lição para casa

Amar quem nos ama é afeto correspondido, porem, não quer dizer que o afeto será da forma que queremos e nem sempre no momento em que desejamos.
Ao falar sobre o amor, Jesus transmite uma mensagem um tanto quanto complicada de se entender, pois Ele apresenta a “contramão” do pensamento humano...
Sempre que falamos de amor, nossas mentes perscrutam as lembranças da pessoa amada, e logo sua imagem, seus gestos, a música preferida e até mesmo o seu perfume parece exalar no ambiente que estamos...
Daí vem Jesus e solta uma bomba... “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” Mt 5.44.
Como assim? Amar, bendizer, fazer o bem, orar, pelos inimigos?
Que história é essa? Se apanhar ainda tem que oferecer a outra face? Afinal o que vou ganhar com isso?
As nossas duvidas e questionamentos eram as mesmas daquela época.
Para a multidão, Jesus estava descontrolado. Realmente esse homem precisa de um tratamento, de algum especialista em relacionamento para lhe acompanhar de perto, não se ensina a ficar junto, andar, conviver, amar o inimigo.
A idéia era e continua sendo indigesta. Falar para judeus que eles precisavam amar os inimigos realmente era um tapa na face.
Num mundo “condominial” no qual vivemos cada dia mais fechado e isolado, dizer que é necessário amar o odiado é simplesmente absurdo, é impensável.
No entanto, o Mestre do Amor, ensina o remédio para a ferida do rancor, para a chaga do ódio... É simplesmente amar.
Como esta escrito em Dhammapada: "O ódio não cessa com o ódio em tempo algum, o ódio cessa com o amor: esta é a lei eterna”.
Não adianta tampar uma ferida esperando a cura se as suas raízes já chegaram à alma.
O clérigo holandês e professor da Universidade de Harvard, Henri Nouwen, disse certa vez: "Acho difícil conceber uma maneira mais concreta de amar do que a de orar pelos inimigos. Isso conscientiza você do fato de que, aos olhos de Deus, você não é mais, nem menos, digno de ser amado do que qualquer outra pessoa; e cria uma consciência de profunda solidariedade com todos os outros seres humanos. Cria em você uma compaixão que inclui o mundo e lhe provê um coração cada vez mais livre do compulsivo desejo à coerção e à violência. Além do mais, você ficará encantado ao constatar que não pode continuar com raiva das pessoas pelas quais você ora. Você perceberá que está falando diferente com - e sobre - elas, e que realmente está disposto a fazer o bem àqueles que o ofenderam”.
Tente... O máximo que poderá acontecer será um coração curado e feliz.
E se o coração esta feliz então logo descobrirá, pois "O coração alegre aformoseia o rosto..."
Pv 15.13.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

LEI-tura

É triste ver que muitos projetam seus vôos com “assas alheias”, não têm suas próprias convicções, vive uma vida pequena, com uma visão minúscula de mundo.
Um acreditacionismo estúpido e perigoso, onde qualquer coisa dita se torna uma verdade. Programas televisíveis, ditam, guiam, tornam-se os Senhores da verdade.
Uma geração em busca de vôo, alto, longo e promissor, mas que se apóiam em ombros pequenos e não confiáveis. Nunca se busca a fonte, não há pesquisa para saber a origem e a veracidade das “teorias”, “doutrinas” e de tantas palavras “do original”. A sociedade realmente encantou-se com “Ícaro”, mas esquecem que existe o Sol, e este pode por a prova todo esse tolo emaranhado de idéias e concepções.
Nossa pátria amada não é tão amante da leitura, poucos são os que se aventuram na contra mão, a doutora em literatura da PUC de São Paulo, Vera Bastazin diz que o importante, seja na internet ou fora dela, é a formação do leitor. “A questão da leitura é uma questão, eu diria, de segurança nacional. Você quer formar uma grande nação? Você tem de investir em bons leitores. O bom leitor é aquele que vai construir um pensamento próprio. Eu costumo dizer que aquele que constrói um pensamento próprio tem um vôo de autonomia. Isso é uma autonomia de vôo, porque ele sabe pensar sozinho”, defende Vera.
A questão é que comemos tudo que se coloca no prato, de forma rápida, sem perguntar, sem questionar, o negócio é absorver... e repetir, repetir... e inchar e nunca crescer...
Aplicando a idéia da professora Bastazin à igreja, só se tem uma grande igreja se tivermos bons leitores. É triste ver que muitos questionam, ficam tristes e dizem que a igreja é fraca e está passando por um período difícil... Realmente, tenho que concordar com estes, pois a igreja não é o estrutural e sim o pessoal. Um pessoal que não lêem, não estuda, não busca e querem alçar vôos longos em busca do infinito apoiando em idéias que nem sequer sabem de onde saíram se é que um dia deveria ter saído.
Permitam-me recontar-lhes, resumidamente, a conhecida Parábola dos urubus e os pintassilgos: Certa feita, os urubus tomaram o poder na floresta e impuseram seu estilo de vida a todos os animais. Sua culinária, sua moda, sua estética e mesmo suas preferências musicais tornaram-se o padrão e a referência para todos. Os pintassilgos, muito cordatos, esforçavam-se sobremaneira para corresponder às exigências dos urubus. Entretanto, os pobres pintassilgos não conseguiam se acostumar com o cardápio de carniça que deveria substituir sua dieta de frutas, tão pouco conseguiam andar como os urubus, reproduzir-lhe os requebros e os grunhidos que os urubus chamavam de música. Observando os desajeitados pintassilgos, os urubus concluíram sumariamente: “Não adianta. Um pintassilgo sempre será um urubu de segunda categoria”. Esta estória, escrita por Rubem Alves, demonstra muito bem como todos nós procuramos modelos para pautar nosso estilo de vida. E os há de toda espécie. Uns mais para urubus, outros mais para pintassilgos.
Gostaria de lhe apresentar um estilo bíblico a ser seguido como igreja. No texto de Atos 17, o autor deixa transparecer um juízo de valor que apresenta a Igreja em Beréia como sendo mais nobre que a de Tessalônica. Numa leitura atenta, podemos ver como a comunidade de Tessalônica se mostrou invejosa, intolerante, violenta, incapaz de fazer autocrítica, hipócrita, incoerente, manipuladora, corrupta entre outras “qualidades”. Tessalônica era a comunidade da qual teríamos vergonha. Mas, a poucos quilômetros dali, outra igreja entrou para a história, pela escrita de Lucas, recebendo os elogios que toda igreja gostaria de receber para si. Vejamos, então, quais as características que fizeram de Beréia uma igreja mais nobre. Primeiramente, Beréia era uma comunidade aberta, segundo, uma comunidade madura e terceiro uma comunidade missionária, tudo isso devido a um simples fato – eram exímios leitores, questionavam o que estava no prato, não comia sem antes conhecer o alimento.
Afinal, que tipo de Igreja queremos ser? Qual a nossa mais legítima identidade? Quando simplesmente copiamos estranhos modelos, perdemos nossa identidade e passamos a ter vergonha do nosso nome, mas se revitalizarmos nossa tradição à luz da Palavra de Deus, teremos orgulho de sermos o que somos – e, talvez, descubramos, afinal de contas, que não é tão ruim, assim, ser pintassilgo. A conversão, verdadeiramente impressionante para nossos dias, seria a de nossas comunidades serem menos Tessalônica e mais Beréia: Uma comunidade que tem nas Escrituras Sagradas seu mais forte referencial. Uma verdadeira e nobre comunidade hermenêutica: aberta, madura e missionária, como bem relata Luiz Carlos Ramos.

Desejo-te então uma vida de muita leitura...

Em oração e sempre lendo,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um grande fardo

A velocidade dos acontecimentos e suas propagações nos assustam e constantemente somos pegos de surpresa.
E por vivermos em uma sociedade que é “produto do meio”, somos moldados a esse rápido ensino, construindo sonhos que devem ser alcançados “ontem”, pois o “hoje” já é tarde.
E dessa forma pulamos, destruímos, esquecemos, aniquilamos, sufocamos, matamos etapas essências em nossas vidas... E nem sempre, pra ser sincero, muito mais não do que sim, serão as respostas que ouviremos no decorrer da vida para os projetos que EU quero que seja realizado no MEU tempo. E em meio a tamanho turbilhão, correria e atropelos, somos afetados pelo mal do século – a ansiedade.
Embora em muitas passagens da Bíblia tenhamos promessas da fidelidade, da provisão e da proteção de Deus, umas das tarefas mais difíceis dos cristãos, a meu ver, consiste em seguir a ordem expressa nas três palavras "não andeis ansiosos".
Creio que se muitos de nos tivéssemos a oportunidade de conversar com o apostolo Paulo antes de escrever sua carta aos Filipenses, tentaríamos convencer o discípulo de Jesus para não transcrever tais ordenanças que estavam lhe sendo transmitidas através do Espírito Santo.
Na versão NVI, diz: “Não estejais inquietos por coisa alguma” Fp 4:6
Como se já não fosse difícil observar as três primeiras palavras, o apostolo termina a frase: “... por coisa alguma”.
Aqui, não existe um campo de exceções. Não se exclui algumas intempéries, contrariedades, decepções, frustrações, abandono, projeto falhos... não, a Bíblia não nos mostra tal faixa de “acostamento”, não existe a situação de podermos estar ansiosos em relação a um determinado assunto.
O grande problema é que um coração tomado pela ansiedade não agrada, não chama a atenção e muito menos louva a Deus.
Onde existe ansiedade, impera a incerteza. E se no capitulo 11 de Hebreus no seu primeiro versículo diz: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”, então concluímos que no coração ansioso, não existe fé, logo sabemos que: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” Hb 11.6 (NVI).
Como então proceder? Como seguir se somos tão atribulados pela ansiedade, tomados pela inquietação?
Muitas vezes procedemos como pessoas que usam o elevador, mas não colocam a pesada mala no chão, preferindo segurar todo o peso. Na verdade cremos, mas simplesmente não nos aventuramos a entregar a nossa carga de preocupações Àquele que quer se preocupar conosco, que cuida de nós e nos conclama na Bíblia: Não se preocupem!
Muito alem de nossa pequena ansiedade existe um grande Deus, pai, pai amoroso, que tem cuidado de cada um de nos.

Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29.5). Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!

Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém disse: "Deus participa do funeral de cada pardal". Quanto mais preciosos somos nós do que um pardal (Lc 12.6 e Mt 10.29)?!

Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6.28-30). Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1 Co 9.9-10)!

Jesus Cristo, o Bom Pastor, toma sobre Seus ombros cada ovelha perdida que encontra (Lc 15.3-7) como o sumo sacerdote trazia sobre seus ombros e sobre seu peito os nomes das doze tribos de Israel (Êx 28.6-29). E Jesus é o grande Sumo Sacerdote.

Nossos nomes estão gravados nas Suas mãos. Na cruz Ele nos sustenta plenamente (Is 49.16).

Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10.30 e Sl 56.9). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?

Nenhuma arma forjada contra nós prosperará (Is 54.17); nós somos como a menina do Seu olho (Zc 2.8).

Não submergiremos nos rios e não queimaremos no fogo (Is 43.2).

Em toda a nossa angústia Ele é angustiado (Is 63.9).

Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121.3-4).

Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139.2).

Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (Jo 10.11), e não cuidaria de nós todos os dias?

Ele nos carregará até que tenhamos cabelos brancos e cuida de nós "desde o princípio até ao fim do ano" (Is 46.4 e Dt 11.12).

E em Hebreus 13.5 lemos: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei".

Concluindo, a versão da Bíblia Viva traz uma visão muito interessante de Fp 4.6: “Não se aflijam com nada; ao invés disso, orem a respeito de tudo; contem a Deus as necessidades de vocês, e não se esqueçam de agradecer-Lhe suas respostas".

Faça assim, viva desta maneira e será um grande vencedor... Destruindo por vês a ansiedade.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sem proteção, será?

Uma das situações mais conflitantes é quando não entendemos, mas precisamos aceitar. Infalivelmente, mas cedo ou mais tarde, todos nos passamos por este caminho.
Não foi diferente com os apóstolos, Marcos nos conta no capitulo seis, que Jesus após alimentar uma grande multidão ordenou que seus discípulos subissem em um barco e atravessasse para o outro lado, no entanto, Ele não entrou, ficou a margem para se despedir da turba que o cercava.
Essa ordem soa com muita estranheza aos apóstolos, afinal era um grupo, eram os doze e seu mestre, o líder e os liderados, e agora essa separação? Qual era a intenção de Jesus, porque daquele pedido... Afinal o guia era Ele, Ele é o caminho, o único. Doze num pequeno barco e Jesus sozinho em terra firme? Qual é a real lição que o Senhor estava transmitido aos seus discípulos.
Como dito, essa era à hora do conflito, sem entender, sem conhecer a intenção, sem saber o por que... Mas obedeceram.
A vida é cercada de conflitos para todos, o que nos torna então diferentes uns dos outros? É a atitude que tomamos em meio à “tempestade”.
O dia começa a declinar e os apóstolos ainda não atingiram a outra margem, a visão já não é nítida tal como quando o sol irradia a pino. Por ser o Mar da Galiléia cercado de montanhas, tal geografia proporciona uma vazão acentuada de vento sobre aquelas águas, produzindo assim grandes marés, diz a Bíblia, que o vento soprava contra aquela pequena embarcação. Segundo Adolf Pohl, o versículo explica, com uma observação posterior típica, que um vento forte os empurrara para o sul. Deste modo o quadro da separação se intensifica.
Estavam ficando cada vez mais longe do Mestre, do “caminho”. O homem (apóstolos) longe de Jesus (Deus), o conflito se intensifica... - O que é que estamos fazendo aqui, em meio a essa tempestade sozinhos? Afinal onde Ele está? Cadê o nosso refúgio, a nossa fortaleza, o socorro bem presente?
A grande lição a ser ensinada aqui é que independente da distância; se é em terra firme ou em mar revolto; se é grande ou pequena a embarcação; se “aparentemente” existe uma ausência ou não... O certo é que os seus olhos SEMPRE nós vêem.
“E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante”. Mc 6.48.
A aparente ausência nos ensina que sempre podemos confiar no Senhor, por mais que os nossos olhos insistem em não vê-LO, Ele sempre esta por perto e se APROXIMA.

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. I Pe 5.7.

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

( ... )

“Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos”. (Sl 143.5).

Ao contrário da amnésia em que há perda de uma capacidade, o esquecimento é uma falha na retenção ou na evocação dos dados da memória. Trata-se de fenômeno muito comum que, em maior ou menor grau, ocorre com qualquer pessoa.
A tendência de esquecermos situações corriqueiras parece ser mais comum, por exemplo, o almoço de cinco dias atrás. Por ser a alimentação um habito diário, mecanizamos a ação da alimentação e raras vezes observamos e guardamos na mente as refeições, exceto uma alimentação em uma ocasião especial, no entanto, esta só é lembrada pelo evento, e não por sua importância, cor ou sabor.
Por ser o nosso Deus, um pai amoroso, bondoso e preocupado com os seus filhos, TODOS os dias são nos oferecidos diversos “cardápios”.
As obras de suas mãos podem ser vista a todo instante do nosso dia. Seja na coloração do céu, no canto de um pássaro, no enfeitar da noite tranqüila ou até mesmo na agitação do nosso trabalho ou em meio ao caótico trânsito. Suas obras sempre estão presentes – livrando, cuidado, zelando, curando, amando...
Mas o Salmo 143 nos mostra mais... Toda essa obra é continua, não é fragmentada, não vem em “conta gotas”, mas é abundante, é seqüencial – “Lembro-me dos dias antigos...” Não é de hoje que o Senhor tem cuidado de você, de mim, de nós. Diz a Palavra de Deus: “Os teus olhos viram o meu embrião” (Sl 139.16 NVI). Realmente, estamos cercados por um Deus que NUNCA se esquece de nós, mesmo quando muitos insistem acreditar na sua inexistência, na sua ausência... Ele sempre continua lá, pertinho, com afago e carinho, com zelo e amor...
Não tenha por habito esquecer-se dos feitos de Deus em tua vida, para que sua capacidade mental não seja destruída pela amnésia mundana.

“Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos!” (Sl 103.2).

Em oração,
Paulo Henrique.
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