Recentemente
enquanto lia Jürguen Rolloff (A igreja no Novo Testamento), deparei-me com uma
colocação que muito me chamou atenção. Segundo o autor: “É ariscado ocupar-se
teologicamente com a igreja nos dias atuais. Quem o fizer é suspeito de
desviar-se das questões centrais da vida e da sobrevivência da fé cristã na
sociedade moderna, que estão na ordem do dia, e refugiar-se num tema que perdeu
sua atualidade. Talvez até mesmo seja encarado como alguém que em vão está
tentando esgotar a água que penetra por todos os lados no barco carcomido e avariado,
em vez de fazer a única coisa sensata: pôr-se a salvo em terra firme e deixar o
barco afundar”.
Atualmente
estamos atravessando uma crise preocupante nas igrejas.
Tenho
pensado, por que é que não tenho me sinto à vontade na casa do Pai? Lugar onde
deveria ser o refúgio, a abóbada da minha alma, refrigério após um dia de luta.
“Alegrei-me
quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” – Começo a perguntar-me, o que aconteceu com essa
alegria? Ela se foi, como muitas outras coisas que se esvaiu da igreja?
Cultuar
a Deus de forma pessoal, livre e espontânea é um desafio. Muitas vezes de forma
imposta, sou obrigado a ficar de pé toda vez que um “ungido” do Senhor vai
cantar, e se não levanto, não faço parte daqueles que vai morar no céu. Se
durante a ministração não fecho os olhos e não faço cara de quebrantamento – unção do beicinho, é porque sou frígido
a presença do Altíssimo. Se durante a pregação, não realizo todos os movimentos
da ginástica gospel (vira para o irmão..., levanta a mão (e tem que ser à direita?),
pula, chuta, grita, pisa – cansei), é porque estou enferrujado, e Deus não usa
ferramenta desta forma. Alguns “teólogos” de plantão, dizem que tudo isso é
alegria do Senhor, liberdade no Espírito... (estão precisando contextualizar
melhor os isolados versículos que citam).
Sem
contar com os olhares praguejadores e furiosos comentários dos “santos” em
relação aos pobres anátemas que não seguiram a liturgia do culto conforme foi
ordenada.
Estou
realmente entojado de tamanha deturpação da Casa de Deus, uma verdadeira
balbúrdia o que está acontecendo. O que deveria ser cristocêntrico, está mais
para uma cristofobia, algo longe, bem longe do que a Bíblia diz.
Talvez
essa seja a explicação de muitos corações estarem afligidos dentro do templo; a
chama da alegria ainda existe nesses sufocados corações, o que ultimamente está
difícil de ver é a Casa do Senhor. Habitação da sua Glória!
O
que fazer então, pular do barco?
O
sensato aqui é voltarmos para a Palavra e observarmos o que é o culto segundo
Deus.
Existe
algo que chamamos como “Princípio regulador do Culto”, conforme ensinado por
Calvino e, posteriormente, fixado pela Confissão
de Fé de Westminster, pode ser conceituado como o preceito que reserva
exclusivamente a Deus a liberdade e poder para determinar o modo como o seu
culto deve ser realizado, sendo tais determinações reveladas de forma clara,
detalhada e específica na Bíblia.
O
que podemos observar, segundo bem expressa o Rev. Augustus Nicodemus é que o
culto a Deus exige:
I – Devoção verdadeira
e sinceridade de coração;
II – Fidelidade na pregação
da Palavra;
III – Vida pessoal e
moral reta;
IV – Obediência;
V – Temor ao seu nome.
Assim o que se deve pensar quanto ao culto não é se isso ou
aquilo é errado... e sim onde está ORDENADO tal ato estar presente ou fazer
parte do culto.
Quando assim agimos, Cristo é entronizado, Deus adorado, o
Espírito Santo reverenciado... e a alegria retorna de forma plena ao culto...
AO SENHOR.
Em oração,
Paulo Henrique Rocha.

