terça-feira, 29 de maio de 2012

Paixões Perigosas

1 JOÃO (William Barclay)
O velho apóstolo João encontrava-se agora em Éfeso, provavelmente no ano 100 d.C . A cidade como relata Dwight Lyman Moody, o lar de João durante a última parte de sua vida, está localizado em uma planície fértil perto da desembocadura do Rio Caister. No tempo de Paulo era um centro comercial, da região oriental do Egeu e daqueles que passavam por Éfeso vindos do Oriente. Sendo a cidade a capital da província da Ásia Menor, o procônsul romano residia ali. Assembléias democráticas eram permitidas aos habitantes de Éfeso (Atos 19.39). O Cristianismo entrou na cidade em cerca de 55 d.C através do ministério de Paulo, e ele escreveu uma carta circular a Éfeso e a outras igrejas cerca de oito anos mais tarde. Antes de João chegar à cidade, muitos trabalharam ali pela causa de Cristo (Áquila e Priscila, Atos 18.19; Paulo, Atos 19.3-10; Trófimo, Atos 21.29; a família de Onesíforo, II Tm 1.16-18; 4.19; e Timóteo, I Tm 1.3). A moralidade em Éfeso era baixa. O magnificente templo de Diana, com suas 127 colunas de 19,80m de altura à volta de uma área de 140 por 72m, era como um ímã que atraía o povo à pocilga de Éfeso. Era uma casa de prostituição em nome da religião. E apesar da idolatria iníqua que havia nesse lugar, era a Meca ou a Roma dos religiosos, e o seu povo deliciava-se em intitular-se de "guardadores do templo" da grande Diana (Atos 19.35).
E é nesse cenário que o apóstolo do amor escreve a primeira carta intitulada por seu nome, em meio a riquezas, luxúrias e glórias.
William Barclay comenta que, muitos naquela época eram cristãos de segunda e até de terceira geração. A emoção dos primeiros tempos e do novo achado tinha passado para alguns, ao menos em certa medida. Os primeiros dias da cristandade se caracterizaram por sua glória e seu brilho, certa magnificência e alegria de viver. Mas ultimamente o cristianismo tinha chegado a ser uma questão de hábitos, como alguém disse: "tradicional, morno, nominal". O povo se acostumou a ele, e tinha perdido algo relativo à sua essência. Jesus conhecia os homens, e disse deles: “O amor se esfriará de quase todos” Mt 24.12. João escrevia numa época em que, ao menos para alguns, o primeiro entusiasmo tinha desaparecido, quando a chama da devoção se reduziu a uma efêmera piscada. A esta mesma Igreja de Éfeso o Cristo ressuscitado havia dito: "Tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor" Ap 2.4. Uma das primeiras conseqüências foi que havia membros da Igreja que encontravam incômodos e aborrecidos com as normas de conduta que o cristianismo exigia. Não queriam ser santos no sentido do termo no Novo Testamento. A palavra traduzida santo é hagios. Etimologicamente significa diferente. O Templo era hagios porque era diferente de outros edifícios; o sábado era hagios porque era diferente de outros dias; o povo judeu era hagios porque era diferente de outros povos; e o cristão estava chamado a ser hagios para ser diferente dos outros homens.
Houve sempre uma separação distintiva entre o cristão e o mundo. No Quarto Evangelho, Jesus diz: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” Jo 15.19.
O apóstolo entende então a necessidade de lutar a guerra pela verdade e durante toda a sua vida peleja contra as heresias gnósticas que insistiam penetrar no seio da igreja. Infelizmente parece haver uma escassez de “filhos do trovão” em nossos dias. E com tudo isso acontecendo novamente, ouvimos certos absurdos: Por que lutar se podemos ser ecumênicos? Podemos conviver de forma harmônica com as nossas pequenas diferenças de interpretações. Afinal não queremos contrariar as pessoas que nos cercam.
No entanto João diz: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. I Jo 2.15.

Somos peritos em agradar nossos amigos, e ágeis imbecis em desagradar a Deus.

Em oração,
Paulo Henrique.

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