quinta-feira, 31 de maio de 2012

A inveja


Competição é a palavra do momento. Vivemos em meio a um imenso circuito, e nessa pista parece não haver regras... Afinal estamos competindo, e cada um, de uma forma ou de outra almeja o pódio. Infelizmente, no decorrer do caminho muitos acabam alimentando alguns pérfidos sentimentos. E talvez neste perigoso catálogo conste uma das mais cruel e mortífera ação que o homem possa realizar... A inveja. Certa vez alguém disse: Pensa-se que a inveja é desejar ter o que o outro tem. Isso na verdade é a cobiça, também catalogada na Bíblia como pecado. A inveja segundo o dicionário é um misto de ódio e desgosto provocado pela prosperidade ou alegria de outrem. Em outras palavras, a inveja é a tremenda raiva que a pessoa desenvolve porque o outro está bem, está feliz. Existe uma fina distinção entre a inveja e a cobiça. “A pessoa cobiçosa quer possuir os bens do vizinho, enquanto que a pessoa invejosa lamenta esses bens. Ela fica triste por causa da prosperidade do vizinho” (W.F. May). A inveja se desenvolve geralmente entre pessoas que possuem o mesmo nível de vida, a mesma profissão, os mesmos relacionamentos, frequentam os mesmos ambientes. Se por exemplo, eu sou médico, eu não teria inveja do Pavaroti, porque ele milita numa área diferente da minha, mas se eu fosse cantor de ópera provavelmente teria por ter a capacidade que ele tem e não ter os méritos que ele possui. Veja ainda como as pessoas que frequentam os mesmos lugares morrem de inveja quando alguém recebe destaque ou brilha mais do que o invejoso numa festa. A inveja é também um sentimento interior que quase nunca é revelado. É algo guardado no coração. Olavo de Carvalho na crônica ‘Dialética da Inveja’ diz: “A gente confessa ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça. Inveja, nunca. A inveja admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em desistência resignada. A inveja é o único sentimento que se alimenta de sua própria ocultação”. O remédio para a inveja é amargo. A confissão deve ser o primeiro passo. Confessar a Deus que nutre inveja por tal e tal pessoa, que não suporta ver esse alguém sendo melhor, que tem raiva quando alguém recebe um elogio e eu não. Passada a confissão vem uma internalização teológica importante. Todos nós fomos criados a imagem e semelhança de Deus, portanto, fomos criados com valores e virtudes e existe espaço para todos no universo. Em terceiro lugar passar a ação. Aqui creio que o apóstolo Paulo nos ajuda na sua carta aos Romanos. Ele diz: “Amai-vos cordialmente, uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. E ele vai além para nos desafiar: “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Ser cristão é isso. O nosso problema será crer se vale à pena seguir a orientação da Bíblia ou tentar por nossos próprios esforços alcançar a felicidade.
Quem não é feliz com as bênçãos de Deus ainda vai morrer de inveja!

Em oração,
Paulo Henrique.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Paixões Perigosas

1 JOÃO (William Barclay)
O velho apóstolo João encontrava-se agora em Éfeso, provavelmente no ano 100 d.C . A cidade como relata Dwight Lyman Moody, o lar de João durante a última parte de sua vida, está localizado em uma planície fértil perto da desembocadura do Rio Caister. No tempo de Paulo era um centro comercial, da região oriental do Egeu e daqueles que passavam por Éfeso vindos do Oriente. Sendo a cidade a capital da província da Ásia Menor, o procônsul romano residia ali. Assembléias democráticas eram permitidas aos habitantes de Éfeso (Atos 19.39). O Cristianismo entrou na cidade em cerca de 55 d.C através do ministério de Paulo, e ele escreveu uma carta circular a Éfeso e a outras igrejas cerca de oito anos mais tarde. Antes de João chegar à cidade, muitos trabalharam ali pela causa de Cristo (Áquila e Priscila, Atos 18.19; Paulo, Atos 19.3-10; Trófimo, Atos 21.29; a família de Onesíforo, II Tm 1.16-18; 4.19; e Timóteo, I Tm 1.3). A moralidade em Éfeso era baixa. O magnificente templo de Diana, com suas 127 colunas de 19,80m de altura à volta de uma área de 140 por 72m, era como um ímã que atraía o povo à pocilga de Éfeso. Era uma casa de prostituição em nome da religião. E apesar da idolatria iníqua que havia nesse lugar, era a Meca ou a Roma dos religiosos, e o seu povo deliciava-se em intitular-se de "guardadores do templo" da grande Diana (Atos 19.35).
E é nesse cenário que o apóstolo do amor escreve a primeira carta intitulada por seu nome, em meio a riquezas, luxúrias e glórias.
William Barclay comenta que, muitos naquela época eram cristãos de segunda e até de terceira geração. A emoção dos primeiros tempos e do novo achado tinha passado para alguns, ao menos em certa medida. Os primeiros dias da cristandade se caracterizaram por sua glória e seu brilho, certa magnificência e alegria de viver. Mas ultimamente o cristianismo tinha chegado a ser uma questão de hábitos, como alguém disse: "tradicional, morno, nominal". O povo se acostumou a ele, e tinha perdido algo relativo à sua essência. Jesus conhecia os homens, e disse deles: “O amor se esfriará de quase todos” Mt 24.12. João escrevia numa época em que, ao menos para alguns, o primeiro entusiasmo tinha desaparecido, quando a chama da devoção se reduziu a uma efêmera piscada. A esta mesma Igreja de Éfeso o Cristo ressuscitado havia dito: "Tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor" Ap 2.4. Uma das primeiras conseqüências foi que havia membros da Igreja que encontravam incômodos e aborrecidos com as normas de conduta que o cristianismo exigia. Não queriam ser santos no sentido do termo no Novo Testamento. A palavra traduzida santo é hagios. Etimologicamente significa diferente. O Templo era hagios porque era diferente de outros edifícios; o sábado era hagios porque era diferente de outros dias; o povo judeu era hagios porque era diferente de outros povos; e o cristão estava chamado a ser hagios para ser diferente dos outros homens.
Houve sempre uma separação distintiva entre o cristão e o mundo. No Quarto Evangelho, Jesus diz: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” Jo 15.19.
O apóstolo entende então a necessidade de lutar a guerra pela verdade e durante toda a sua vida peleja contra as heresias gnósticas que insistiam penetrar no seio da igreja. Infelizmente parece haver uma escassez de “filhos do trovão” em nossos dias. E com tudo isso acontecendo novamente, ouvimos certos absurdos: Por que lutar se podemos ser ecumênicos? Podemos conviver de forma harmônica com as nossas pequenas diferenças de interpretações. Afinal não queremos contrariar as pessoas que nos cercam.
No entanto João diz: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. I Jo 2.15.

Somos peritos em agradar nossos amigos, e ágeis imbecis em desagradar a Deus.

Em oração,
Paulo Henrique.

domingo, 25 de março de 2012

Amado Filho


Grande é o privilegio concedido aos homens por Deus para serem pais.
O que torna sublime a paternidade é o poder de transformação que ela causa na vida de todos nós.
Do mais simples ao mais erudito, sem exceção, adultos, maduros, sérios... Derretem ao ver o sorriso mudo, o brilho dos olhos, os sons indecifráveis produzidos pelos pequenos novos moradores de nossas vidas.
Para os pais o tempo pára, para eles (pequenos “pacotinhos”), parecem avançar muito rápido... Como crescem.
Muitos procuram entender esse momento partindo de um ponto errado, olham para os filhos, no entanto, Deus nos mostra que é pra nós (pais) que devemos olhar, pois é com essas ferramentas, às vezes babadas, sujas, com sons hilários que Ele, o Senhor, vai nos moldando dia após dia e fazendo que entendamos o quão grande é o seu amor por nós.
Hoje o meu coração explode de alegria, pelo prazer, pela confiança, pelo gozo que Deus em sua infinita misericórdia me concede de poder olhar nos olhos do meu pequeno Davi e poder ver a mão de Deus agindo em minha vida através dessa tão graciosa oficina chamada paternidade.
Parabéns meu querido e amado filho pelo seu primeiro mês de vida... Que daqui muitos anos, possamos ler juntos, essa simples homenagem, porém, repleta de amor e carinho que hoje seu amigo pai lhe oferece, sabendo que no futuro muitas coisas deverão ter mudado, mas que o seu antigo e velho amigo continuará com o mesmo entusiasmo com o seu sorriso, com o seu cheiro, com seus gestos, com seus sons que fascina e encanta esse jovem pai que hoje entende o imensurável amor de Deus pela humanidade, e essa lição meu filho tive a honra de vê-la ser ministrada por você... meu pequeno grande professor, amigo, filho amado.

Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem cuja aljava está cheia deles! Não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal. 
Salmos 127.3-5 (NVI).

Em oração ao lado do berço,
Paulo Henrique.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cresça

Não precisa ser especialista para notar que estamos vivendo uma verdadeira fuga do ensino genuíno da Palavra de Deus.
Homens que se envolveram com movimentos que contrariam totalmente a doutrina bíblica, linhas teológicas (se é que assim podem ser chamadas) que não produzem nenhum crescimento espiritual.
E o mais interessante, estamos na mídia. Parece haver aqui um fator inversamente proporcional – quanto mais afastamos da Bíblia, mais ficamos “famosos”. Revistas, jornais, programas, matérias, entrevistas... Realmente estamos na vitrine de destaque.
É triste ver que fomos chamados para protestar e militar contra o mundo e o pecado, mas ao contrário, tanto o pecado quanto o mundanismo ganharam muitos pelos holofotes da fama, pelos prazeres do poder, pela brecha da carência e preguiça da leitura diária da Palavra do Senhor.
Como o escritor aos Hebreus no capitulo cinco têm se tornado cada dia mais atual. Veja:
“Quanto a isso, temos muito que dizer, coisas difíceis de explicar, porque vocês se tornaram lentos para aprender. Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” (Hb 5.11-14 NVI).
Realmente a Palavra de Deus se renova a cada manhã, Ela é viva.
Analisemos:
1° Tornaram lentos para aprender: Embora já devessem ser mestres ainda estão se embaraçando nos rudimentos, nas bases, nas primeiras coisas da Palavra.
2° Quem se alimenta de leite é criança: E por sinal fazem uma tremenda bagunça se não tiver quem as supervisionem. Talvez esteja aqui à resposta de tanta confusão, uma grande estrutura que ainda continua crescendo (a igreja), sendo “gerenciada” por pequenos administradores que se sentem cada dia mais donos da mesma.
3° Alimento sólido é para os adultos: interessante é a fórmula que o autor nos ensina para crescer – exercício constante – realmente, o crescimento espiritual é uma verdadeira maratona. Todo dia são necessários alguns minutos de oração, não esquecendo jamais do exercício diário da leitura bíblica, lembrando ainda que sem o exercício do jejum ninguém desenvolve e após pegar gosto pelos exercícios básicos a lista vai sendo cada dia complementada (a lista completa você poderá encontrar na Bíblia – Item 2 da lista básica de crescimento).
Portanto, saia do sedentarismo e desenvolva, verás que existem muitos alimentos saborosos e saudáveis a sua espera, deixe o berçário para aqueles que estão iniciando a caminhada, já está na hora de se inscrever em alguma maratona, e quem sabe amanhã se tornar um verdadeiro atleta do seleto grupo dos Ironman Triathlon.

Em oração (item 1 da lista básica),
Paulo Henrique

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Que som é esse?

No primeiro livro do profeta Samuel, no capítulo quinze é narrado uma história bélica, onde a nação de Israel deveria sair para a guerra contra os amalequitas, nação que outrora havia desafiado o povo escolhido quando estes saíram do Egito.
No versículo três existe uma ordem direta e muito clara do próprio Deus através de Samuel ao então rei de Israel, Saul – “Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao SENHOR para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos ” (I Sm 15.3).
Porem, com bem expressa o Pr. Lauro Celso de Souza – “A obediência foi, é e sempre será o pilar número um para uma vida vitoriosa em todos os aspectos. I Sm 15.22b diz: “A obediência é melhor do que sacrifício”. O ser humano sempre teve dificuldades em obedecer. Essa atitude começou no Éden e perdura até hoje, no tempo da graça”.
E para não fugir a regra foi o que Saul fez – desobedeceu.
O interessante neste texto é a forma que acontece a denúncia da desobediência, a Bíblia diz que o profeta Samuel saiu de madrugada após ouvir o descontentamento de Deus para com Saul e foi ao seu encontro, e logo ouviu um som, o balido de ovelhas e o mugido dos bois. Não precisava falar mais nada, o profeta já havia entendido, a ordem divina tinha sido descumprida.
O líder Saul havia feito a sua escolha e agora o som do rebanho denunciava sua errônea atitude.
Contextualizando, podemos aprender muitas coisas com o texto, como por exemplo: Ouvir e obedecer, e ainda, cumprir na íntegra as ordenanças divinas.
No entanto, em se tratando de liderança, há um ponto que vale a pena ressaltar. Todas as vezes que um rebanho fica alvoroçado, inquieto, fazendo barulho – é sinal que alguma coisa não vai bem. No texto citado, foi à desobediência. Em outros rebanhos podem ser as feridas, as magoas, as decepções, as frustrações, a ausência de pasto...
E é contemplando essa situação que Jesus se apresenta como o excelso pastor - “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11 NVI).
Não é difícil encontrar pessoas decepcionadas com a religião, com métodos, com promessas não cumpridas, com bênçãos infundadas, com a mecanização cultual, produzindo sons denunciantes – algo esta errado.
Em uma entrevista, o Pr. Caio Fábio foi questionado sobre o que ele achava da religião, ao dizer à repórter que a religião é morte, a mesma ficou surpresa ao ouvir tal declaração vinda de um pastor, isso só prova que aquela jovem não entendia nada de Bíblia. A pessoa que mais radicalizou a religião foi o próprio Jesus, demonstrando aos “santos religiosos” daquela época que não passavam de rebanhos sedentos pela verdadeira água – a Água da Vida.
Jesus contemplou uma nação que produzia muito barulho, mas um barulho que anunciava que no íntimo haviam feridas; necessitavam de cura, precisava consertar algo, daí Ele resolve se entregar a cruz – calado, a ovelha muda, que não abriu a sua boca segue para o calvário. Não tinha nada errado para ser denunciado, o silencio só anunciava o ato correto, que de uma vez por todas cessaria o meu e o teu gemido, o nosso balido.
Então antes de fazer barulho, consulte o silêncio, quem sabe não seja através dele que Deus esteja falando.

Em oração,
Paulo Henrique
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