quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aparência

Por mais cautelosos que sejamos constantemente somos tentados a olhar para o “ter”. Tal atitude não é difícil de ser vista num sistema gospelizado que vivemos. Valorizando sempre o possuir e raramente o “ser”, e até os mais experientes e capacitados incorre por vezes em tal erro, o profeta Samuel ao ir à casa de Jessé foi impelido a executar a unção do novo rei por sua própria visão, provocando em Deus uma atitude de reprovação.
A consagração é simplesmente a confirmação de uma chamada que há muito tempo já foi aceita e que esta sendo executada.
Ao olhar com os próprios olhos o homem contempla apenas o exterior, no entanto, a Palavra de Deus, nos orienta guardar o coração, como disse Salomão: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem às fontes da vida” (Pv 4.23).
Ao desprezar tal principio tanto o profeta quanto qualquer mortal, está sujeito a “consagrar” pessoas, coisas, objetos e toda e qualquer coisa que possa ser derramado azeite sobre si. Não era o caso do profeta, mas as ditas “consagrações” atuais não são apenas para confirmar um chamado em exercício, mas sim um sistema de favores na forma do “toma lá, dá cá”, as atitudes de Davi no campo pastoreando as ovelhas de seu pai, já demonstrava o líder que ali existia, sua consagração apenas ratificou o que o jovem ruivo já era.
O Senhor repreendeu Samuel ao olhar para o forte, o belo, o de aparência de rei, e lhe disse: “... porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração”. (I Sm 16.7).
Difícil mesmo é ter esse olhar... “... não vê como vê o homem”, afinal que formato de visão é essa?
1° Um olhar preconceituoso: A palavra em si expressa o seu significado (um pré-conceito), sem conhecer, sem importar com causa ou efeito, vamos logo criando o formato do individuo em nossas mentes;
2° Um olhar critico: No pré-conceito fechamos os olhos para o interior, dai surge a critica, é esta por sua vez é nefasta, pois sempre provoca algum tipo de ruína.
Ao depararmos com Samuel notamos que este ficou encantado com o mais velho. Era alto, formoso e de estatura adequada. Certamente está perante o Senhor o seu ungido - pensou. Mas o Senhor lhe advertiu: "Não atentes para a sua aparência. Deus não vê como o homem vê. Este vê o exterior, eu, o coração". Com estas palavras, estabeleceu um dos mais importantes princípios da verdadeira espiritualidade.
Deus conhece o coração!
Os critérios de avaliação que Deus usa são interiores, não exteriores. Seu olhar atento ao que se passa no íntimo é um convite à pureza de intenções. Diz que devemos preferir a ética à estética; investir em valores morais, emocionais e espirituais. Qual a importância de uma bela roupa, quando há rancor e amargura? Qual a beleza de um rosto, quando há tristeza e desânimo na alma?
Jesus reforçou o princípio da interioridade quando ensinou aos discípulos que tanto o pecado como a santidade nascem do coração. Sendo Deus, conhecia a verdade sobre os que dele se aproximavam. Sondava-lhes os pensamentos e via-lhes por trás das aparências. Percebia suas motivações. E não poucas vezes desafiou os religiosos da época, a quem chamou de sepulcros caiados. Dele foi profetizado que "não tinha aparência, nem formosura", mas "vimos sua glória como do unigênito do Pai".
Davi nem presente estava quando seus irmãos desfilaram para Samuel. Não estava aparente. Mas era conhecido do Senhor. Sua história estava apenas começando: a história de um homem segundo o coração de Deus. História de todos quantos preferem cuidar do coração a zelar pelas aparências.

Em oração,
Paulo Henrique.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Transformai-vos

Como conhecer o que é enganoso?
Como escrutar o que não se consegue ver e/ou entender?
Sabiamente, o profeta Jeremias expressa em seu livro (17.9), ao dizer: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”.
O que me chama atenção neste versículo é o ato comparativo que aqui é exposto – “... mais do que todas as coisas...”.
Jesus em Mt 15.18-19 ensina o que o profeta expressou em seu livro: “Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”
Já não bastasse ser enganoso, Jeremias acrescenta algo mais – ele é perverso (maldoso, rancoroso, cheio de impurezas e destruição), assim é o coração do homem.
Portanto, se a fonte é suja, a água que corre emanada deste lugar só poderia ser poluída, daí, a problemática em que vivemos.
Estudos e pesquisas são realizados dia após dia, em busca de uma harmonia perfeita entre homem/homem, homem/natureza, homem/sociedade; no entanto, é como se fosse uma grande e velha árvore, que a cada outono, suas folhas secam e caem, e todo dia alguém com suas ferramentas apanham as inúmeras folhas, mas que no próximo amanhecer lá estará uma grande quantidade de folhas novamente sendo sopradas pelo vento. O problema aqui não é as folhas, e sim a árvore. Não me entenda mal, não sou nenhum devastador da natureza, mas acredito que no exemplo citado, o sensato para aniquilar as folhas, seria cortar a árvore.
O mesmo acontece na polis, onde os problemas que surgem, não “caem” por acaso, existe uma fonte, um lugar onde essas folhas nascem e seca, tal lugar é o coração.
O sábio Salomão disse: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate”. Pv 15.13.
Realmente ele é a fonte. Um coração sarado jorra alegria e contagia os que dele se aproxima, porem, pode também emanar um fétido odor se este for apodrecido pelas mazelas do mal.
Assim, um ótimo conselho é dado por Paulo ao escrever aos irmãos que estavam em Roma: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Rm 12.2

Em oração,
Paulo Henrique.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Realmente não é fácil. Há momentos que tudo parece estar desmoronando e ruindo ao chão. A fadiga, a incompreensão, os sacrifícios, as perdas, derrotas e frustrações, parecem caminhar lado a lado nestes momentos com o já cansado “lutador”. E esse aglomerado de “males” confronta e expõe o que de mais frágil temos e somos – seres dependentes.
Abraão dependia de um filho para deixar o seu legado, a historia do seu nome – e sem explicação nenhuma Deus resolve pedir ao patriarca para dar um fim e encerrar o seu projeto. Foi o mesmo que pedi-lo para esquecer de seus sonhos, de sua alegria, de sua família, de seu nome, de sua origem, de seu tudo. Já era um velho homem, poucas esperanças, a força de sua juventude já estava esvaindo pelos longos e pesados anos da velhice e quando tudo parece estar resolvido, afinal, Deus lhe havia concedido um herdeiro, agora esse cruel pedido.
No caso do profeta Elias – I Rs 19.1-7, despertou no profeta do fogo o seu medo, a perversa rainha Jezabel envia um mensageiro a Elias para “ler” sua sentença de morte e toda a chama do profeta é apagado pela água do pânico, sua única atitude agora é fugir e esconder.
Tanto em Abraão quanto em Elias, tais histórias nos ensinam muito.
No primeiro caso, a triste jornada do patriarca parecia ter chegado ao fim, ao ser-lhe presenteado por Sara, sua esposa, o filho amado e tão esperado – Isaque, o querido filho da promessa, no entanto, Deus pede ao velho o seu tudo. Talvez o cansado homem poderia ter imaginado que um dia Deus lhe pediria sua fazenda, seu rebanho, quem sabe até os seus servos e pastores, mas pedir o filho? Isso realmente o surpreendeu, ao ponto de não contar nem mesmo a sua querida esposa o que estava acontecendo, quem sabe por medo de não entender o pedido.
Em nossas vidas, existem momentos (como bem expressa um grande amigo de ministério – um estreito de Deus), em nossas vidas que realmente parece não haver explicação. Quando tudo parece estar indo bem, os caminhos mudam e deparamos com situações e renuncias que nunca imaginávamos.
No caso do profeta, tudo o que ele havia feito foi em prol de defender o nome do Deus altíssimo, tudo para defender a obra do Senhor. E da mesma forma, parece acontecer em nossas vidas em determinados ocasiões. “Tudo o que fiz foi para obra, dedicação e apego era o meu lema”, e subitamente, quando menos se espera, chega à sentença. Elias pareceu ter razão para tamanha lamentação, afinal, onde estava o Deus que queimou toda a madeira encharcada de água? Será que não poderia fazer o mesmo com seus inimigos?
Tais fatos parecem saltar para dentro de nossas vidas, bênçãos que há muito tempo pedimos e quando alcançada, vem o pedido para renuncia-la. Momentos que tudo o que fazemos é pra obra de Deus, e sem entender nada, surgem às perseguições e açoites.
Interessante, que apesar de não serem contemporâneos e vivem em lugares diferentes, há uma ligação intensa entre os dois personagens, colocando-os semelhante em atitude. Mesmo sendo pedido o filho ao primeiro personagem e ao segundo sendo decretado sua morte, ambos seguem seus caminhos, o primeiro rumo à terra de Moriá e o segundo deixou seu servo em Berseba e seguiu sozinho para o deserto. Dois homens de Deus, mas que agora tudo o que eles queriam era tirar aquela sufocante angustia de seus corações. Tanto o patriarca quanto o profeta são visitados por Deus, ao primeiro em sua visita é lhe feito um pedido, ao segundo é lhe dado uma informação, mas note que foi necessário nas duas historia existir algo em comum, fazendo com que esses homens se tornassem semelhante em suas atitudes. Estou falando de FÉ.
Abraão acreditou que Deus para si providenciaria o cordeiro para o holocausto.
Elias confiou que não estava sozinho naquela peleja e que ainda existiam sete mil que não haviam dobrado diante Baal.
A diferença na caminha é a Fé. O firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Abraão sai do nível de fazendeiro para entrar na galeria da fé, tornando se o pai da fé.
Elias, um dos maiores profetas, só conseguiu passar pelo deserto, em seus longos e difíceis quarentas dias, pela fé.
Porem, viver por fé não é fácil, existe uma frase de autor desconhecido que diz: “O maior ato de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus”.
E ai passa a realmente conhecer a fé, depender de um Deus que tudo conhece e sonda, e no momento certo, sem atraso, Ele chega.
“Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura”. (Rabindranath Tagore).

Tenha fé.

Em oração,
Paulo Henrique.

Perdeu a graça

Ando já cansado deste espetáculo circense.
Picadeiro e atrapalhadas, e parece que o “time de palhaços” não para de crescer.
Interpretações cada vez mais ridículas (que no passado até provocavam certo relampejo de sorriso ao ver tamanha bizarrice), mas que hoje... cansei.
Inchou-se muito a igreja, dilatando suas fronteiras rumo ao profano, enquanto o verdadeiro crescimento tem se tornado cada vez mais raquítico.
Semana passada enquanto me deslocava para a igreja, observava um “culto” que estava acontecendo em uma das diversas igrejas (a ultima vez que contei eram nove) que existem no meu trajeto casa/igreja, e contemplei um grupo, que aos gritos ou lamento (sei lá o que era aquilo), tentava de todas as formas possíveis atraírem platéia para o seu espetáculo. Observo que a concorrência esta cada dia mais acirrada, e ai é necessário apelar para o sobre-natural (não no sentido de espiritualidade), mas por ser sobre qualquer tipo de ética e moralidade mesmo. É globo de luz, dançarinas, fumaça de gelo seco, chuva de sal, pano e retalho de todo tipo, e por ultimo assisti um esquisito espetáculo onde tinham até anjos de assas com fraldas voando amarrados por cordas dentro da igreja (só não entendi o porquê das assas, visto que necessitavam de cordas para “voarem” e a estranha vestimenta celestial) – vale tudo para encher a casa.
Perdeu a graça, os palhaços já não me fazem rir com suas piadinhas e interpretações milaborantes. O momento é agradar qualquer que seja a classe da platéia, independente que se para isso necessite deturpar a Palavra de Deus, e daí? Afinal de contas o que vale um livrinho mesmo? É melhor ter uma casa cheia todos os dias em seus espetáculos do que seguir umas regrinhas arcaicas que ferem a sociedade contemporânea e continua com o circo vazio.
Apesar de não protestar fé cristã, Rui Barbosa com uma visão ampla da sociedade de sua época, proferiu palavras que se enquadram perfeitamente em nosso cenário atual:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo, a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade [...] promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas”.
Graça hoje, só a de Deus!!!
Maravilhosa Graça. E só essa.

Em oração,
Paulo Henrique.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...