sexta-feira, 3 de junho de 2011

Realmente não é fácil. Há momentos que tudo parece estar desmoronando e ruindo ao chão. A fadiga, a incompreensão, os sacrifícios, as perdas, derrotas e frustrações, parecem caminhar lado a lado nestes momentos com o já cansado “lutador”. E esse aglomerado de “males” confronta e expõe o que de mais frágil temos e somos – seres dependentes.
Abraão dependia de um filho para deixar o seu legado, a historia do seu nome – e sem explicação nenhuma Deus resolve pedir ao patriarca para dar um fim e encerrar o seu projeto. Foi o mesmo que pedi-lo para esquecer de seus sonhos, de sua alegria, de sua família, de seu nome, de sua origem, de seu tudo. Já era um velho homem, poucas esperanças, a força de sua juventude já estava esvaindo pelos longos e pesados anos da velhice e quando tudo parece estar resolvido, afinal, Deus lhe havia concedido um herdeiro, agora esse cruel pedido.
No caso do profeta Elias – I Rs 19.1-7, despertou no profeta do fogo o seu medo, a perversa rainha Jezabel envia um mensageiro a Elias para “ler” sua sentença de morte e toda a chama do profeta é apagado pela água do pânico, sua única atitude agora é fugir e esconder.
Tanto em Abraão quanto em Elias, tais histórias nos ensinam muito.
No primeiro caso, a triste jornada do patriarca parecia ter chegado ao fim, ao ser-lhe presenteado por Sara, sua esposa, o filho amado e tão esperado – Isaque, o querido filho da promessa, no entanto, Deus pede ao velho o seu tudo. Talvez o cansado homem poderia ter imaginado que um dia Deus lhe pediria sua fazenda, seu rebanho, quem sabe até os seus servos e pastores, mas pedir o filho? Isso realmente o surpreendeu, ao ponto de não contar nem mesmo a sua querida esposa o que estava acontecendo, quem sabe por medo de não entender o pedido.
Em nossas vidas, existem momentos (como bem expressa um grande amigo de ministério – um estreito de Deus), em nossas vidas que realmente parece não haver explicação. Quando tudo parece estar indo bem, os caminhos mudam e deparamos com situações e renuncias que nunca imaginávamos.
No caso do profeta, tudo o que ele havia feito foi em prol de defender o nome do Deus altíssimo, tudo para defender a obra do Senhor. E da mesma forma, parece acontecer em nossas vidas em determinados ocasiões. “Tudo o que fiz foi para obra, dedicação e apego era o meu lema”, e subitamente, quando menos se espera, chega à sentença. Elias pareceu ter razão para tamanha lamentação, afinal, onde estava o Deus que queimou toda a madeira encharcada de água? Será que não poderia fazer o mesmo com seus inimigos?
Tais fatos parecem saltar para dentro de nossas vidas, bênçãos que há muito tempo pedimos e quando alcançada, vem o pedido para renuncia-la. Momentos que tudo o que fazemos é pra obra de Deus, e sem entender nada, surgem às perseguições e açoites.
Interessante, que apesar de não serem contemporâneos e vivem em lugares diferentes, há uma ligação intensa entre os dois personagens, colocando-os semelhante em atitude. Mesmo sendo pedido o filho ao primeiro personagem e ao segundo sendo decretado sua morte, ambos seguem seus caminhos, o primeiro rumo à terra de Moriá e o segundo deixou seu servo em Berseba e seguiu sozinho para o deserto. Dois homens de Deus, mas que agora tudo o que eles queriam era tirar aquela sufocante angustia de seus corações. Tanto o patriarca quanto o profeta são visitados por Deus, ao primeiro em sua visita é lhe feito um pedido, ao segundo é lhe dado uma informação, mas note que foi necessário nas duas historia existir algo em comum, fazendo com que esses homens se tornassem semelhante em suas atitudes. Estou falando de FÉ.
Abraão acreditou que Deus para si providenciaria o cordeiro para o holocausto.
Elias confiou que não estava sozinho naquela peleja e que ainda existiam sete mil que não haviam dobrado diante Baal.
A diferença na caminha é a Fé. O firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Abraão sai do nível de fazendeiro para entrar na galeria da fé, tornando se o pai da fé.
Elias, um dos maiores profetas, só conseguiu passar pelo deserto, em seus longos e difíceis quarentas dias, pela fé.
Porem, viver por fé não é fácil, existe uma frase de autor desconhecido que diz: “O maior ato de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus”.
E ai passa a realmente conhecer a fé, depender de um Deus que tudo conhece e sonda, e no momento certo, sem atraso, Ele chega.
“Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura”. (Rabindranath Tagore).

Tenha fé.

Em oração,
Paulo Henrique.

2 comentários:

  1. O poeta cristão Sérgio Lopes assim compôs:

    'Quando a força te faltar
    A coragem te deixar
    E as lágrimas banharem o teu rosto
    E sentir a sensação
    De uma eterna solidão
    Esperando um futuro que passou
    É exatamente assim
    Quando tudo está no fim
    Quando já sofremos tanto no deserto
    Se tua força não puder
    Te fazer ficar de pé
    Esse é o momento do poder da fé
    A fé so abre os mares
    Quando o momento chegar
    A fé se manifesta
    Quando o limite da força acabar
    A fé tem seus segredos
    Não se revela ao que tem medo
    Mas ao que luta
    Até o momento da fé chegar".

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  2. A fé é tudo isso. Com ela podemos entender o que disse o puritano Charles Spurgeon: "Uma pequena fé levará tua alma ao céu; uma grande fé trará o céu para sua alma."

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