O velho apóstolo João
encontrava-se agora em Éfeso, provavelmente no ano 100 d.C . A cidade como relata
Dwight Lyman Moody, o lar de
João durante a última parte de sua vida, está localizado em uma planície fértil
perto da desembocadura do Rio Caister. No tempo de Paulo era um centro
comercial, da região oriental do Egeu e daqueles que passavam por Éfeso vindos
do Oriente. Sendo a cidade a capital da província da Ásia Menor, o procônsul
romano residia ali. Assembléias democráticas eram permitidas aos habitantes de
Éfeso (Atos 19.39). O Cristianismo entrou na cidade em cerca de 55 d.C através
do ministério de Paulo, e ele escreveu uma carta circular a Éfeso e a outras
igrejas cerca de oito anos mais tarde. Antes de João chegar à cidade, muitos
trabalharam ali pela causa de Cristo (Áquila e Priscila, Atos 18.19; Paulo,
Atos 19.3-10; Trófimo, Atos 21.29; a família de Onesíforo, II Tm 1.16-18; 4.19;
e Timóteo, I Tm 1.3). A moralidade em Éfeso era baixa. O magnificente templo de
Diana, com suas 127 colunas de 19,80m de altura à volta de uma área de 140 por
72m, era como um ímã que atraía o povo à pocilga de Éfeso. Era uma casa de
prostituição em nome da religião. E apesar da idolatria iníqua que havia nesse
lugar, era a Meca ou a Roma dos religiosos, e o seu povo deliciava-se em
intitular-se de "guardadores do templo" da grande Diana (Atos 19.35).
E é nesse cenário que o
apóstolo do amor escreve a primeira carta intitulada por seu nome, em meio a
riquezas, luxúrias e glórias.
William Barclay comenta que, muitos
naquela época eram cristãos de segunda e até de terceira geração. A emoção dos
primeiros tempos e do novo achado tinha passado para alguns, ao menos em certa
medida. Os primeiros dias da cristandade se caracterizaram por sua glória e seu
brilho, certa magnificência e alegria de viver. Mas ultimamente o cristianismo
tinha chegado a ser uma questão de hábitos, como alguém disse:
"tradicional, morno, nominal". O povo se acostumou a ele, e tinha
perdido algo relativo à sua essência. Jesus conhecia os homens, e disse deles:
“O amor se esfriará de quase todos” Mt 24.12. João escrevia numa época em que,
ao menos para alguns, o primeiro entusiasmo tinha desaparecido, quando a chama
da devoção se reduziu a uma efêmera piscada. A esta mesma Igreja de Éfeso o
Cristo ressuscitado havia dito: "Tenho contra ti que deixaste o teu
primeiro amor" Ap 2.4. Uma das primeiras conseqüências foi que havia
membros da Igreja que encontravam incômodos e aborrecidos com as normas de
conduta que o cristianismo exigia. Não queriam ser santos no sentido do
termo no Novo Testamento. A palavra traduzida santo é hagios.
Etimologicamente significa diferente. O Templo era hagios porque
era diferente de outros edifícios; o sábado era hagios porque era
diferente de outros dias; o povo judeu era hagios porque era diferente
de outros povos; e o cristão estava chamado a ser hagios para ser diferente
dos outros homens.
Houve sempre uma separação
distintiva entre o cristão e o mundo. No Quarto Evangelho, Jesus diz: “Se vós
fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do
mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” Jo 15.19.
O apóstolo entende então a
necessidade de lutar a guerra pela verdade e durante toda a sua vida peleja
contra as heresias gnósticas que insistiam penetrar no seio da igreja. Infelizmente
parece haver uma escassez de “filhos do trovão” em nossos dias. E com tudo isso
acontecendo novamente, ouvimos certos absurdos: Por que lutar se podemos ser ecumênicos?
Podemos conviver de forma harmônica com as nossas pequenas diferenças de interpretações.
Afinal não queremos contrariar as pessoas que nos cercam.
No entanto João diz: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se
alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. I Jo 2.15.
Somos peritos em agradar
nossos amigos, e ágeis imbecis em desagradar a Deus.
Em oração,
Paulo Henrique.

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