terça-feira, 30 de junho de 2015

Até onde?

Hoje, estive olhando um artigo que foi publicado na quarta-feira 14/07/2010, onde a instituição chamada família, sofrera um grande abalo em sua estrutura, foi aprovado por unanimidade à nova lei sobre o divórcio, com a finalidade de "facilitar" toda burocracia que antes existia para tal procedimento. O que me deixa intrigado é o fato de se preocuparem tanto em acabar com a união de dois adultos, que por falta de Deus, comunicação e dialogo, quebraram as suas promessas; mas esquecem que existem filhos, pais, família e toda uma complexidade que envolve este assunto. Estive olhando algumas estatísticas, o que me frustrou mais ainda, é que no ano em que a instituição do divórcio cumpria 30 anos no Brasil (2008), o IBGE divulgou alguns dados relacionados ao divórcio. A atual taxa de divórcio no Brasil é a maior desde 1995 com aumento de 200%. Isso significa que, em média, a cada quatro casamentos, um é desfeito. Sem dúvidas, uma primeira e simples conclusão é que a sociedade mudou o seu pensamento e comportamento diante da instituição familiar. Refletir e falar sobre família não é uma questão simples, mas não são as dificuldades que devem impedir a reflexão sobre o tema. O desafio diário do cristão evangélico de viver determinados padrões familiares tem sido uma constante. Frequentadores e membros das igrejas têm sido desafiados com discursos que os convocam a viver determinados padrões familiares, com o objetivo de sustentar e manter o casamento e o vínculo familiar estabelecido (digo as igrejas que prezam pela sagrada Escritura). Cônjuges e filhos são constantemente expostos a palestras, pregações e estudos com o intuito de manterem e vivenciarem uma família saudável, com práticas tidas como cristãs.
No entanto, nos perguntamos: ainda é válido, em pleno século XXI, o modelo familiar que nos foi ensinado nos séculos XIX e XX? Existe a necessidade de se pensar em um modelo de família cristã para a pós-modernidade?  Manter os valores cristãos para a família significa manter práxis ou costumes do milênio passado? Eis o desafio.
Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que a família deixou de ser um núcleo social para se constituir num núcleo funcional. Na atualidade, a solidariedade, que é um valor que precisa ser restaurado, começa a ser substituída pelas funções que os membros da família exercem. O envolvimento familiar é responder às questões que levantamos, e mais importante, à pergunta: quem eu sou nesta família? Trata-se de uma questão de identidade e filosofia familiar e o cristianismo, por ter um discurso solidário gerado numa concepção comunitária que é exposta na imagem de corpo de Cristo, provoca e traz uma crise no meio familiar, uma vez que as pessoas são solidárias na comunidade cristã, porém não o conseguem ser na família. Vive-se, portanto, a crise da fé x práxis. A ortodoxia x ortopraxia.
Infelizmente, a família cristã, tem sido influenciada de alguma forma por essa avalanche de meros sofismos e achismos. Será mesmo necessária a criação de um novo modelo familiar? A família patriarcal e as suas diretrizes são mesmo obsoletas em nossos dias? Por que buscar inovação se a Bíblia nos ensina a busca renovação. Já está na hora da família cristã olhar para a Bíblia e ver que é dela que emana nossa lei fundamental.

Em oração,
Paulo Henrique.
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