segunda-feira, 21 de março de 2011

Descredibilizando o sagrado

Basicamente o culto divide-se em 05 etapas: A oração inicial, os cânticos da harpa cristã, leitura bíblica, oportunidades e ministração de louvor e palavra – basicamente isto. No entanto, a oração inicial é de um minuto, os cânticos da harpa de dez a quinze minutos (quando organizado), a leitura bíblica oscila de três a cinco (quanto menor o Salmo melhor) e agora as oportunidades e as ministrações que em média duram cerca de cinqüenta minutos... ixi, ainda tem a palavra, mas tá tudo bem, ainda resta dez minutos, é tempo suficiente para Deus falar – afinal não é por muito falar que seremos ouvidos.
Não há problema algum com o tempo, desde que fosse o culto assim TOTALMENTE guiado pelo Espírito Santo, a questão é que esta “organização” litúrgica do culto é simplesmente construída para agradar a gregos e troianos. Se tiver dez equipes de louvor e duzentos cantores – todos têm que cantar (pois ao contrário, o levita emburra (no burro) ao invés de se espiritualizar (no Espírito)), e assim o precioso tempo escorre pelos rápidos ponteiros do relógio.
Acho interessante a liturgia de Cristo, o seu culto era perfeito, simplesmente assim.
Simples, sem palco ou luz, nada de fumacinha de gelo seco, a sua equipe era composta por homens simples e sem nenhuma técnica. Mas o grande diferencial que vejo aqui não é o “corpo ministerial” desta igreja e sim os membros.
Pessoas que realmente tinha sede, fome, desejo de aprender a palavra de Deus – passavam horas sentados (no chão) para ouvir as simples e belas palavras de Jesus.
Hoje, com toda parafernália dos nossos templos, não existe esse interesse em permanecer um pouco mais, ou que seja até mesmo durante apenas os noventa minutos do culto – parece haver uma síndrome ou um medo que seja de passar mais de uma hora e meia na igreja, é como se a terra fosse abrir e tragar a todos – quando se aproxima das nove é uma verdadeira correria, até parece a largada da corrida de São Silvestre.
Presta-se hoje muito mais atenção na roupa, no brinquedo do filho do irmão, na forma que se senta, no gesto que se faz, no grave ou agudo do som, na “regência” de alguns tentando comunicar com o sonoplasta ou até mesmo no inseto que insiste voar no pátio da igreja – TUDO chama atenção, menos o culto e para quem está sendo direcionado. Narra-se uma historia que certa vez cansado de ver seus sermões caírem no vazio, um pastor resolveu dar uma lição inesquecível aos seus ouvintes. Num dos cultos semanais mais concorridos, ele subiu ao púlpito com seu aparelho de barbear, bacia, água, espuma, caneca, espelho e toalha. Nem sequer cumprimentou a igreja e, tranqüilamente, colocou água na bacia, testou a temperatura, ajeitou o espelho, pegou uma caneca, fez espuma, passou na cara, e começou a se barbear. Gastou vários minutos nisso, que pareceram uma eternidade para os presentes.
Ao final, quando todos esperavam que o pastor fosse fazer um desfecho maravilhoso, fosse lhes apontar o "moral da história", ele simplesmente enxugou o rosto com a toalha, encerrou o culto e despediu o povo de volta para as suas casas. Aquela semana foi atípica. O povo comentou o fato todos os dias, tentado adivinhar o significado de tudo aquilo: “-Que mensagem ele quer nos passar?”, “-Qual é o simbolismo espiritual da água, do sabão, do barbear-se?” Dias depois, quando ele subiu novamente àquele púlpito, a igreja estava cheia. O pastor olhou para a congregação e disse-lhes: - Sei que vocês querem saber o significado do que fiz aqui neste púlpito na semana passada. Bem, eu vou lhes dizer: não há significado algum! Nenhum simbolismo. Nenhum desfecho maravilhoso. Nenhuma mensagem. Nenhum "moral da história". - No entanto, se podemos tirar alguma lição disto tudo, é a seguinte: Há anos eu venho apresentando para vocês a mensagem bíblica, mas não tenho visto nenhuma mudança em suas vidas. Minhas mensagens têm caído no esquecimento, tão logo vocês saem do templo. Eu gostaria que vocês comentassem meus sermões durante a semana, do mesmo modo que se dispuseram a comentar o meu barbear nestes últimos dias, ou será que a minha barba é mais importante para vocês que a Palavra de Deus?

Em oração,
Paulo Henrique.

quinta-feira, 17 de março de 2011

E ai, vai encarar?

Falar de Fé sem mencionar Abraão é impossível, pois é através dele que conhecemos tal virtude e necessidade vital da vida cristã. Samuel em seu primeiro livro narra-nos no capitulo 17 uma historia de fé e coragem. O jovem personagem parece conhecer bem a historia Abraão, mas acima de tudo, Davi conhecia o Deus que o patriarca servia. Segundo o Pr Alexandre A. Pereira é apresentado alguns personagens nesta trama: Davi (O ungido amador), Eliabe (O não ungido profissional), Saul (O ex-ungido) e Golias (O antiungido).
UNGIDO E INCONFORMADO: Observamos neste capitulo que Davi não tinha nada a ver com a guerra, seu negócio era cuidar das ovelhas de sua família, ele cheirava ovelha (v. 20), e segundo a história era de pequena estatura e ruivo, nem de longe se parecia com um soldado. Ele, Davi ao obedecer a seu pai imaginou que iria chegar a um cenário de guerra e ver os filisteus todos mortos e seus irmãos vitoriosos iriam lhe contar sobre a vitória. Porém quando Davi chega ao local que deveria ser de vitória ele vê o exército de Israel todo amedrontado (v. 11) diante de um gigante chamado Golias. Davi inconformado, vendo que ninguém faria nada, resolve tomar uma atitude (v. 26), pois nunca tinha visto ou sabido de que o exército de Israel teria se amedrontado, ou se acovardado diante de alguém, estavam acostumados a vencer. Davi chega ao ponto de chamar Golias de incircunciso (v. 26), ou seja, “quem é este Zé ninguém?”.
O CONFRONTO: Davi quando saiu de casa levando alimentos para seus irmãos jamais pensava em participar de uma briga, embora ele nunca corresse de briga, pois ele mesmo relata que teria matado um leão e um urso, em defesa de suas ovelhas (v. 34). Agora Davi faz o desafio de sua vida (v. 37), Golias olha para Davi como se olhasse para uma criança que espanta um cão, mas Davi olha para Golias como se olha par alguém que esta preste a morrer, pois Golias havia afrontado o Deus de Israel, a quem Davi tinha extrema estima e temor. Davi quando tira a armadura de sobre si, algo oculto acontece, porém abro aqui um parêntese para dizer que esta atitude de Saul foi para zombar de Davi, pois a bíblia relata que em toda Israel, dos ombros para cima Saul era o maior, ou seja, ele era pelo menos duas vezes maior que Davi. Mas quando Davi tira a armadura ele começa a orar ao seu Deus, clamando por direção nesta batalha contra o gigante de Gate. Visão de ungido – um passo de cada vez, e todos guiados por Deus. Observando seu jovem irmão está Eliabe (O não ungido profissional), primogênito, experiente, mas sem fé – amedrontado pelos insultos humanos de um “grande sombra”; realmente não poderia ter sido ungido por Samuel, tinha tudo para ser o escolhido na casa de seu pai Jessé, mas Deus sondou o seu coração e contemplou ali um mar de covardia.
O “grande” Saul (somente em estatura humana), agora já não possui mais a presença do Espírito Santo de Deus que outrora havia entrado em sua vida. O ex-ungido, ao ceder sua armadura ao pequeno Davi, não ajudou em nada no encorajamento daquele jovem, pelo contrario, apenas mostrou sua frágil estrutura física de combatente. E na “aposta de guerra”, Golias era o favorito. Gigante, forte, guerreiro, suas pisadas faziam o chão tremer - sua armadura? Nem precisa comentar. Realmente ele era o cara – ops!!! (volta à fita), ele era o cara, o cara sem Deus, o incircunciso (o zé ninguém).
Segundo Martin Luther King Jr. "Fé é pisar no primeiro degrau, mesmo que você não veja a escada inteira." Foi o que aquele ruivinho fez – subiu a escada e alcançou a vitória. E você? Ta olhando para os homens e suas pequenas sobras ou para o Senhor dos Exércitos?

Em oração,
Paulo Henrique.

Um por todos e... eu por todos

Ele é o centro, independência total, o senhor de todas as coisas, tudo gira em torno de si mesmo. Como são egoístas pessoas assim; tamanha ignorância lhe proporciona um mundo escuro a ponto de não verem a si mesmo.
Comunhão para estes é algo estranho e que ao ser mencionado lhes causam repulsa. Geralmente pessoas assim apresentam duas características: hipocrisia e falsidade - o que os tornam perigosos e auto-destrutivos.
Conforme analisa a professora de lingüística Cinthia Belonia, é difícil falar das duas sem mencionar um outro adjetivo: a arrogância. Assim existem os falsos, os hipócritas, e os arrogantes e alguns que conseguem ser 3 em 1. Exemplificando tais comportamentos observe a cena: Você está conversando, a sós, com um amigo quando, de repente, surge àquela pessoa que de alguma forma você não se dá bem, porem,  seu amigo adora. Só há três formas de comportamento: 1° você a cumprimenta (sorrindo de orelha a orelha) e puxa papo para deixá-la à vontade. 2° você a cumprimenta (com um sorriso à Mona Lisa) e se limita a responder apenas ao que seu amigo lhe perguntar. 3° você se levanta, se despede de seu amigo e vai embora, sem olhar a cara da fulana (isso quando não solta umas indiretas para ver se a carapuça serve). Se o seu comportamento é o primeiro, você é falso. Se for o segundo, é hipócrita. Se for o terceiro, é arrogante. Falsidade é inveja. Hipocrisia, educação devaneadora. Arrogância, a falta dessa.
Jesus nos ensina onde nasce e como vencer a falsidade: Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias”. (Mt 15.19). Se nasce no coração, então a única forma é preenche-lo com Cristo.
Para o segundo mal Ele diz em Mateus 23.13 “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar”.
E por fim, a Bíblia repreende a ignorância pela falta de amor nos atos do ignorante: “A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lê”. (Rm 13.8).
“O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lê”. (Rm 13.10).
De Gêneses a Apocalipse é tratado de tais temas, talvez pela grande presença em nossas vidas. Alguns conseguem camuflar, outros utilizam-se tais “ferramentas” para defenderem e preservarem seus “ideais”. O certo é que camuflando ou exposto, é mortífero da mesma forma.
Romanos 12.9-16, “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Este texto deixa claro que a vida cristã é para ser vivida coletivamente e não de forma isolada e solitária, ainda somos corpo de Cristo e isso nunca irá mudar.

Em oração,
Paulo Henrique.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Solidificai-vos

Um jovem cheio de vida e vontade de agradar a Deus foi trazido perante a corte do Rei para ser testado, seu nome era Daniel. Cheio de temor de Deus e sabedoria, era alguém impressionante, a primeira ação relatada deste jovem na Bíblia é demonstrativo de seu caráter muito forte: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”. (Dn 1.8), veja como a Bíblia diz que ele ‘resolveu firmemente’, notável, pois ele era alguém de caráter, firmeza e decisão. Não sei se hoje Daniel encontraria muitos Sadraques, Mesaques e Abede-Negos para estarem com ele em suas empreitadas, hoje nós temos uma geração que logo ‘deixa de resolver firmemente não se contaminar’. A pós-modernidade tem assolado furiosamente a Igreja e as mentes dos cristãos de nossa geração. Hoje em dia: eu decido o que é bom ou mal para mim; ou no quero ou não quero crer; muitos crêem que vida cristã é algo muito particular de cada um; que Igreja boa tem de ser agradável; divertida; flexível; que respeite minhas opiniões e minha liberdade de expressão. Líder jóia é aquele que me respeita e não me importuna; não fica na marcação; me deixa livre para ser eu mesmo. O mundo em que vivemos tem exercido uma pressão sobre a fé de nossos filhos, e a própria ‘igreja’ tem exercido uma pressão sobre os nossos filhos e sua fé, dizendo: cristianismo deve ser light e genérico sem apelação, mas a palavra de Deus diz a Igreja: “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal ”. (I Pe 3.15-17).
Solidifiquemos na pedra de esquina, o Cristo profetizado (Sl 118.22, no hebraico, pinnah), a pedra que os edificadores rejeitaram, mas que se tornou a PEDRA PRINCIPAL, - correspondendo ao sentido da palavra hebraica, que significa "principal" ou "da frente". Esse feito divino é uma maravilha aos nossos olhos. Envolve importantíssima doutrina do Novo Testamento. (Veja Mt 21.42; Mc 12.10; Lc 20.17; At 4.11 e I Pe 2.7). A idéia envolvida é que pedreiros insensatos (a nação judaica, no caso, para a qual viera o Messias, Jesus), tinham rejeitado o mais importante elemento de seu edifício espiritual, a saber, o Messias. Mas Deus corrigiu tal injustiça, assegurando que a "Pedra" que é Jesus e não Pedro, encontrasse seu devido lugar no templo espiritual, que somos todos nós, os salvos e lavados no Sangue Precioso de Jesus Cristo.
Assim, não ceda aos manjares do rei, resolva hoje mesmo firmemente manter sua vida espiritual, e adiante verá que o Senhor revelará a ti as maravilhas de Sua vontade, como fez com Daniel.

Em oração,
Paulo Henrique.

Temperatura mínima

É interessante os mecanismos que se usam para detectar a dilatação térmica das igrejas e de seus freqüentadores.
Em Física aprendemos que o aparelho usado para medir temperatura é o termômetro e não o audiodosímetro, onde este é utilizado para medir a intensidade sonora.
A igreja “precisa” fazer barulho, caso contrário pode haver algum defeito de fabricação. Quanto maior forem os decibéis, maior será a glória de Deus (?) – será mesmo diretamente proporcional essa afirmativa?
Observamos que a Palavra do Senhor nos apresenta degraus de amadurecimento para uma genuína vida espiritual, e nessa escada existem etapas a serem observadas. A problemática é, conforme me disse certa vez o Pr Gesiel Gomes, que muitos preferem o elevador e pulam do 1° andar para o 10°, sem passar pelo andar da humildade, da oração, da fidelidade, do companheirismo, da fidelidade, do amor e outros. É bem verdade que se tratando de simbologia, um dos símbolos do Espírito Santo é o fogo, no entanto, essa chama deve arder no coração – inquietando e purificando o homem que o aceita como Senhor. A dificuldade é que muitos exteriorizam essa “chama” em atitudes e meninices na igreja, no trabalho, na faculdade, no trânsito ou onde quer que o “mover do fogo” lhe toque.
A Bíblia mostra-nos homens e mulheres que viveram com Deus de uma forma intensamente intima e em nenhum momento agiram de forma pirofágica.
“E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas”.  “E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”. (Gn 5.22 e 24). Com certeza, ele não usou o elevador.
Um outro exemplo é Moises: “E aconteceu que, descendo Moisés do monte Sinai trazia as duas tábuas do testemunho em suas mãos, sim, quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que falara com ele”. (Ex 34.29). Este passou pelo andar da humildade, simplicidade.
E por fim, Elias: “E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho”. (II Reis 2.11). Note que todos estavam realizando no momento em que manifestou a Glória de Deus algo simples – vida com Deus, descendo, andando, falando. NADA de coisa de outro mundo.
O que me surpreende, é que os “efervescentes” não conseguem sentir a mesma “unção” quando alguém louva a Deus com uma canção sacra – tem que ser os hinos de fogo. Se a palavra ministrada é um estudo sistemático da Bíblia (EBD, por exemplo) – “- Não ta com nada, não vi ninguém gritando ou sapateando no espírito”. (Eu gostaria de saber que tipo de espírito é esse que precisa ser sapateado).
Bruce H. Wilkinson, em seu livro "Vitória sobre a Tentação", diz que existem apenas três temperaturas na vida cristã. Nosso coração pode estar frio, morno ou quente. Adoração é tanto o termômetro quanto o termostato da vida cristã. Se nosso coração está frio ou morno, isto ficará claro no modo como adoramos a Deus, se estamos mornos isso irá afetar toda nossa vida de adoração e louvor ao nosso Deus (Laodicéia).
Seja um cristão temperamental na presença de Deus, com um coração aquecido pela graça e o  amor de nosso Salvador Jesus Cristo.

Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sossegai

Em meio à tamanha hecatombe, a terra se dilui. Desastre, inundações, desaparecimento e mortes. Este é o cenário terrestre atual. Os naturalistas já predizem uma revolta atormentadora por parte da natureza, usando todo embasamento cientifico e até mesmo bíblico (Lei da semeadura), para explicar tamanho cataclismo.
Não que eu esteja inerte aos acontecimentos ao publicar um texto com este titulo, e muito menos que não sinta nenhum tipo de condolência para com o próximo. A questão é que o momento atual é muito mais de reflexão do que de desespero.
Parece que o salmista ao escrever os versículos dois e três do salmo 46, já observava de sua janela o “desastre natural”. A triste realidade é ver que muitos rejeitaram o Senhor dos Exércitos, e nunca se refugiaram no Deus de Jacó (v. 7).
Como então não se abalar? Como permanecer firme, se a edificação é enraizada em solo arenoso? “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. (Sl 127.1).
A cegueira humana é causada por sua própria soberba.
Quão amáveis são os caminhos de Deus, sua orientação, sua vontade.
Lutero ao deparar com tamanho cuidado e zelo, sente-se inspirado no Salmo 46 para escrever o belo e inesquecível cântico Castelo forte. Homem simples e sem nenhuma tecnologia que possuímos hoje, porem, com uma visão muito mais aguçada do que a visão dos grandes investidores e tecnólogos orientais, ocidentais... Ele compreendeu que independente do que façamos, TODO controle continua nas mãos de Deus. E como bem disse Charles Haddon Spurgeon: “Aconteça o que acontecer, o povo do Senhor é feliz e está protegido; esta é a doutrina do salmo, e ele poderia, para ajudar a nossa memória, ser intitulado O CÂNTICO DE SANTA CONFIANÇA, não fosse o amor especial do grande reformador por esse hino que comove a alma, ele provavelmente seria melhor lembrado como O SALMO DE LUTERO”.
E em meio ao caótico quadro global, o Senhor Deus se apresenta como o grande pacificador: “Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo” (v. 9), e nos convida a sossegar os nossos frágeis corações: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (v. 10a).
Como disse Mark Twain, o grande humorista americano do século passado: "Você não pode confiar em seus olhos quando sua imaginação está fora de foco”.
Hoje é tempo aceitável e oportuno para voltarmos os nossos olhos para Cristo – real segurança. Refugio e fortaleza presente.

“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22).

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Se possível...

É incrível como fugimos desta idéia... Se possível. Vivemos um período cinemático. É fazer parte do movimento sem importar com suas causas. O que vale é dar certo, não importa a forma, e pensando assim, atropela-se tudo e todos.
Lembra das palavras de Jesus no Getsêmani? “Pai, se possível, passa de mim este cálice sem que eu beba, todavia não faça a minha vontade mas a Tua”. (Lc 22.42).
Uma coisa é concordar com Deus quando a vontade dEle e a nossa coincidem. Mas e quando a vontade de Deus é totalmente oposta a nossa? Há uma luta entre a nossa vontade e a vontade de Deus. Muitas vezes agimos como se Deus fosse um gênio da lâmpada mágica e esperamos que diga “sim” para todos os nossos desejos. E infelizmente, a vontade humana (limitada) tem prevalecido na vida de muitos. Cristo ensina-nos uma grande lição naquele jardim – de forma clara o Senhor nos mostra que o egoísmo deve estar longe do nosso caminho. Ao pensar em si próprio, Ele contemplou a dor e a morte, a agonia e todo aquele sofrimento, e disse: “se possível”. É interessante, pois mesmo pensando em sí, Ele não rejeitou a cruz – se possível for, qualquer um de nos “pularíamos” essa parte e diríamos apenas o final da frase: passa de mim esse cálice.
A diferença estar no amor. Inexplicável amor, uma graça imerecida que foi jorrada daquele homem naquele jardim. Incompreensivelmente, apesar de saber tudo por sua onisciência - o trajeto, o desprezo, a agonia, a vergonha, a solidão e todas as mazelas que o pecado da humanidade lhe traria nas próximas horas – de forma descomunal, arranca força de dentro de sua alma e continua a frase: “... todavia, não faça a minha vontade mas a Tua”. Naquele momento o egoísmo foi sentenciado a morte, aniquilado, destruído. Existe um pensamento oriental que diz: "Se eu estender um lençol entre nós dois, você não poderá me ver, apesar de continuar a seu lado. Da mesma forma, embora Deus nos seja mais próximo do que qualquer outra pessoa, o véu do egoísmo nos impede de Vê-lo”.
A cruz simplesmente é a finalização da ponte que liga o homem a Deus. Ponte que custou cada gota de sangue do maior homem que existiu, mas por não haver egoísmo em si, foi o menor de todos.

Em oração,
Paulo Henrique.
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