terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Controle

É impressionante a repetição das ações em dezembro, principalmente nos seus últimos cinco dias.
A finalização anual não é marcada apenas por festas e presentes, presépios e luzes, mas também por certa euforia em projetar, marcar, fazer, realizar.
Já notou que o ano inicia assim recheado de ansiedade. Li certa vez uma lista que tinha por titulo: “Conselhos para 2005” e seu primeiro conselho era: “Não assuma compromissos do tipo "vou iniciar uma dieta", "vou começar alguma atividade física", "vou terminar o curso de inglês". Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros”.
A princípio achei que autor estava mesmo era desiludido com o Ano Novo... Afinal, é claro que devemos projetar, temos que ter foco, preciso romper... Não é assim que vivemos? No entanto, ao deixar um pouco de lado o emocionalismo e pensar de uma forma mais racional, vejo que ele tinha razão.
Vivendo assim, somos bem semelhantes a um relógio, onde seus ponteiros passam sempre pelo mesmo caminho, sua semana é sempre igual, seu mês não muda nunca, entra ano e sai ano e as badaladas são as mesmas.
A grande frustração hoje não é olhar para os meses que passaram e ter a sensação que estava estacionado, na realidade a verdadeira frustração acontece quando na nova lista de fim de ano os itens são quase todos os mesmos do ano passado.
Projetar é necessário, mas não posso pensar que tenho o controle da forma de sua execução. A palavra de Deus fala: “Ao homem pertencem os planos do coração, mas do SENHOR vem à resposta da língua” (Pv 16.1 NVI).
Não quero aqui desanimar ou apagar itens de sua lista ao dizer que neste ano que se inicia nem todos os seus pedidos serão atendidos por Deus, todos serão ouvidos, mas atendidos não.
Deus trabalha muito além do que é visto, palpável, imediato; ele tece no plano de fundo, lapida nosso futuro. Deus diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55.8).
Todo o controle está nas mãos de Deus, um Deus, que o céu é o seu trono e a Terra é o escabelo de seus pés não teria uma visão limitada como a nossa, portanto, sente-se no sofá e deixe o controle nas mãos certas, assista a programação que Ele escolher para sua vida em 2012. Ed René Kivitz disse citando Frankl: “Gosto de Viktor Frankl quando diz que "se a situação é boa, desfrute-a; se a situação é ruim, transforme-a; se a situação não pode ser transformada, transforme-se". Isto é, quando amanhece chovendo, e Deus, em sua perfeita economia, decide não atender meu pedido por sol, eu saio na chuva mesmo. Ultimamente, para falar a verdade, quando amanhece chovendo, eu fico um bom tempo na janela tentando perceber de Deus se o melhor que poderia acontecer não seria a chuva. Já aprendi que não vim ao mundo para fazer pic-nic.”

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Lição para casa

Amar quem nos ama é afeto correspondido, porem, não quer dizer que o afeto será da forma que queremos e nem sempre no momento em que desejamos.
Ao falar sobre o amor, Jesus transmite uma mensagem um tanto quanto complicada de se entender, pois Ele apresenta a “contramão” do pensamento humano...
Sempre que falamos de amor, nossas mentes perscrutam as lembranças da pessoa amada, e logo sua imagem, seus gestos, a música preferida e até mesmo o seu perfume parece exalar no ambiente que estamos...
Daí vem Jesus e solta uma bomba... “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” Mt 5.44.
Como assim? Amar, bendizer, fazer o bem, orar, pelos inimigos?
Que história é essa? Se apanhar ainda tem que oferecer a outra face? Afinal o que vou ganhar com isso?
As nossas duvidas e questionamentos eram as mesmas daquela época.
Para a multidão, Jesus estava descontrolado. Realmente esse homem precisa de um tratamento, de algum especialista em relacionamento para lhe acompanhar de perto, não se ensina a ficar junto, andar, conviver, amar o inimigo.
A idéia era e continua sendo indigesta. Falar para judeus que eles precisavam amar os inimigos realmente era um tapa na face.
Num mundo “condominial” no qual vivemos cada dia mais fechado e isolado, dizer que é necessário amar o odiado é simplesmente absurdo, é impensável.
No entanto, o Mestre do Amor, ensina o remédio para a ferida do rancor, para a chaga do ódio... É simplesmente amar.
Como esta escrito em Dhammapada: "O ódio não cessa com o ódio em tempo algum, o ódio cessa com o amor: esta é a lei eterna”.
Não adianta tampar uma ferida esperando a cura se as suas raízes já chegaram à alma.
O clérigo holandês e professor da Universidade de Harvard, Henri Nouwen, disse certa vez: "Acho difícil conceber uma maneira mais concreta de amar do que a de orar pelos inimigos. Isso conscientiza você do fato de que, aos olhos de Deus, você não é mais, nem menos, digno de ser amado do que qualquer outra pessoa; e cria uma consciência de profunda solidariedade com todos os outros seres humanos. Cria em você uma compaixão que inclui o mundo e lhe provê um coração cada vez mais livre do compulsivo desejo à coerção e à violência. Além do mais, você ficará encantado ao constatar que não pode continuar com raiva das pessoas pelas quais você ora. Você perceberá que está falando diferente com - e sobre - elas, e que realmente está disposto a fazer o bem àqueles que o ofenderam”.
Tente... O máximo que poderá acontecer será um coração curado e feliz.
E se o coração esta feliz então logo descobrirá, pois "O coração alegre aformoseia o rosto..."
Pv 15.13.

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

LEI-tura

É triste ver que muitos projetam seus vôos com “assas alheias”, não têm suas próprias convicções, vive uma vida pequena, com uma visão minúscula de mundo.
Um acreditacionismo estúpido e perigoso, onde qualquer coisa dita se torna uma verdade. Programas televisíveis, ditam, guiam, tornam-se os Senhores da verdade.
Uma geração em busca de vôo, alto, longo e promissor, mas que se apóiam em ombros pequenos e não confiáveis. Nunca se busca a fonte, não há pesquisa para saber a origem e a veracidade das “teorias”, “doutrinas” e de tantas palavras “do original”. A sociedade realmente encantou-se com “Ícaro”, mas esquecem que existe o Sol, e este pode por a prova todo esse tolo emaranhado de idéias e concepções.
Nossa pátria amada não é tão amante da leitura, poucos são os que se aventuram na contra mão, a doutora em literatura da PUC de São Paulo, Vera Bastazin diz que o importante, seja na internet ou fora dela, é a formação do leitor. “A questão da leitura é uma questão, eu diria, de segurança nacional. Você quer formar uma grande nação? Você tem de investir em bons leitores. O bom leitor é aquele que vai construir um pensamento próprio. Eu costumo dizer que aquele que constrói um pensamento próprio tem um vôo de autonomia. Isso é uma autonomia de vôo, porque ele sabe pensar sozinho”, defende Vera.
A questão é que comemos tudo que se coloca no prato, de forma rápida, sem perguntar, sem questionar, o negócio é absorver... e repetir, repetir... e inchar e nunca crescer...
Aplicando a idéia da professora Bastazin à igreja, só se tem uma grande igreja se tivermos bons leitores. É triste ver que muitos questionam, ficam tristes e dizem que a igreja é fraca e está passando por um período difícil... Realmente, tenho que concordar com estes, pois a igreja não é o estrutural e sim o pessoal. Um pessoal que não lêem, não estuda, não busca e querem alçar vôos longos em busca do infinito apoiando em idéias que nem sequer sabem de onde saíram se é que um dia deveria ter saído.
Permitam-me recontar-lhes, resumidamente, a conhecida Parábola dos urubus e os pintassilgos: Certa feita, os urubus tomaram o poder na floresta e impuseram seu estilo de vida a todos os animais. Sua culinária, sua moda, sua estética e mesmo suas preferências musicais tornaram-se o padrão e a referência para todos. Os pintassilgos, muito cordatos, esforçavam-se sobremaneira para corresponder às exigências dos urubus. Entretanto, os pobres pintassilgos não conseguiam se acostumar com o cardápio de carniça que deveria substituir sua dieta de frutas, tão pouco conseguiam andar como os urubus, reproduzir-lhe os requebros e os grunhidos que os urubus chamavam de música. Observando os desajeitados pintassilgos, os urubus concluíram sumariamente: “Não adianta. Um pintassilgo sempre será um urubu de segunda categoria”. Esta estória, escrita por Rubem Alves, demonstra muito bem como todos nós procuramos modelos para pautar nosso estilo de vida. E os há de toda espécie. Uns mais para urubus, outros mais para pintassilgos.
Gostaria de lhe apresentar um estilo bíblico a ser seguido como igreja. No texto de Atos 17, o autor deixa transparecer um juízo de valor que apresenta a Igreja em Beréia como sendo mais nobre que a de Tessalônica. Numa leitura atenta, podemos ver como a comunidade de Tessalônica se mostrou invejosa, intolerante, violenta, incapaz de fazer autocrítica, hipócrita, incoerente, manipuladora, corrupta entre outras “qualidades”. Tessalônica era a comunidade da qual teríamos vergonha. Mas, a poucos quilômetros dali, outra igreja entrou para a história, pela escrita de Lucas, recebendo os elogios que toda igreja gostaria de receber para si. Vejamos, então, quais as características que fizeram de Beréia uma igreja mais nobre. Primeiramente, Beréia era uma comunidade aberta, segundo, uma comunidade madura e terceiro uma comunidade missionária, tudo isso devido a um simples fato – eram exímios leitores, questionavam o que estava no prato, não comia sem antes conhecer o alimento.
Afinal, que tipo de Igreja queremos ser? Qual a nossa mais legítima identidade? Quando simplesmente copiamos estranhos modelos, perdemos nossa identidade e passamos a ter vergonha do nosso nome, mas se revitalizarmos nossa tradição à luz da Palavra de Deus, teremos orgulho de sermos o que somos – e, talvez, descubramos, afinal de contas, que não é tão ruim, assim, ser pintassilgo. A conversão, verdadeiramente impressionante para nossos dias, seria a de nossas comunidades serem menos Tessalônica e mais Beréia: Uma comunidade que tem nas Escrituras Sagradas seu mais forte referencial. Uma verdadeira e nobre comunidade hermenêutica: aberta, madura e missionária, como bem relata Luiz Carlos Ramos.

Desejo-te então uma vida de muita leitura...

Em oração e sempre lendo,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um grande fardo

A velocidade dos acontecimentos e suas propagações nos assustam e constantemente somos pegos de surpresa.
E por vivermos em uma sociedade que é “produto do meio”, somos moldados a esse rápido ensino, construindo sonhos que devem ser alcançados “ontem”, pois o “hoje” já é tarde.
E dessa forma pulamos, destruímos, esquecemos, aniquilamos, sufocamos, matamos etapas essências em nossas vidas... E nem sempre, pra ser sincero, muito mais não do que sim, serão as respostas que ouviremos no decorrer da vida para os projetos que EU quero que seja realizado no MEU tempo. E em meio a tamanho turbilhão, correria e atropelos, somos afetados pelo mal do século – a ansiedade.
Embora em muitas passagens da Bíblia tenhamos promessas da fidelidade, da provisão e da proteção de Deus, umas das tarefas mais difíceis dos cristãos, a meu ver, consiste em seguir a ordem expressa nas três palavras "não andeis ansiosos".
Creio que se muitos de nos tivéssemos a oportunidade de conversar com o apostolo Paulo antes de escrever sua carta aos Filipenses, tentaríamos convencer o discípulo de Jesus para não transcrever tais ordenanças que estavam lhe sendo transmitidas através do Espírito Santo.
Na versão NVI, diz: “Não estejais inquietos por coisa alguma” Fp 4:6
Como se já não fosse difícil observar as três primeiras palavras, o apostolo termina a frase: “... por coisa alguma”.
Aqui, não existe um campo de exceções. Não se exclui algumas intempéries, contrariedades, decepções, frustrações, abandono, projeto falhos... não, a Bíblia não nos mostra tal faixa de “acostamento”, não existe a situação de podermos estar ansiosos em relação a um determinado assunto.
O grande problema é que um coração tomado pela ansiedade não agrada, não chama a atenção e muito menos louva a Deus.
Onde existe ansiedade, impera a incerteza. E se no capitulo 11 de Hebreus no seu primeiro versículo diz: Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”, então concluímos que no coração ansioso, não existe fé, logo sabemos que: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” Hb 11.6 (NVI).
Como então proceder? Como seguir se somos tão atribulados pela ansiedade, tomados pela inquietação?
Muitas vezes procedemos como pessoas que usam o elevador, mas não colocam a pesada mala no chão, preferindo segurar todo o peso. Na verdade cremos, mas simplesmente não nos aventuramos a entregar a nossa carga de preocupações Àquele que quer se preocupar conosco, que cuida de nós e nos conclama na Bíblia: Não se preocupem!
Muito alem de nossa pequena ansiedade existe um grande Deus, pai, pai amoroso, que tem cuidado de cada um de nos.

Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29.5). Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!

Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém disse: "Deus participa do funeral de cada pardal". Quanto mais preciosos somos nós do que um pardal (Lc 12.6 e Mt 10.29)?!

Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6.28-30). Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1 Co 9.9-10)!

Jesus Cristo, o Bom Pastor, toma sobre Seus ombros cada ovelha perdida que encontra (Lc 15.3-7) como o sumo sacerdote trazia sobre seus ombros e sobre seu peito os nomes das doze tribos de Israel (Êx 28.6-29). E Jesus é o grande Sumo Sacerdote.

Nossos nomes estão gravados nas Suas mãos. Na cruz Ele nos sustenta plenamente (Is 49.16).

Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10.30 e Sl 56.9). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?

Nenhuma arma forjada contra nós prosperará (Is 54.17); nós somos como a menina do Seu olho (Zc 2.8).

Não submergiremos nos rios e não queimaremos no fogo (Is 43.2).

Em toda a nossa angústia Ele é angustiado (Is 63.9).

Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121.3-4).

Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139.2).

Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (Jo 10.11), e não cuidaria de nós todos os dias?

Ele nos carregará até que tenhamos cabelos brancos e cuida de nós "desde o princípio até ao fim do ano" (Is 46.4 e Dt 11.12).

E em Hebreus 13.5 lemos: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei".

Concluindo, a versão da Bíblia Viva traz uma visão muito interessante de Fp 4.6: “Não se aflijam com nada; ao invés disso, orem a respeito de tudo; contem a Deus as necessidades de vocês, e não se esqueçam de agradecer-Lhe suas respostas".

Faça assim, viva desta maneira e será um grande vencedor... Destruindo por vês a ansiedade.

Em oração,
Paulo Henrique.
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