
Por mais cautelosos que sejamos constantemente somos tentados a olhar para o “ter”. Tal atitude não é difícil de ser vista num sistema gospelizado que vivemos. Valorizando sempre o possuir e raramente o “ser”, e até os mais experientes e capacitados incorre por vezes em tal erro, o profeta Samuel ao ir à casa de Jessé foi impelido a executar a unção do novo rei por sua própria visão, provocando em Deus uma atitude de reprovação.
A consagração é simplesmente a confirmação de uma chamada que há muito tempo já foi aceita e que esta sendo executada.
Ao olhar com os próprios olhos o homem contempla apenas o exterior, no entanto, a Palavra de Deus, nos orienta guardar o coração, como disse Salomão: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem às fontes da vida” (Pv 4.23).
Ao desprezar tal principio tanto o profeta quanto qualquer mortal, está sujeito a “consagrar” pessoas, coisas, objetos e toda e qualquer coisa que possa ser derramado azeite sobre si. Não era o caso do profeta, mas as ditas “consagrações” atuais não são apenas para confirmar um chamado em exercício, mas sim um sistema de favores na forma do “toma lá, dá cá”, as atitudes de Davi no campo pastoreando as ovelhas de seu pai, já demonstrava o líder que ali existia, sua consagração apenas ratificou o que o jovem ruivo já era.
O Senhor repreendeu Samuel ao olhar para o forte, o belo, o de aparência de rei, e lhe disse: “... porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração”. (I Sm 16.7).
Difícil mesmo é ter esse olhar... “... não vê como vê o homem”, afinal que formato de visão é essa?
1° Um olhar preconceituoso: A palavra em si expressa o seu significado (um pré-conceito), sem conhecer, sem importar com causa ou efeito, vamos logo criando o formato do individuo em nossas mentes;
2° Um olhar critico: No pré-conceito fechamos os olhos para o interior, dai surge a critica, é esta por sua vez é nefasta, pois sempre provoca algum tipo de ruína.
Ao depararmos com Samuel notamos que este ficou encantado com o mais velho. Era alto, formoso e de estatura adequada. Certamente está perante o Senhor o seu ungido - pensou. Mas o Senhor lhe advertiu: "Não atentes para a sua aparência. Deus não vê como o homem vê. Este vê o exterior, eu, o coração". Com estas palavras, estabeleceu um dos mais importantes princípios da verdadeira espiritualidade.
Deus conhece o coração!
Os critérios de avaliação que Deus usa são interiores, não exteriores. Seu olhar atento ao que se passa no íntimo é um convite à pureza de intenções. Diz que devemos preferir a ética à estética; investir em valores morais, emocionais e espirituais. Qual a importância de uma bela roupa, quando há rancor e amargura? Qual a beleza de um rosto, quando há tristeza e desânimo na alma?
Jesus reforçou o princípio da interioridade quando ensinou aos discípulos que tanto o pecado como a santidade nascem do coração. Sendo Deus, conhecia a verdade sobre os que dele se aproximavam. Sondava-lhes os pensamentos e via-lhes por trás das aparências. Percebia suas motivações. E não poucas vezes desafiou os religiosos da época, a quem chamou de sepulcros caiados. Dele foi profetizado que "não tinha aparência, nem formosura", mas "vimos sua glória como do unigênito do Pai".
Davi nem presente estava quando seus irmãos desfilaram para Samuel. Não estava aparente. Mas era conhecido do Senhor. Sua história estava apenas começando: a história de um homem segundo o coração de Deus. História de todos quantos preferem cuidar do coração a zelar pelas aparências.
Em oração,
Paulo Henrique.


