terça-feira, 19 de abril de 2011

A calça curta e a meia

Realmente incomoda. Sendo jeans ou social (para com minhas descrições por aqui, pois não sou nenhum especialista), o certo é que se sentado ou em pé – ela fica sempre incomodando.
Interessante é que o verdadeiro incômodo não é o seu tamanho, e sim o que ela mostra, ou seja, o que ela não cobre – as meias.
Agora sim, chegamos ao ápice do problema. Se cruza as pernas, lá estão as meias (branca, preta, cinza, encardida, etc.). Se está sentado, a calça insiste em mostrar as “canelas” e lá estão elas novamente, com o seu mesmo ar sem graça mostrando a cara. Se levanta para consertar o problema, parece uma estranha figura, da cintura para cima – tudo bem, mas da cintura para baixo... A calça pode até ser bonitinha, passadinha, mas as meias... É; realmente não tem jeito.
Interessante que se a vestimenta é um short ou uma bermuda, pode até usar um tênis e meia, só que esta é soket; quanto menorzinha melhor (se ficar quase dentro do tênis é perfeita). Sem contar que com o passar do tempo – relaxa, suja, fura e incomoda qualquer um.
No entanto, quando se machuca o pé, um dos piores inimigos é a meia. Se por um pequeno vacilo no curativo a meia tocar a ferida, aí sim, a situação complica.
Engraçado as descrições deste texto, mas nossa vida de certa forma é semelhante a tudo isso.
Existem situações que realmente é uma verdadeira calca curta, e toda forma que agimos, sempre ficamos em um estado pior, mais feio.
A questão nem é a calça, ou seja, a situação em si, o problema mesmo é o que a calça curta esta prestes a revelar – as nossas meias. Digam-se, as horríveis meias – sujas, relaxadas, furadas, encardidas.
Se a situação vier à tona, todo o meu pecado será revelado.
Realmente, a calça curta incomoda. Mas é a meia que demonstra o pior da vestimenta errada.
Quantos têm tentando esconder seus erros, suas cobiças, murmurações, egos, promiscuidades, prostituições, debaixo das curtas calças de suas vidas.
Esquecem que existe um Deus que vê além das suas vestes (de seus enganos e mentiras), atinge o mais profundo do coração.
Por três vezes foi necessário o Senhor perguntar a Pedro:
“- Pedro, tu me amas? Sim Senhor”. (Superficialidade);
“- Pedro, tu me amas? Senhor, tu sabes que te amo”. (Afirmativa humana);
“- Pedro, tu me amas? Senhor, tu sabes que não tenho outro bem além de ti”. (Profundidade do coração)

Por mais que as calças estejam mostrando as meias que você insiste em esconder – sinta-se a vontade de descalçá-las diante do Senhor, pois na presença d’Ele nada disso é necessário. Ao se apresentar a Ele, a primeira coisa que Deus ira tirar de você é seus calçados. Agora a calça não precisa ser curta ou cumprida – não existem mais meias para serem tampadas.

“Moises tira a sandálias dos teus pés, pois o lugar que pisa é santo”.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Verbo

Quando a língua é mais rápida do que a razão, quando o dedo aponta mais que o coração possa acolher – rapidamente e indubitavelmente caminhamos rumo ao fracasso e ao descredito.
Assusta-me ver homens com tolos dizeres firmando suas palavras em solo tão prestes a ruir.
Em todo o universo, nada é mais duvidoso que o coração do homem.
O grande líder Moises, deixou de ouvir a voz de Deus, e ai invés de falar com a rocha preferiu batê-la.
Por não pensar, e ter facilidade em jurar, Jefté ficou conhecido por seu voto – pagou um preço muito alto por não saber frear sua língua.
O monarca israelita não soube usar as palavras e destruiu o seu relacionamento com seus filhos – engano, estupro, assassinato, adultério, traição e perseguição – tudo isso Davi enfrentou dentro de sua própria casa, por usar poucas vezes as palavras e demasiadamente as sanguinárias mãos.
No entanto, nenhum conseguiu atingir o declinou do fracasso como Judas, tamanho declínio que lhe concedeu um triste adjetivo – o traidor.
Infeliz momento. Palavras mal+ditas (forma errada e maldição), língua muito rápida para entregar o homem que caminhava tão devagar no meio da multidão.
Dedo indicando a direção certa para a morte e contraria a sua própria salvação.
Homem que conhecia onde Jesus estava, mas nunca encontrou Cristo.
Andou com Ele, mas nunca seguiu seus passos.
Conheceu o autor da vida, mas morreu em meio à ruina e vergonha.
E infelizmente, por mais triste que seja essa mesma tipologia se enquadra perfeitamente em nossas vidas congregacionais.
Homens deuses em seus tribunais pulpitonianos com uma velocidade imensa para sentenciar e apontar os “crimes” dos pobres mortais, e extremante vagarosos e inertes para acolher e amar – mortais que foram amados de uma forma imensurável por Deus e agora subjugado por meros homens.
Em suas acusações, exímios linguistas, usam de todos os recursos teológicos sentencialistas para lançar nos calabouços os que devem ser esquecidos e punidos – Apontam demais, amam de menos – ou será, apontamos demais e amamos de menos.
Faltam sim, muito amor e compreensão em nossas “comunidades” ditas cristã, mas talvez o que mais tenha faltado mesmo é a conjugação verbal correta – singularizamos demais e pluralizamos de menos.

Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Transformação

O lamentoso profeta Jeremias, demonstra algo interessante no capitulo 31 em seu livro. Ele fora forçado a ver que o concerto mosaico, mesmo sob os seus melhores aspectos, fora apenas externo. Na nova era (apresentado no v.33), Iavé faria um concerto duradouro, escrito no coração e exeqüível de dentro para fora, em vez de ser uma imposição de fora para dentro. A experiência pessoal da misericórdia do Senhor teria como resultado uma melhor correspondência a essa misericórdia, uma lei criada através da comunhão impregnada de conhecimento e reverência. O perdão geraria a gratidão, e desta surgiria uma melhor obediência que cumpre, não pelo receio do castigo, mas impelida pelo amor, um novo concerto numa natureza recriada. Era esta a base da visão, e oração, e esperança, de Jeremias. Moisés era o meio de um concerto externo; Jeremias o proclamador de um concerto interno; Jesus, o Messias, seria o criador do concerto eterno, do qual Jeremias foi digno precursor. Aqui se vê, pois, a continuidade da graça soberana de Deus transmitindo através do concerto um profundo perdão do pecado, uma mais rica experiência do próprio Deus nessa comunhão, conduzindo a uma mais nobre fraternidade entre os homens. Uma visão, uma esperança, uma dedicação.
O conceito de uma nova aliança é a mais importante contribuição de Jeremias ao pensamento bíblico. O Antigo Testamento menciona com freqüência a aliança que Deus estabeleceu com Israel (Ex. 19.3-8; 24.3-8; Dt. 29.1-29), aliança essa que foi o fundamento da vida nacional e religiosa dos israelitas. Deus torna claro, através de Jeremias, que Israel fracassou no cumprimento dessa aliança (7.21-26; 11.1-13) e prediz que Ele fará uma nova aliança com o Seu povo. Segundo Moody, a nova aliança não será uma nova lei (a velha lei continuava boa), mas produzirá um novo "coração" – isto é, dará uma nova motivação na obediência à lei de Deus. Jesus, quando instituía a Ceia do Senhor, declarou: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (I Co. 11.25; cons. Lc. 22.20). A epístola aos hebreus ensina que Cristo estabeleceu a nova aliança através do Seu sacrifício perfeito e final pelo pecado (Hb. 7.22; 8.7-13; 10.15-22; cons. II Co. 3.5-14).
Apesar da Lei ter sido implantada por Deus através de Moises em uma concepção externa e proclamada a necessidade de haver mudança interna como pregou Jeremias, o sacrifício do Calvário realizado por Cristo para selar o concerto eterno parece não haver muitos “adeptos” a essa Nova Aliança – segundo Philip Yancey em seu livro Maravilhosa Graça diz que temos uma forte tendência em querer a Velha Lei (não que esta seja ruim), enquanto desprezarmos a Nova Aliança (invalidando o real sacrifício) e assim continuamos com a Lei – um velho e bom homem, mas sem nenhuma transformação interna.

Em oração,
Paulo Henrique.
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